Querido Blog

Querido Blog,

Escrevo-te para te dar noticias de nós que sei que há muito que não tens…

Por aqui estamos todos bem.

Ter cinco filhos tem sido uma experiência incrível, acho que nunca estivemos tão felizes em toda a nossa vida, estamos abismados com esta capacidade que o amor tem de crescer mais e mais nos nossos corações. É impressionante!

Os meninos estão todos bem e a crescer (demais). O Jacinto já está no 6º ano, telemóvel e tudo o mais que os meninos de 12 anos de hoje em dia gostam de fazer. O Benjamim tem 9 anos, continua a adorar musica, legos e livros. A Luz, imagina tu, que já tem 7 anos continua com a sua paixão por animais (diz que quer ser veterinária) e a andar SEMPRE descalça. A Jasmim, fez 4 anos pouco depois de nascer o Lucas e cada dia que passa está uma menina mais bonita e doce. Os cães estão bem, o Badu já vai com 15 anos está muito velhote e a perder as forças nas patas de trás. O Zappa continua doido e a dormir todas as noites na cama do Ben.

O Lucas – mais conhecido cá em casa por Lindono Fofucho, é um bebé que, desde que esteja ao colo está sempre bem! Trouxe à nossa família uma imensidão de mimo e de amor. Parece que veio ao mundo para fazer de nós uma família mais completa e unida (e também tornar as noites de sono mais incompletas, e o espaço na nossa cama mais pequeno). Ainda só mama e assim vamos continuar enquanto nos apetecer.

Tive a sorte (pela primeira vez nestes filhos todos) de conseguir pedir a licença alargada e então ainda vou ficar em casa com ele mais três meses, o que é fantástico!

Têm-nos perguntado muitas vezes como é ser pais de cinco. Tem sido a melhor coisa que nos aconteceu, ainda por cima com os manos crescidos temos sempre imensas mãos para ajudar. Mas claro: a máquina de costura está na estante, as tradições em stand by, as agulhas de tricot paradas, os livros na mesinha de cabeceira a aumentar – bem como as olheiras. Na horta só crescem ervas daninhas e, vir escrever-te tem ficado para segundo plano. Mas tenho boas noticias também: finalmente conseguimos comprar um computador e por isso vai ser mais fácil escrever.

2018 foi um ano muito especial para nós – somos gratos por isso todos os dias- não só pelo nascimento do nosso quinto filho mas por um conjunto de coisas boas que se têm somado ao nosso querido baby.

Hoje o Lucas faz 5 meses e, também por isso me lembrei de vir aqui. Sabes como gosto de trocadilhos com números e se não estivesse há tanto tempo escrever este post chamar-se-ia “5 meses 5”

Que 5 meses incríveis têm sido!!!

Diz aos nossos leitores que não me esqueço deles. As coisas lá pelo Instagram estão a andar, por lá é tudo mais fácil e mais rápido, e como não tenho tempo para muita coisa tenho-me acomodado e ficado por lá, mas escrever sabe bem e sou injusta em não te dar noticias durante todo este tempo.

Deixo-te algumas fotos destes 5 meses tão especiais…

Nunca te esqueço e muito menos os nossos queridos leitores

Sempre tua,

Maria

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1 mês

É difícil descrever o primeiro mês com um novo filho em casa. Tudo parece irreal, uma mistura de viver num sonho com injeções de amor e de oxitocina com alguns medos e o sentido da vida posto em perspectiva. De querer por os pés na terra mas ainda não ser capaz. De querer fazer “vida normal” e ao mesmo tempo não querer sair deste estado. O embrulhanço já falado.

Gerar uma vida não é banal. Nem ao primeiro, nem ao quinto, nem o será certamente ao décimo. E por isso, tudo no mundo passa para segundo plano. Por isso não tenho escrito por aqui. Por isso não me apetece muito ir a jantaradas. Por isso não faço tantas coisas como fazia. E se calhar tenho de comprar biscoitos. E cereais. E por isso isto e por isso aquilo. E que se lixe.

Demorou até conseguir perceber que apesar de já ter passado de um mês não temos de fazer vida “normal”.

Tem sido dos melhores meses da nossa vida. E não há privação de sono que me faça hesitar um minuto ao dizer isto.

Agora, devagar, começo a deixar o mundo entrar de volta em mim. Sem pressa. Porque viver devagar também é isto. Só estar. Curtir. E estamos assim os sete a dar uso ao nome do livro que escrevemos. Enquanto a vida toda entra em nós, também devagarinho.

Embrulhados (ou o 4.º trimestre de gravidez)

Enquanto o meu corpo se habitua a desengravidar o meu coração “habitua-se “ a cuidar e a amar um novo filho (entre aspas porque isto de amar nunca causa habituação).

A probabilidade de ser a última vez que vivo estes momentos faz me, ainda mais, apetecer congelar cada minuto, cada beijo, cada cheiro, cada choro.

Hoje o Lucas faz 15 dias e ainda nunca dormiu na sua cama e raramente sai do meu (nosso) colo. Li um dia que, algures no mundo – penso que em determinada região do Japão – durante todo o primeiro mês de vida, bebé e mãe ficam embrulhados juntos – literalmente. A mãe recupera, o bebé adora. Ele mama, ela mima. Ponto.

E, de facto, sinto que não apenas o primeiro mas os três primeiros meses da vida de um bebé são, na verdade, um prolongamento da gravidez. Eles já não cabem dentro de nós, por isso continuam a gestação no nosso colo. Mas, nem eles estão preparados para estar longe das mães. Nem as mães preparadas para estar longe deles. É amor mas é ainda mais. É físico. E químico.

Numa família de sete nada disto muda – tirando que a mãe partilha o colo do bebé com os outros filhos crescidos e que o bebé partilha o colo da mãe com os outros filhos. Mas, na verdade estamos todos “embrulhados” neste bebé. E aquilo que mais sentimos nestes quinze dias foi que a quantidade de amor é mais do directamente proporcional à quantidade de pessoas embrulhadas ao bebé . É uma relação de grandeza que não existe na matemática. Só existe dentro de nós.

A festa e os vestidos

Vou confessar que estou desde sábado à noite a abrir e a fechar as “notas” do meu telefone continuando a deixar em branco a tentativa de escrever este post.

Na verdade são muitos anos e muitos filhos, muitas festas e muitas tradições ( e muitos vestidos) .

A gravidez e a alergia – e também a alegria da gravidez – está a dar cabo da minha capacidade para escrever qualquer coisa de jeito. Desculpem queridos leitores, estou muito lenta, passiva e preguiçosa, alérgica e ranhosa . Mas tudo há de voltar ao normal.

A Luz fez sete (sete!!?!!) anos . Crescida, desdentada e cada dia que passa mais querida.

Escolheu tudo para a sua festa, o tecido do vestido, o presente, o bolo – lá se foi a tradição das flores pois preferiu morangos e framboesas “assim podemos comer tudo !”.

Ajudou-nos em todos os preparativos e, de manhã, quando lhe mostrei como tinham ficado os vestidos agarrou-se a mim como um koala e disse “ Está lindo!! Adoro-te mamã”. Eu, que às vezes tenho dúvidas se estas tradições que invento valem a pena, nestes momentos tenho a certeza que sim. Vale mesmo a pena (e de facto os vestidos ficaram mesmo giros, modéstia à parte).

Podia não ter escolhido este caminho – mais cansativo, embora mais divertido – de fazer tudo tudo tudo quando eles fazem anos, tenho a certeza que eles não seriam menos felizes por isso. Mas é um investimento que fazemos. Do presente para sempre . É uma coisa muito nossa e que tenho a certeza que eles nunca se vão esquecer.

Fazer o bolo, fazer os pães, fazer a roupa, fazer isto, fazer aquilo. Uma quase-directa nas vésperas, a cozinha a cheirar a padaria e a sala cheia de fiozinhos e alfinetes por todo o lado.

Quando acaba uma semana de festa fico de ressaca, sinto que tenho tempo para tudo e até fico sem saber o que fazer. A mesma sensação que tinha quando acabava a época de exames. Todo um novo mundo que se abre. E muito mais tempo para ler..

E agora é até Outubro para os anos da Jasmim (mas para o ano temos festa também em Setembro!!! ai… que eu nem consigo imaginar que vou ter um bebé nos braços … )

❤️❤️❤️