A festa e os vestidos

Vou confessar que estou desde sábado à noite a abrir e a fechar as “notas” do meu telefone continuando a deixar em branco a tentativa de escrever este post.

Na verdade são muitos anos e muitos filhos, muitas festas e muitas tradições ( e muitos vestidos) .

A gravidez e a alergia – e também a alegria da gravidez – está a dar cabo da minha capacidade para escrever qualquer coisa de jeito. Desculpem queridos leitores, estou muito lenta, passiva e preguiçosa, alérgica e ranhosa . Mas tudo há de voltar ao normal.

A Luz fez sete (sete!!?!!) anos . Crescida, desdentada e cada dia que passa mais querida.

Escolheu tudo para a sua festa, o tecido do vestido, o presente, o bolo – lá se foi a tradição das flores pois preferiu morangos e framboesas “assim podemos comer tudo !”.

Ajudou-nos em todos os preparativos e, de manhã, quando lhe mostrei como tinham ficado os vestidos agarrou-se a mim como um koala e disse “ Está lindo!! Adoro-te mamã”. Eu, que às vezes tenho dúvidas se estas tradições que invento valem a pena, nestes momentos tenho a certeza que sim. Vale mesmo a pena (e de facto os vestidos ficaram mesmo giros, modéstia à parte).

Podia não ter escolhido este caminho – mais cansativo, embora mais divertido – de fazer tudo tudo tudo quando eles fazem anos, tenho a certeza que eles não seriam menos felizes por isso. Mas é um investimento que fazemos. Do presente para sempre . É uma coisa muito nossa e que tenho a certeza que eles nunca se vão esquecer.

Fazer o bolo, fazer os pães, fazer a roupa, fazer isto, fazer aquilo. Uma quase-directa nas vésperas, a cozinha a cheirar a padaria e a sala cheia de fiozinhos e alfinetes por todo o lado.

Quando acaba uma semana de festa fico de ressaca, sinto que tenho tempo para tudo e até fico sem saber o que fazer. A mesma sensação que tinha quando acabava a época de exames. Todo um novo mundo que se abre. E muito mais tempo para ler..

E agora é até Outubro para os anos da Jasmim (mas para o ano temos festa também em Setembro!!! ai… que eu nem consigo imaginar que vou ter um bebé nos braços … )

❤️❤️❤️

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Festa dos Maios

A Quinta do Pisão é, por si só, um sítio lindo para fazer piqueniques, ver burros ovelhas e cabras, comprar legumes biológicos ou simplesmente dar um belo passeio na natureza.

A festa dos Maios – que aconteceu no fim de semana que passou e que volta no próximo com outras actividades diferentes torna a quinta do pisão ainda mais apetecível.

Nunca tinha ido mas percebi que a ideia desta festa é trazer para os dias de hoje tradições rurais e saloias numa enorme diversidade de actividades, workshops e demonstrações. Desde óleos essenciais e cerveja artesanal, passeios de charrete, olarias, demonstrações de falcoaria, a escolha não tem fim .

Fui especificamente a um workshop que há muito tempo que queria fazer, sobre lã e tecelagem.

Com a Rosa aprendi a transformar a lã acabada de tosquiar em fio para tricotar. Na verdade não me dei nada bem com o fuso e estive constantemente a partir o fio mas depois tentei a roda e a coisa correu bem melhor!! Um dia que me queiram oferecer um presente já sabem! Quem me conhece sabe que sou viciada em fazer e aprender a fazer (até à matéria prima mais prima) um dia que tenha uma coisa destas em casa só me fica a faltar uma ovelha no jardim.

Enquanto eu andava de roda da roda da Rosa, já a Luz andava de roda do tear da Vânia . Foi amor à primeira vista de tal forma que… já sabe o que quer nos anos (que são já na quinta feira!) E é bem mais prendada que eu, apanhou-lhe o jeito à primeira…

Foi uma tarde das boas e daquelas mesmo bem aproveitadas. Um programa de uma só filha que tanto faz falta e de que tanto estávamos as duas a precisar. Ainda andámos de charrete, de burro e… nem acreditam: tudo isto se passava com burros bebés mesmo ao nosso lado… e que pelo macio eles têm!

No próximo fim de semana a programação continua, e eu cheia de pena de não poder ir a nenhum dos dias. Quem quiser um bom programa de primavera vá até à quinta do pisão. Vejam a programação e escolham o programa que mais gostam ou… vão só passear!

Clube de leitura Slower

Passei muitos anos a dizer que não tinha tempo para ler porque isto de ter filhos e isto e aquilo. Até que, no ano de 2014 comecei a ler a trilogia milennium “Os homens que odeiam as mulheres” e, como que por magia, o tempo para ler começou a aparecer. Qualquer minutinho livre era uma desculpa para adiantar mais um parágrafo. Enquanto esperava que a massa cozesse, enquanto ia à casa de banho. Quando chegava mais cedo a algum lado ou quando esperava por uma consulta. Antes de dormir marchavam mais quatro ou cinco páginas. E, em 2 meses li estes três livros inteiros. Sim, sim… não vamos exagerar… obviamente que não voltei, nem de perto nem de longe, a ter o ritmo e os tempos de adolescente a devorar um livro num par de dias.

Ainda assim, acho que é um hábito que devemos manter, não só por uma questão de cultura geral mas também por uma questão de sanidade mental. E, na verdade, a busca de um “viver mais devagar” devia trazer sempre consigo a procura intrínseca de mais tempo para ler. Tentarmos trocar um scroll no Instagram por cinco minutos de livro. Trocar uma espreitada no facebook por três páginas de livro. Trocar um episódio de uma série por um capítulo ou dois na nossa leitura. E, nunca adormecer sem umas linhas de um livro – há sono mas há sempre espaço para um parágrafo ou dois.

Na verdade, esta conversa toda é só para vos propor que se juntem a nós no Clube de Leitura Slower. E o que é o Clube de Leitura Slower? De três livros selecionamos um. Temos cerca de um mês, um mês e meio, para o ler. E, no fim desse tempo, reunimo-nos numa noite agradável, num sítio simpático, com a companhia de um bom vinho – ou de um chá como será o meu caso nos próximos meses. Falamos sobre o livro, aprofundamos o livro. Na verdade, a ideia não é ter um guião de perguntas e respostas, embora ele possa existir para orientar, mas uma conversa que flua. Imagino que acabemos a falar daquilo que nos apetecer, daquilo que o livro despertou em nós, o que sentimos. Depois, aproveitamos o embalo e escolhemos o livro para o mês seguinte.

O PRIMEIRO LIVRO
Lançado o desafio deixo aqui as três propostas de livros para esta primeira volta. Livros que ainda não li e que estão na minha lista de livros para ler.

· Sei porque canta o pássaro na gaiola, Maya Angelou
· Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector
· A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

Gostava de saber quem se quer juntar para escolhermos e começarmos as nossas leituras asap – estou a acabar o meu livro, preciso de saber rapidamente qual será o próximo!

COMO ADERIR
1. Envia um e-mail para o ola@slower.pt ou comenta neste post até 15 Maio.
2. Dos livros sugeridos, indica o teu preferido.
3. Será enviado um email com livro mais votado, o que iremos ler.
4. Junta o hashtag #clubedeleituraslower às tuas partilhas.

Se quiserem sugerir o clube a alguém que não seja leitor do Slower estejam à vontade e inscrevam também o vosso amigo ou amiga.

Até já!
Maria

38

Como já devem ter percebido, adoro inventar tradições.

Inventei então a tradição de acampar no meu dia de anos -na verdade só inventei no ano passado – mas para os miúdos isto é coisa de sempre e, para nós também porque, insisto, para mim conforto é ter o coração cheio e estas aventuras com os meus enchem-me de amor e tornam os meus anos cheios e felizes! Este ano, com esta barriga (e o tempo que ainda estava incerto) decidimos optar por uma caravana e, já agora aproveitar que o dia de aniversário colava com o fim de semana e, em vez de um dia ficaríamos três.

Uma série de “es” transformaram esta pequena (grande) viagem numa conjugação de factores que tornaram estes dias perfeitos .

“E se” fossemos ver neve – sexta feira não deve estar ninguém na Serra da Estrela! Tinha percebido que a serra estava com uma mega acumulação de neve- coisa rara nesta altura do ano. Pouca gente, pouco frio e MUITA neve.

“E se” fosse apresentar Covas e as suas pessoas à minha família? Parecia-me a oportunidade perfeita! Ainda por cima havia lá uma festa, de uma das amizades que por lá fiz, onde gostava muito de estar presente.

“E se” pelo caminho parássemos para ver e dormir no castelo de Almourol e aí tomássemos o pequeno almoço dos meus anos – a minha refeição preferida quando estou a acampar!

O melhor da vida numa caravana é que tudo é possível. Não é preciso grande plano, porque ele vai surgindo e, estejamos nós onde estivermos podemos descansar, ir à casa de banho, cozinhar ou… continuar.

A nossa viagem foi feita de improvisos daqueles que correm melhor do que qualquer plano. Visitámos amigos, visitámos os nossos heróis bombeiros de Vila Nova de Oliveirinha, que tanto passaram na noite de 15 de Outubro. Encontrámos o melhor sítio do mundo para acampar e onde queremos voltar muitas e muitas vezes! Passeámos por sítios lindos. Jogámos, brincámos, fizemos bonecos de neve, almoçamos com vista para a neve, jantámos por baixo das estrelas. Dormimos bem juntinhos (e muito), ouvimos muitas histórias e muita música!

Foram três dias mas (obrigada França!) pareceu uma semana e soube a férias.

Não atendi telefonemas nem respondi a mensagens de parabéns. Mas li e ouvi, uma por uma e… obrigada a todos! Entrei nos 38 em cheio (e cheia!)