1 mês

É difícil descrever o primeiro mês com um novo filho em casa. Tudo parece irreal, uma mistura de viver num sonho com injeções de amor e de oxitocina com alguns medos e o sentido da vida posto em perspectiva. De querer por os pés na terra mas ainda não ser capaz. De querer fazer “vida normal” e ao mesmo tempo não querer sair deste estado. O embrulhanço já falado.

Gerar uma vida não é banal. Nem ao primeiro, nem ao quinto, nem o será certamente ao décimo. E por isso, tudo no mundo passa para segundo plano. Por isso não tenho escrito por aqui. Por isso não me apetece muito ir a jantaradas. Por isso não faço tantas coisas como fazia. E se calhar tenho de comprar biscoitos. E cereais. E por isso isto e por isso aquilo. E que se lixe.

Demorou até conseguir perceber que apesar de já ter passado de um mês não temos de fazer vida “normal”.

Tem sido dos melhores meses da nossa vida. E não há privação de sono que me faça hesitar um minuto ao dizer isto.

Agora, devagar, começo a deixar o mundo entrar de volta em mim. Sem pressa. Porque viver devagar também é isto. Só estar. Curtir. E estamos assim os sete a dar uso ao nome do livro que escrevemos. Enquanto a vida toda entra em nós, também devagarinho.

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Embrulhados (ou o 4.º trimestre de gravidez)

Enquanto o meu corpo se habitua a desengravidar o meu coração “habitua-se “ a cuidar e a amar um novo filho (entre aspas porque isto de amar nunca causa habituação).

A probabilidade de ser a última vez que vivo estes momentos faz me, ainda mais, apetecer congelar cada minuto, cada beijo, cada cheiro, cada choro.

Hoje o Lucas faz 15 dias e ainda nunca dormiu na sua cama e raramente sai do meu (nosso) colo. Li um dia que, algures no mundo – penso que em determinada região do Japão – durante todo o primeiro mês de vida, bebé e mãe ficam embrulhados juntos – literalmente. A mãe recupera, o bebé adora. Ele mama, ela mima. Ponto.

E, de facto, sinto que não apenas o primeiro mas os três primeiros meses da vida de um bebé são, na verdade, um prolongamento da gravidez. Eles já não cabem dentro de nós, por isso continuam a gestação no nosso colo. Mas, nem eles estão preparados para estar longe das mães. Nem as mães preparadas para estar longe deles. É amor mas é ainda mais. É físico. E químico.

Numa família de sete nada disto muda – tirando que a mãe partilha o colo do bebé com os outros filhos crescidos e que o bebé partilha o colo da mãe com os outros filhos. Mas, na verdade estamos todos “embrulhados” neste bebé. E aquilo que mais sentimos nestes quinze dias foi que a quantidade de amor é mais do directamente proporcional à quantidade de pessoas embrulhadas ao bebé . É uma relação de grandeza que não existe na matemática. Só existe dentro de nós.

A festa e os vestidos

Vou confessar que estou desde sábado à noite a abrir e a fechar as “notas” do meu telefone continuando a deixar em branco a tentativa de escrever este post.

Na verdade são muitos anos e muitos filhos, muitas festas e muitas tradições ( e muitos vestidos) .

A gravidez e a alergia – e também a alegria da gravidez – está a dar cabo da minha capacidade para escrever qualquer coisa de jeito. Desculpem queridos leitores, estou muito lenta, passiva e preguiçosa, alérgica e ranhosa . Mas tudo há de voltar ao normal.

A Luz fez sete (sete!!?!!) anos . Crescida, desdentada e cada dia que passa mais querida.

Escolheu tudo para a sua festa, o tecido do vestido, o presente, o bolo – lá se foi a tradição das flores pois preferiu morangos e framboesas “assim podemos comer tudo !”.

Ajudou-nos em todos os preparativos e, de manhã, quando lhe mostrei como tinham ficado os vestidos agarrou-se a mim como um koala e disse “ Está lindo!! Adoro-te mamã”. Eu, que às vezes tenho dúvidas se estas tradições que invento valem a pena, nestes momentos tenho a certeza que sim. Vale mesmo a pena (e de facto os vestidos ficaram mesmo giros, modéstia à parte).

Podia não ter escolhido este caminho – mais cansativo, embora mais divertido – de fazer tudo tudo tudo quando eles fazem anos, tenho a certeza que eles não seriam menos felizes por isso. Mas é um investimento que fazemos. Do presente para sempre . É uma coisa muito nossa e que tenho a certeza que eles nunca se vão esquecer.

Fazer o bolo, fazer os pães, fazer a roupa, fazer isto, fazer aquilo. Uma quase-directa nas vésperas, a cozinha a cheirar a padaria e a sala cheia de fiozinhos e alfinetes por todo o lado.

Quando acaba uma semana de festa fico de ressaca, sinto que tenho tempo para tudo e até fico sem saber o que fazer. A mesma sensação que tinha quando acabava a época de exames. Todo um novo mundo que se abre. E muito mais tempo para ler..

E agora é até Outubro para os anos da Jasmim (mas para o ano temos festa também em Setembro!!! ai… que eu nem consigo imaginar que vou ter um bebé nos braços … )

❤️❤️❤️

Festa dos Maios

A Quinta do Pisão é, por si só, um sítio lindo para fazer piqueniques, ver burros ovelhas e cabras, comprar legumes biológicos ou simplesmente dar um belo passeio na natureza.

A festa dos Maios – que aconteceu no fim de semana que passou e que volta no próximo com outras actividades diferentes torna a quinta do pisão ainda mais apetecível.

Nunca tinha ido mas percebi que a ideia desta festa é trazer para os dias de hoje tradições rurais e saloias numa enorme diversidade de actividades, workshops e demonstrações. Desde óleos essenciais e cerveja artesanal, passeios de charrete, olarias, demonstrações de falcoaria, a escolha não tem fim .

Fui especificamente a um workshop que há muito tempo que queria fazer, sobre lã e tecelagem.

Com a Rosa aprendi a transformar a lã acabada de tosquiar em fio para tricotar. Na verdade não me dei nada bem com o fuso e estive constantemente a partir o fio mas depois tentei a roda e a coisa correu bem melhor!! Um dia que me queiram oferecer um presente já sabem! Quem me conhece sabe que sou viciada em fazer e aprender a fazer (até à matéria prima mais prima) um dia que tenha uma coisa destas em casa só me fica a faltar uma ovelha no jardim.

Enquanto eu andava de roda da roda da Rosa, já a Luz andava de roda do tear da Vânia . Foi amor à primeira vista de tal forma que… já sabe o que quer nos anos (que são já na quinta feira!) E é bem mais prendada que eu, apanhou-lhe o jeito à primeira…

Foi uma tarde das boas e daquelas mesmo bem aproveitadas. Um programa de uma só filha que tanto faz falta e de que tanto estávamos as duas a precisar. Ainda andámos de charrete, de burro e… nem acreditam: tudo isto se passava com burros bebés mesmo ao nosso lado… e que pelo macio eles têm!

No próximo fim de semana a programação continua, e eu cheia de pena de não poder ir a nenhum dos dias. Quem quiser um bom programa de primavera vá até à quinta do pisão. Vejam a programação e escolham o programa que mais gostam ou… vão só passear!