Cinco filhos – parte 2

O fim da tarde aos dias de semana traz também consigo uma rotina, embora muitas vezes seja quebrada – ao contrário das manhãs onde a rotina só é quebrada quando adormecemos.

Sempre tivemos a  sorte (não sei bem se é sorte)  de chegar os dois cedo a casa. E sempre valorizei muito  (mesmo muito) o facto de conseguirmos reunir TODOS em casa  por volta das 17.30.

Vamos buscar os meninos à escola por volta das 17, primeiro os mais pequenos – Jasmim e Lucas que andam na creche e logo de seguida a Luz e o Benjamim que andam na primária. Felizmente as duas escolas são perto uma da outra. O Jacinto, já é o terceiro ano que vai e vem a pé da escola – e isso é uma grande qualidade de vida para ele e para todos! Por isso, quando chegamos  com os  outros 4, já o Jacinto está em casa.

Neste momento eles não têm nenhuma actividade extra escola. Normalmente, se eles quiserem fazer alguma actividade deixamos para o segundo ou terceiro período. E eles gostam disso. O primeiro período é um tempo de adaptação ao novo ano lectivo, de mudanças e também de dias curtos  e frios. Somos os 7 muito caseiros e adoramos o fim da tarde no conforto da nossa casa.

Apesar de tudo, o fim da tarde é curto para tudo o que queremos \ temos de fazer. A casa que está arrumada fica desarrumada em mais ou menos um minuto e meio. Mochilas, casacos, brinquedos espalhados: são cinco a brincar em apenas dois quartos e com coisas muito diferentes. Mas, resumindo e concluindo e embora não haja uma tarde igual à outra, é isto:

Mal chegam a casa vão diretos à cozinha. Gostam de lanchar (provavelmente não almoçam muito na escola e o lanche que mando também não é muito grande) e eu gosto deste momento. Como agora estou mais tempo em casa, muitas vezes preparo um bolo e um chá para um regresso mais quentinho. Lanche despachado cada um vai fazer o que quer. Brincam, fazem trabalhos de casa  e descem e sobem para o jardim ou para casa dos primos  (que moram em baixo). Agora com um bebé em casa, dedico muito tempo a estar sentada no chão e então aproveitamos para construir puzzles e montar legos – que eles adoram. Vou tentando gerir as bulhas e as birras sem ter de me levantar, mas normalmente não consigo estar assim muito tempo na paz a brincar no chão. É uma casa barulhenta e cheia!

Não temos por hábito ligar a televisão a esta hora mas não é uma regra, se por acaso lhes apetece ver qualquer coisa não estou cá para proibir e percebo que lhes apeteça essa ronha e deixo. Basicamente este tempo é deles, fazem o que quiserem!

Por volta das 19 começam os banhos. Durante muito tempo no Inverno só havia banho dia sim dia não mas agora há sempre banho a acontecer. Os rapazes tomam por si já há mais tempo (o Jacinto de manhã). A Luz às vezes sozinha às vezes com os mais pequenos. A Jasmim toma todos os dias pois na sua escola tem um recreio maravilhoso cheio de terra e lama (chega a casa tão suja que raramente conseguimos que não tome banho). O Lucas também acalma muito com o banho e por isso, este ano temos sempre banho.

Enquanto o Francisco dá os banhos eu começo a preparar o jantar. Adoro cozinhar, por isso, apesar de ter uma pessoa que me ajuda umas horas por dia com a casa e roupa, sou sempre eu que cozinho. E cozinho todos os dias.

O nosso jantar está pronto pelas 19.30\20. Jantamos SEMPRE todos juntos e na mesa da sala de jantar com velas acesas e música a tocar. A ementa é feita por mim à sexta- feira e raramente alteramos o que lá está destinado (faço as compras com a ementa já pronta, assim tenho a certeza que não  vai faltar nada). A mesa quem põe são os miúdos : à segunda feira é o Jacinto, à terça-feira o Benjamim, à quarta a Luz. A Jasmim põe à quinta com a nossa ajuda e o Luquinhas, claro, ainda não põe a mesa. 🙂

Adoramos o jantar, temos sempre sopa, salada e fruta. Conversamos muito quando estamos à mesa e na verdade, é quando mais sinto que eles são  muitos cinco, todos querem falar muito, interrompem-se  e falam ao mesmo tempo o que às vezes me leva a dar um ou dois gritos.  Há conversas paralelas e às vezes sinto que não consegui ouvir tudo o que eles queriam contar, e claro, depois de os deitar fico com pena, mas pensando bem acho que eles percebem  e que faz parte de ter muitos manos. Eles adoram estar à mesa (tirando um mais crescido que quer despachar o jantar para ir falar com os amigos pelo whatsapp – help)

Depois do jantar varia muito a nossa rotina. Já tivemos o nosso clube de leitura, às vezes acompanhamos alguma série em família. Ultimamente tem sido um bocadinho sem rotina.  As idades deles começam a fazer alguma diferença por isso muitas vezes não conseguimos encontrar um programa para fazer todos juntos. Há um bebé para deitar, um café para beber, mochilas para preparar e  uma história para contar. Ultimamente têm visto um episódio de alguma série que estão a seguir enquanto um de nós, pais, deita o Lucas. Pelas 21.30 vão os outros 4 para a cama. Uns adormecem quase instantaneamente. Outros ficam a ler, a desenhar ou simplesmente a rebolar na cama. Muitas vezes temos de lá ficar com eles, quase sempre querem mais um beijinho, um copo de água, um boneco ou alguma coisa que se lembram (só para testar os meus nervos?)

E depois o nosso serão… ai  o nosso serão… durante muito tempo era o nosso tempo a dois, para  beber uma cerveja, conversar,  ler, ver um filme ou tricotar.  Agora é esperar até o Lucas acordar a primeira vez e depois a segunda e por aí fora…

Sabemos que não é para sempre, mas se temos saudades de não haver filhos a acordar noite dentro.. ufa se temos!!

 

 

 

 

 

 

Cinco filhos parte 1

É verdade que somos muitos cá em casa, mas apesar de tudo, como fomos crescendo devagarinho – andamos a crescer há mais de 12 anos -fomos criando aos poucos e poucos o nosso caos.

Somos uma familia grande e barulhenta. Organizada em algumas coisas, desorganizada em muitas outras. Se por um lado adoramos a rotina também adoramos fugir dela assim que pudemos. A nossa casa está sempre cheia e imagino que às vezes seja confusa.

Se me perguntassem o que nos define como familia diria rapidamente descomplicados – com tudo o que isso tem de bom e de mau. Não somos ansiosos e não precisamos de grandes comodidades. Escolhemos sempre o lado mais aventureiro e divertido ao lado confortável de uma situação, mesmo que isso às vezes nos dê o dobro do trabalho, apesar de tudo gostamos de regras e da casa arrumada. E eles também.

Vou falar então do nosso dia a dia. Mas atenção: será sempre o dia a dia de uma família adaptada (ou ajustada) às rotinas de um bebé. Tenho a certeza que daqui a um ano ou um mês, já alterámos muita coisa neste dia a dia que vivemos hoje. E acho que isso é maravilhoso.

Para que não fique um post demasiado extenso (uma vez que já está e ainda não disse nada!) vou dividi-lo em três partes. Hoje é a primeira parte e falo sobre as nossas manhãs em dias de escola. Temos sorte porque cá em casa- salvo algumas excepções– temos todos óptimo acordar é isso facilita imenso as manhãs.

Manhãs Round 1

Acordamos pelas 7/ 7.30 (no despertador porque muitas vezes o Lucas já está acordado desde as 6). Os rapazes depois de alguma insistência acordam e vão logo tomar pequeno almoço com o pai: weetabix para um, cereais da força para os outros. Falam de muitas coisas deles, Benfica, Liga da Justiça, Guerra das Estrelas ou ficam em silêncio a acordar devagarinho. O Lucas vai fazendo companhia a todos os que estão na mesa de pequeno almoço – é uma recompensa por saírem da cama!

Manhãs Round 2

As miúdas têm direito a mais um bocadinho de ronha e só tomamos o pequeno almoço quando os rapazes se vão arranjar. Ovos, torradas e café para mim. Pão com mel ou Nutella (eu sei eu sei…) para a Luz. A Jasmim não gosta de repetir o pequeno almoço. Uns dias come iogurte, outros cereais da força, papas de aveia ou weetabix – é toda uma logística o feitio que ela tem ao acordar e, se estiver com mau feitio pode ser a parte mais complicada da nossa manhã.

Manhãs Round 3

Depois, não vou disfarçar, temos a vida facilitada: dos 5, 3 arranjam-se completamente sozinhos por isso, acaba o pequeno almoço vão se vestir, tomar banho (quem toma). Para mim a sanidade matinal vem de não querer meter o bedelho nas escolhas deles. Cada um veste o que quer. Com meias, sem meias. Comprido no verão, curto no inverno. Por nós está tudo bem. Às vezes gostava de os ver arranjados de outra forma ou à minha maneira mas nada compensa uma manhã mais sossegada e não ter chatices nem birras. Feios não ficam. Doentes também não.

Esta fase não demora muito sobretudo agora no Verão, que duas peças de roupa são suficientes. A Jasmim sou eu que arranjo, e só gosta de 3 das 40 coisas que tem no armário. Portanto, veste-lava-repete-evita a birra- veste-lava-repete.

Enquanto uns lavam os dentes e acabam de preparar as mochilas, eu preparo os lanches. Coisas simples, sobretudo nesta fase da vida.

O Jacinto entretanto já saiu, entra às 8.30 e vai a pé para a escola – o que é um óptimo upgrade na nossa rotina – muitas vezes o Francisco faz-lhe companhia enquanto dá um passeio aos cães, outras vezes vai sozinho, com a prima Kika ou com amigos que encontra no caminho.

Os outros saem com o pai pelas nove horas. Primeiro a escola dos grandes, depois a Jasmim que ainda não têm horário.

Eu fico com o Lucas e assim vai ser até Setembro (ignorar post anterior). Curtir a calma da casa, arranjo o Lucas, arranjo-me a mim. E estou pronta para o dia! Só nós os dois até à tarde quando regressa a confusão.

Cordão umbilical parte 5

E assim, de repente, de um dia para o outro e sem aviso prévio chegou o dia de deixar a vida boa. Porque as mudanças aparecem sem avisar e quando menos se espera – e porque durante esta licença procurei dar um novo rumo à minha vida profissional.

A procura resultou em muitas coisas boas, sobretudo porque percebi o que é que queria realmente fazer e acabou por se concretizar numa oportunidade mais depressa do que eu imaginava.

Sexta feira de manhã achei que iria iniciar duas semanas com os meus cinco filhos nas suas férias da Páscoa.

Sexta feira à tarde soube que ia começar a nova fase da minha vida ia já começar. E que ia deixar os meus cinco filhos nas suas férias da Páscoa.

Os sonhos não escolhem o dia e não deixam de ser sonhos por não chegarem no dia perfeito.

É tudo uma questão de… adaptação. Um ciclo que começa, um ciclo que acaba – com todas as dores que isso traz – fechar ciclos tem o seu lado nostálgico, assustador e até triste – na verdade já tenho saudades e ainda aqui estou.

Mas se há um ciclo que se fecha há outro que começa e é nesse que me nos vamos focar. E vamos dar conta dele como sempre demos.

Luquinhas meu bebé pequenino, sei que me vou encher de lágrimas a escrever que os nossos dias de namoro a dois acabaram, foram mais de 6 meses incríveis, arrisco-me a dizer que dos melhores de sempre.

Mas agora tens o teu pai para te agarrar durante o dia e sem dares por isso, logo logo a mãe vai chegar. Já sabemos que durante a noite não me largas por isso ainda temos muito tempo a curtir os dois!

Já sabíamos que isto não era eterno e foi uma granda vida até aqui! Passeámos, fizemos amigos para sempre, fomos almoçar com os manos a meio do dia, fomos a Paris, a Coimbra, a Covas e a Estremoz, fomos ao médico, ao jardim e aos almoços das mães, recebemos visitas, fizemos bolos, festas (muitas!) e lanches. Passaste dias e dias inteiros no meu colo. Olhando para trás foram 6 meses do caraças! Tu não te vais lembrar deles mas vão estar para sempre guardados num sítio tão especial do teu coração que não vai dar para pensar, só para sentir. Já eu, nunca me vou esquecer e são seis meses guardados no “guarda-memórias” mais especial que tenho. E que sortuda sou que já lá tenho tantas coisas incríveis.

Vem daí nova vida estou aqui de braços abertos para o que der e vier.

E sei que terei uns braços ainda maiores para chegar a casa no final do dia.

Hoje o Lucas faz seis meses

Hoje o Lucas faz seis meses.

Curiosamente, no dia que a Jasmim fez seis meses publiquei um texto que falava das coisas que, tendo muitos filhos não lhes podíamos proporcionar. Falava de lhes dar irmãos e uma família cheia e que isso era preferível a tantas outras coisas como, por exemplo, ir à Disney.

Enfim, curiosidade à parte, o Lucas faz seis meses no dia que aproveito para partilhar a nossa viagem, a nossa primeira viagem em família, que se proporcionou por causa das pinturas do Francisco terem uma exposição em Paris.

Foi uma viagem espectacular e fico feliz por termos conseguido oferecer esta experiência aos nossos filhos (e a nós também – eu não andava de avião desde 2003…)

Se valeu? Valeu! Se soube bem? Soube lindamente. Se nos enriqueceu viajar em família? Muito! Se foi divertido ? Foi um máximo! Se somos mais felizes por termos feito esta viagem? Não. Claro que não.

A felicidade vem de outras coisas.

Hoje o Lucas faz seis meses.

E já é segunda feira outra vez

Demorámos muitos anos  a perceber o nosso ritmo de fim de semana ideal. Sobretudo demorámos muito tempo a aceitar que, ao Sábado não conseguimos sair cedo pela manhã. Assumir esta incompatibilidade foi meio caminho para a felicidade.
Na verdade  querer apressar o ritmo para não perder o sol nem o ar puro apressando toda a família no primeiro dia de descanso, sem aproveitar um bocado de ronha é meio caminho para o fim de semana nos escorregar das mãos.
Procuramos um equilíbrio que nos permita fazer tudo  sem stress, sem discussões,  e com cinco filhos em idades diferentes. Então, deixámos de acreditar que conseguimos “meter o Rossio na Betesga”. E tirámos um bom peso de cima.  Mas como?
Sexta à noite é dia de deitar tarde, ver filmes, jogar jogos,  jantarada de amigos, o que quer que seja, é noitada para todos.
Sábado de manhã, percebemos com a vida (e com os filhos) que não vale a pena fingir  que vamos conseguir sair de casa cedo. Nem cedo nem tarde, Sábado de manhã é para ficar na ronha bem merecida e contrariar o “vai-te vestir” “despacha-te estamos com pressa” que temos na correria dos dias.  Sábado de manhã cada um faz o que quer. Eu trato das panquecas Eles tratam do que quiserem.
Sábado à tarde (abolimos as sestas) aí sim já é hora de sair sem ter hora para voltar. Praia, piquenique, festas de anos. Passear, almoçar, visitar os avós, os tios ou os primos. Ir ao cinema, ao parque ou ao futebol. O dia ainda é longo -sobretudo sabendo que não há horas para voltar.
Outra descoberta, para que a semana não comece  logo aos trambolhões é, ao Domingo, fazer EXACTAMENTE ao contrário de Sábado: sair cedo (ou cedo qb para um dia bem aproveitado) e voltar a casa cedo. Com tempo para ter tempo de organizar a semana que  vai começar, fazer trabalhos, catar piolhos e arrumar a casa, estudar, preparar a pizza e dar banhos, organizar mochilas, (tentar) deitar  cedo e já é segunda-feira outra vez.
Com o tempo e com os filhos, percebemos que é tudo sobre desacelarar e aproveitar o que o fim de semana de (apenas) dois dias pode oferecer. Começar tarde o sábado de rua e acabar cedo o domingo de rua. Isto porque, para nós, aproveitar a casa sem pressa é tão importante como aproveitar o sol depressa.
E vocês? Qual é o vosso ritmo de fim de semana?

 

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