um blog sobre tudo feito por alguém que não sabe nada

De semana em semana afino a situação

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Ando a tentar cumprir meu o plano anual de não ter plano.  De semana em semana penso como poderei ter uns dias mais simples mas ao mesmo tempo mais cheios. Percebi que a inércia faz-me mal. Sou mais feliz com mil afazeres, multitasking e uma lista grande  e ambiciosa de “to-do´s ” semanais. E, embora adore um belo serão deitada no sofá a ver séries (e agora com Netflix oferecido pelo meu pai, andamos viciados a ver  Stranger things – tão boa!!!) gosto de alternar estes serões com uma noite de costura, de jantares de amigos, de copos ou de tricot.
Comecei  a perceber que não tenho feito muito três coisas que sempre me deram muito gosto: correr, costurar e escrever aqui. Farta de desculpas que isto e que aquilo, resolvi pôr mãos à obra. Não posso pensar que é um compromisso, fico logo arrepiada, não me dou bem com compromissos nem obrigações, sinto-me claustrofóbica. Mas, se olhar para estas  coisas como os meus hobbies penso ” o que é que estou a fazer deitada no sofá ou a dormir mais meia hora de manhã?!
E, na verdade, pode parecer estranho, mas tenho mesmo um prazer gigante em ver as minhas tarefas cumpridas.
Em Dezembro, comprei uma flanela enorme para, com a minha cunhada Carmo fazermos umas roupas para os primos vestirem no Natal. Ela, impecável, fez uns macacões para as meninas e uns calções para o mais novo. Passámos o ano e o meu tecido ali continuava, direitinho como saiu da Retrosaria.
Comecei a pensar o que poderia fazer com aquela flanela bonita. As meninas já não gostam muito de vestir vestidos. Os rapazes usam pouco camisas . Na verdade, o que eles precisam mesmo é de camisolas, calças de fato treino e…. pijamas quentinhos! É isso!!! quem não quer um pijama de flanela portuguesa feito pela mãe?! Bem sei que, se fosse à Primark compraria um por menos de 10€. Mas não é esse mesmo o desafio? Tentar não comprar aquilo que foi, provavelmente, fabricado por mãos de crianças ou adultos explorados?? Não podemos esquecer tudo o que está por detrás desses pijamas. Nunca. Nem mesmo quando não temos alternativa e temos de os comprar temos de ter presente e estar conscientes do que  estamos a comprar.
O pijama ficou perfeito (modéstia à parte…) quentinho e confortável como se quer um pijama. Agora… tenho os outros três a quererem um igual mas, antes tenho um menino a fazer 11 anos e a pedir uma camisola azul e laranja para os anos. Por isso… parece que ainda tenho com que me entreter esta semana…
Alternando entre manhãs de ronha (ronha relativa que Às 7 horas temos de acordar) e manhãs de corrida. Entre noites de costura e noites de sofá sou, tenho a  certeza uma mulher mais feliz. Porque às vezes pensamos pouco naquilo que nos dá prazer e muito no tempo que precisamos de descansar ou trabalhar.
E por aqui… preciso da vossa ajuda! Ando sem ideias sobre temas para escrever, sinto que é tudo  repetitivo e às vezes é só isso que me faz não escrever.
Podem dar-me sugestões?
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2018 ou sobre cuidar

 

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foto @luvalles

 

Tenho feito muitas coisas, parado pouco e pensado menos.
Pela primeira vez em muitos anos não parei para fazer promessas, projectos, balanços nem retrospectivas. 

Deixei o ano terminar e outro começar, devagar e com poucas expectativas. Na verdade cansei-me de dizer que não tenho tempo, que as coisas não têm estado fáceis, que agora é que vai ser. Ainda não percebi se tenho tido pouco tempo, se ando mais desorganizada ou se, simplesmente não me apetece.
2016 foi um ano muito mau. Adorei vê-lo pelas costas. 2017 vinha previsto com um grande ano. E foi. Mas tão diferente do que eu previ. Porque os imprevistos não se planeiam nem se desejam quando um ano começa. Então fiquei a pensar que este ano não me apetece fazer planos dia 1 de Janeiro que sei que não vou cumprir.
Quero fazê-los ao sabor do tempo, de semana em semana,  de mês em mês. Apetecia-me prometer que vou correr mais, escrever mais aqui, ler mais, costurar mais. Contar mais histórias aos meus filhos. Mas não me apetece planear nada com um prazo de um ano. Quero fazê-lo devagar e sem pressões.
Então 2018 traz apenas um objectivo: CUIDAR. De mim, dos meus, dos outros e do planeta.
E ter neste cuidar toda a minha vida.

Tradições de Natal

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Se há coisa que gosto neste mês de Dezembro é ter tradições que se repetem e que criam em nós memórias aconchegantes do mês do Natal. Felizmente, tenho várias lá em casa.

Desde enfeitar toda a casa no dia 1 ao som de canções natalícias, fazer pelo mês fora broas de mel e  bolachinhas.  Enfeitar e enviar pelo correio postais de Natal aos amigos. Escolher um dia frio e sem chuva para dar um passeio a pé à  noite pela cidade, ver as luzes de Natal  e do cheiro do Inverno pelas ruas enfeitadas. Escrevi sobre o nosso Natal na revista deste mês “Parentalidade Positiva” dêem uma espreitada  aqui.

Mas claro que, com o Natal a chegar há uma coisa que nunca pode faltar na nossa mesa. As lérias da minha mãe. A minha mãe herdou da sua mãe (minha avó, portanto)  a arte de bem cozinhar e, para além disso é também uma excelente doceira e  faz uns doces, pequenos, simples e requintados aos quais se dá o nome de “Lérias”. Este doce consiste, nada mais nada menos do que num delicioso doce de ovos – daqueles que já ninguém faz- fino e cremoso dentro de uma meia lua de folha de obreia (mais conhecida por folha de hóstia).

Felizmente que, desde há uns anos que não somos a única família a poder usufruir de tal iguaria, pois depois de muitos anos a  deliciarmo-nos com as lérias na nossa família,  concordámos que seria egoísta da nossa parte guardar este doce só para nós. Por isso, já a alguns anos que a minha mãe as vende – nalgumas lojas e também mediante encomenda. (!!!)

 A minha mãe tem o mesmo nome do que eu pelo que, às vezes há  quem pense que quem faz este doce sou eu. Mas não (embora  conte aprendê-lo bem depressa).
De ano para ano o sucesso tem vindo a aumentar  pois para além de serem uma delícia ficam lindas e apetitosas em qualquer mesa. E claro, ainda melhor na mesa de Natal.
Para encomendas e mais informações, espreitem aqui .

8 anos Ben

Não vamos esquecer 


Não podemos esquecer. Não vamos esquecer o que se passou no dia 15 de Outubro de 2017.

Ninguém que viveu o terror do fogo se vai esquecer daquela noite. E nós? Poderão as nossas vidas seguir em frente? Ficou o nosso dia-a-dia abalado por ter ardido Portugal? 

Queremos que não chegue o dia em que, passada a voracidade das notícias, a intensidade das redes sociais, o impacto do choque, o país se esqueça daquele dia.” Daquelas pessoas. Queremos que a solidariedade que se tem sentido neste mês que passou (já? só?) se mantenha até à última árvore re-plantada. Até à última telha da última casa. Até termos a certeza que, por ali, já se consegue dormir. 

“Temos medo que qualquer dia se esqueçam de nós.” 

Então temos andado, desde esse dia a tentar perceber o que fazer para ajudar à reconstrução da vida das pessoas que tanto, ou tudo, perderam. Traçar um caminho. 

Não tem sido fácil, perceber como ajudar. Porque há umas coisas para já. Outras para ontem. Coisas que têm de esperar. Há umas para empresas. Outras para o governo. Outras ainda para particulares. Há o que já não é preciso. E há o que é mais difícil.

Depois há as dúvidas. Por onde ir? Por onde começar? O que fazer? Porque todos sabemos que ninguém se quer esquecer. 
Depois de lá ter passado uns dias, como psicóloga voluntária acompanhada por outras voluntárias, regressámos com algumas ideias e, embora pense que não seja nada de novo, vou partilhar:

Surgiu-nos que, uma forma eficaz de contribuir e de estar activamente envolvidos seria centralizar as ajudas e esforços numa freguesia. Organizar um grupo de trabalho articulado directamente com o Presidente de Junta e criar relações próximas com os habitantes. Com foco nas necessidades concretas. Pessoa a pessoa. Tornar regulares as visitas ao local. Criar um compromisso com cada um. Comprometermos-nos a não esquecer delas. Nem daquela noite. Nem do que perderam. E muito menos de que passaram naquele dia. 

Então, por ter sido a freguesia onde estivemos, criámos um grupo de trabalho Não vamos esquecer direccionado para duas pequenas aldeias, Covas e Vila Nova de Oliveirinha que pertencem à mesma união de freguesias.

Começámos por ser um grupo de 6 voluntárias de áreas diferentes. De lá para cá, a nós juntaram-se a Ajuda-me a Ajudar, as Gaivotas da Torre, o Slower e a 9 Creative Shop. A conta solidária foi criada pelas Gaivotas da Torre, associação de solidariedade de utilidade pública, onde trabalho. 
Em permanente articulação com o Presidente desta Junta e seus habitantes vamos canalizar as ajudas que conseguirmos para coisas concretas. Na página Não Vamos Esquecer, iremos actualizar as necessidades de cada semana, materiais ou humanas. Vamos mostrar o que está a ser feito e o que vamos conseguindo. Vamos mostrar as relações de contas: donativos e gastos. E, até vermos estas aldeias serem erguidas das cinzas, não vamos baixar os braços.

Gostava de convidar todos os leitores a seguirem a página Não vamos esquecer. Esperamos contar com a ajuda de todos para reconstruir estas aldeias. E qualquer assunto que queiram saber ou esclarecer, mandem mensagem.

Só para dar uma ideia do que se passa por estas aldeias, das perdas e dos nossos objectivos para as próximas semanas, faço aqui um curto resumo, que será actualizado na página Não Vamos Esquecer:

– Foi feito o levantamento das casas de primeira habitação que arderam nestas duas freguesias: 39 é o número final. Está neste momento a quantificar-se o custo de reconstrução para posterior decisão conjunta entre CCDRC, Câmara Municipal de Tábua e proprietários com vista à respectiva reconstrução. 

– No levantamento dos barracões perdidos, onde a maioria tinha o seu sustento (gado, aves, rações, alfaias agrícolas, ferramentas, máquinas, lenha) o número sobe para 70, com uma média calculada em 40m2 de área coberta. 

– Existia também, nestes barracões um número incalculável de bens. A vida, o alimento destas famílias: as batatas, o azeite (e as azeitonas para o fazer), o vinho, as cebolas, as arcas onde armazenam isto e aquilo. Tudo. Toda uma vida auto-sustentável levada pelas chamas.

– As hortas, as árvores de fruto, as oliveiras. A lenha para o Inverno.

Podia continuar a enumerar tudo e falar, caso a caso, das perdas brutais de cada um. De tudo o mais que o fogo levou, mas seria uma longa tarefa.

Temos alguns grandes objectivos, para já a curto prazo e é sobre esses que vos quero falar:

– Reconstruir os 70 barracões ardidos. Já temos o levantamento para o muito material de construção necessário.

– Equipar os barracões com as máquinas perdidas, essenciais para o sustento destas famílias – tractores, motoserras, tanques para guardar o leite e ferramentas agrícolas.

– Fornecer sementes para poderem voltar a ter as suas hortas e as suas árvores.

– Proporcionar um Natal confortável para estas famílias. Então, para lhes dar algum alento, queremos oferecer um cabaz (com bacalhau, azeite, vinho, batatas, ovos, couves, cebolas, grão, leite e bolo rei) a cada das 100 famílias de Covas.

Para tudo isto, contamos convosco. Nem que seja apenas para partilharem. 

Obrigada por terem lido até ao fim,

Maria
· Conta Solidária Não Vamos Esquecer · PT50.0033.0000.00048400701.18 ·