Viver Devagar

Chegou finalmente o  dia pelo qual esperava há tanto tempo! O dia de ter nas mãos o meu querido livro ” Viver Devagar – Uma família na cidade ao ritmo da natureza”
Não vou dizer que foi um processo muito difícil, porque não foi difícil. Foi demorado: roubou-me manhãs de corrida, noites de costura, tardes em família. Fez me interromper livros que estava a ler, atrasar trabalho, adiar compromissos.  Mas foi, mais do que tudo, um processo muito intenso e especial : desde o dia da primeira reunião com a editora zeroaoito  até ao dia de  hoje.
Primeiro porque adorei sonhar,  imaginar e planear cada página deste livro.
Segundo porque me deu um gosto incrível organizar os capítulos, as categorias, escolher os textos preferidos,  escrever uns, reescrever outros, perceber-lhe uma lógica, seguir uma lógica, respeitar essa lógica.
Terceiro porque o livro não foi feito só por mim – e isso vai ser sempre o mais importante. Tive ao meu lado os melhores do mundo, fosse para me aconselharem e apaziguarem as dúvidas, fosse para tirar as fotografias mais bonitas,  fosse para escrever textos que completam enormemente o livro ou até para colaborarem com capítulos inteiros. Nunca, em  momento algum, estive sozinha.
Claro que, no dia de o ter nas mãos, as dúvidas e inseguranças são mais que muitas. E agora?? E se está péssimo? E se ninguém gostar?!
Na verdade o que acontece é que um livro não é um livro até ao dia de os termos fisicamente na mão. Porque esse é o dia em que ele deixa de ser de quem o  escreve para ser de quem  o lê. E agora a única coisa que posso fazer são figas para que vocês gostem dele.
Com a certeza absoluta que foi escrito com todo o amor e honestidade.  De mim, para vocês. ❤
 (O livro estará à venda nas livrarias a partir do dia 3 de Maio – ou então podem pré encomendar aqui – Assim que souber a data do lançamento aviso, pois vou vos querer a todos por lá!)

Limpar a areia com banhos de sol 


Foi uma limpeza que se tornou num dia de praia bestial. Quando foi decidido o dia não havia a  previsão de um Abril tão solarengo, pelo que esta seria a última limpeza de praia para que, nos meses seguintes, pudéssemos seguir com esta missão em matas, parques e florestas. Ora bem, em dia marcado não se mexe, pelo que, apesar do sol, do calor (e da ressaca) às 10.15 já estava eu na tal Praia da Saúde (praticamente com a praia só para mim). Estandarte em punho, chapéu de sol, luvas e sacos e estava pronta para começar. Não tardaram a chegar os primeiros companheiros de limpeza (e o sol cada vez mais quente). E apesar dos banhos, conversas e brincadeiras nunca esquecemos o propósito que nos levou a estarmos todos ali, naquela praia, àquela hora, naquele dia. 

E houve uma coisa me deixou particularmente contente: todos (fomos poucos mas dos bons!) temos  o nervoso miudinho de espalhar a mensagem e sensibilizar, sensibilizar, sensibilizar. Isto não é nosso,  certo ? Estamos cá de empréstimo e o mínimo que podemos fazer por respeito a este planeta que nos acolhe é pôr consciência  ecológica em tudo o que fazemos, porque somos nós também quem está a estragar isto tudo  e por isso nunca é demais lembrar:  A mudança começa  em nós. E, por isso, fico sempre feliz quando me rodeio de pessoas que lutam pela mesma causa. 

Desta limpeza destaco três curiosidades e particularidades: 

1. O grau de sensibilização que as crianças ficam com estas acções, é talvez até mais importante do que a limpeza em si. Nunca mais um miúdo volta a olhar para um papel, cigarro ou plastico no chão da mesma forma.

2. As pessoas em volta olham, percebem e tenho a certeza (terei?) que, para a próxima pensam duas vezes antes de deitar o pau do gelado na areia. 

3. O eterno mistério dos cotonetes… será mesmo verdade que vêm do esgoto? É que os encontramos aos milhares! 

Enfim, obrigada a todos os que vieram, foi espectacular!! Apanhamos uma boa dose de lixo daquele areal.

No próximo mês espero que sejamos ainda mais. Mas, não se esqueçam : vai haver uma mega  limpeza da Brigada do Mar que vai estar a limpar em várias praias do país. Gostava mesmo muito que pudessem dar o vosso contributo a este grupo espectacular pois são precisos muitos voluntários. Inscrevam-se aqui

Eu já me inscrevi!

Faz ATUA parte


É já amanhã a próxima limpeza Faz ATUA parte. Em conjunto com o grupo @plasticsundays queremos limpar o areal da Costa da Caparica mas, para isso precisamos de muitas mãos. Quem não puder vir ter connosco pode limpar onde estiver! Juntos vamos limpar o mundo 💪💪💪

37 

 
Penso muitas vezes que o que quero guardar dos melhores anos da minha vida em família sao os momentos que vivemos uns com os outros a transbordar de amor. Tenho a certeza que esta  proximidade – uns com os outros e com a natureza – fica gravada para sempre nas memórias e nos corações de todos. 

Fartei-me de pensar no que haveria de fazer no meu dia de anos (que tenho a sorte de  ser oferecido no meu trabalho). Adoro sempre estar com todos os meus amigos e família. Adoro copos e jantaradas. Mas isso já o faço durante todo o ano (felizmente!). 

Este ano, a Primavera deu me um presente-extra: 28 graus previstos para o meu dia de anos (ao contario de há dois anos atrás).

 Pensei que quando chegasse aos 37 anos ia ser uma senhora crescida. Responsável e ponderada. Ia ter uma conta poupança e ver o telejornal. Não ia fazer mais tatuagens não iria gostar de aventuras nem de dormir fora de um bom colchão. Pensei que ia sempre preferir o conforto. Mentira!!!! Claro que nunca pensei que fosse ser assim. E faço questão que assim não seja. O conforto nunca vai ser a minha prioridade. E, na minha vida, comportamentos e atitudes vou sempre continuar a ter 24 anos. Vou sempre preferir uma boa noite ao ar livre, por mais trabalho que ela dê a preparar. Porque, para mim, conforto é ter coração cheio. E por isso, andava eu a pensar no que é que eu gostava mesmo de fazer no meu dia de anos. A resposta acabou por surgir: Delisgar.  Adormecer a ver as estrelas e acordar a ver o mar. Jantar na praia. Dormir na praia. Acordar na praia. Passar o dia na praia. Nós os seis. Mais os dois. No melhor sítio do mundo. 

Depois o meu lado negro de quem tem 37 anos ainda me quis tentar. “Que estafadeira, preparar toda a logística, dormir desconfortável, os miúdos a faltarem à escola…” 

Vale-me ter ao meu lado um homem que olha para as minhas ideias com o mesmo entusiasmo do que eu, mas com a parte boa de descomplicar tudo o que possa parecer menos viável. “Claro que dá para sair do trabalho às 5, buscar os miúdos na escola e estar na Arrábida antes das 8, com todos os utensílios, tenda, almofadas, sacos de cama, almofadas, refeições, guarda sois, dois cães, garrafões de água, mudas de roupa, lanternas, pratos, talheres, montar a tenda numa praia de difícil acesso, fazer o jantar, jantar o jantar, molhar os pés, ver as estrelas, jogar às cartas dentro da tenda e ainda vamos acabar com uma (ou duas) garrafas de vinho Branco quando os miúdos estiverem a dormir.” – “achas? Então ‘bora! É mesmo isso que eu quero!” 

E fomos. 

E foi bom demais. 

Quando há uma horta


O fim de semana previa-se quente e a ideia era rumar a praia assim que pudéssemos. Por isso, mal conseguimos estar prontos no sábado (o que implica o nosso futebolista de 10 anos despachado dos seus compromissos de profissão) avançámos – como se de verão se tratasse: Fatos de banho (e encontrá-los?), protectores, baldes, lancheira, guarda-sol. 1 filhos, 2 filhos, 3 filhos, 4 filhos.

E valeu o esforço, porque estava um dia mesmo como se de verão se tratasse. Vingámos o inverno que passamos longe dos banhos de mar. E que bom que foi. E cheio. E quente. E divertido. 

Mas o domingo teve de ser pelo jardim. Porque quando se tem uma horta, por mais pequena que ela seja, tem de se fazer alguns esforços. Sobretudo na Primavera. Sobretudo em Abril. Sobretudo no primeiro fim de semana de calor.

Foi dia de arrumar. Foi o dia de pôr na terra algumas das plantações iniciadas em fevereiro no interior, já fortes e com menos frio, de certeza que estas plantinhas já se vão aguentar bem lá fora. Abóboras, tomates, acelgas, espinafres, aipo, mangericão, pepinos e pimentos:

Depois de revolvida a terra e enriquecida com quilos do nosso composto, ainda lhes fizemos uma “mantinha” com folhas secas para se sentirem mais confortáveis. 

Mas, passar um dia no jardim é tudo menos aborrecido. As nossas traseiras não são um parque infantil mas dão pano para mangas! Entre um almoço de sanduíches, apanhar nêsperas saborosas da árvore do vizinho e baloiçar na rede onde a mãe queria dormir um pouco ninguém pára quieto. Entre as futeboladas dos rapazes e as papinhas de pedras e folhas das meninas o dia passa depressa… e é fácil esquecer a praia. 

Mas  o momento alto foi, sem duvida, observar as aranhas, minhocas, bichos da conta e milhares de outras espécies de insectos que vivem no fundo da nossa caixa de compostagem. 
Lembrei-me de partilhar aqui convosco uma entrevista sobre esta nossa caixa mágica, que passou há uns tempos na Antena 1.