Please, turn off the lights

Já não estamos (estou) habituada a fazer programas e não ter fotografias que guardem, partilhem, recordem esses momentos. Podia ficar aqui a enumerar tanta coisa negativa nesta nova modernice. Sei bem quais são. Tento que não o sejam. Vejo a parte positiva da coisa e… vou fazendo aquilo que me faz sentido. Sem excessos (embora com algum vicio, confesso). Enfim. Nem tudo o que faço e fotografo partilho – de todo! – e, às vezes tenho momentos tão bons e tão bonitos e guardo-os só para nós (e o que seria se assim não fosse!)
Hesitei fazer este post porque, de quase nada do que vou falar tenho fotografias e não estou habituada a escrever sem fotografias. 
O fim de semana foi de chuva, mais invernoso que a maioria dos fins de semana do Inverno que passou. É pena, gosto da chuva e do frio quando são precisos e não fora de horas (pobre morangos da nossa horta que tanto têm sofrido  com o granizo, a chuva e os ventos!) 

Na quinta feira fui ao teatro. E que excelente peça que fui ver. Saí de lá divertida e bem disposta, mesmo contente por ter assistido a uma peça de uma companhia  de teatro que, embora pequena, é enorme. 

Na sexta o temporal estava perfeito para jantar em casa de amigos. Bom jantar, bom vinho e boa conversa (pizzas para as crianças!) nada que mais aqueça numa sexta feira de chuva. 

Sábado à noite, à última da hora – é o que dá não ver notícias e andar a leste – soubemos que era a “hora da terra“. A hora já estava quase a acabar, mas aproveitámos a deixa e fizemos nessa noite tudo sem electricidade nem telemóveis.. nada (só o aquecedor a gás se manteve ligado… fraquejamos neste pequeno grande conforto!) Nada em nossa casa foi ligado nessa noite. Jantámos à luz de velas, os miúdos foram ler para a cama de velinha na mão etc. Foi fantástico. Não sei explicar mas senti um descanso inacreditável. De facto há coisas tão simples que podem ser tão boas e ao mesmo tempo tão divertidas e que nos fazem abrandar o ritmo e a cabeça. Estamos  mesmo a pensar  fazer todas as semanas a nossa própria “noite da terra”. Incrível mesmo… 

Um concerto em Montemor – que nos levaria a conhecer este bocadinho de Alentejo –  há muito planeado e marcado para o  nosso domingo ficou suspenso, devido ao tempo e às constipações – para grande pena nossa. Acabou por ser um dia em casa  (mais um dia) para descansar, preparar as costuras da semana, estudos, musicas,  desenhos e muitas muitas brincadeiras. 

Para terminar, a mudança da hora – que tanto gosto embora nos mate de sono nos primeiros dias – levou-me a fazer um lanche praticamente à hora do jantar. A receita deliciosa é saudável deste livro que tanto uso dou!

(E enquanto escrevo este post, ninguém se deixa dormir nesta casa! Amanhã estou para ver como será a nossa manhã, já tão difícil de segunda feira…)

Boa semana de Primavera, hora de Verão e tempo de Inverno para todos os nosso leitores!

Faz (aTua) Parte


Não era a praia que tínhamos planeado limpar, mas a Meia-maratona de Lisboa alterou-nos os planos. Os planos não, mas sim o destino do plano.

Só que a motivação era muita pelo que, nem o facto de estarmos na única praia do país que não tinha sol nos demoveu. 

Quando chegamos, pareceu-nos que a praia estava limpa, mas  mal começamos a   limpar percebemos que não era bem assim: Num instante enchemos vários  sacos com porcaria: Latas, pacotes, detergentes, cotonetes (?), redes plásticas, sacos etc.

A ideia não é inovadora e, felizmente, já existem imensos grupos a limpar praias, serras e florestas. Já estive inscrita como voluntária neste grupo  mas, por uma razão ou por outra (normalmente de logística) acabei por não me juntar a eles. Se tudo correr bem, será este ano que me vou estrear.

Mas, até lá não queria estar parada pelo que, juntamente com um grupo de amigos (que anda empenhado em ajudar o ambiente e focado em mudar um pouco de atitude perante o nosso querido planeta) combinámos pegar em nós e ir limpar a praia. 

Os objectivos eram vários: 

-Ter noção do lixo acumulado durante o inverno, trazido pelo mar (e não só).

 -Passar a mensagem aos nossos filhos, como forma de tomarem consciência de um problema, grave, totalmente provocado por nós e que apenas nós o poderemos resolver (e que sensibilizados ficam eles com tudo isto!)

-Motivar para a organização de outras acções deste género, noutros sítios ou participação em grupos locais organizados deste género.

 -Deixar a praia e o mar, um bocadinho mais limpos.

Correu tão  bem  que vamos continuar a fazer o mesmo, noutras praias, bosques ou florestas. Já temos um nome, já somos uns quantos e a motivação é gigante. 

 Adorávamos que alguns de vocês se juntassem a nós, tornarmos isto uma coisa regular e cada vez sermos mais para limpar cada vez mais! Quem alinha? Quem quer limpar o mundo connosco?

Prometo um piquenique partilhado no final, bem apetitoso e divertido, com sabor a dever cumprido!
 

A Técnica do Rectângulo 

Foram precisos 6 anos a costurar para perceber que é possivel fazer roupa sem  precisar de moldes.
Aproveito para confessar que, é a minha maior falha na costura – e dizem os profissionais que é a parte mais importante – o corte dos tecidos.
Sou a verdadeira azelha, não sei o que têm os meus dedos que teimam em não conseguir manusear uma tesoura (e muito menos um cortador de tecidos) de forma firme e direita.
Enfim, felizmente tenho a ajuda do Francisco que acaba sempre por ficar com esta tarefa. Mas, apesar disso sabe-me bem poder pegar num bocado de tecido e transformá-lo em roupa de forma rápida sem ajudas, sem trapalhices e, sobretudo sem moldes nem instruções.
Foi então que decidi, em noite mais cansada e sem o meu marido-ajudante por perto, inventar a “Técnica do Rectângulo”. A técnica não é inventada por mim, certamente, mas resolvi dar-lhe este nome porque, na verdade trata-se de fazer um rectângulo e, com elásticos, baínhas e as medidas adequadas dar-lhes a forma desejada. (Maria, a estilista).
Com a ténica do rectângulo fiz estas saias para as meninas na semana passada (que vou continuar a fazer, dado o sucesso que tiveram junto das suas donas!)
Com a técnica do rectângulo  fiz uma touca para a mais nova lá de casa, que fica um amor  (e pode ser que ajude a não apanhar piolhos outra vez…)
Com a técnica do rectângulo fiz uma saia para mim:
 Depois de perceber que os meus filhos andam muitas vezes vestidos com roupa que  lhes faço e que,  para mim, tenho apenas uma mísera gola feita de tricot há uns anos atrás, achei que estava na altura de tratar do meu armário. Tenho a sorte de ter uma amiga (obrigada Cláudia!) que me deu uma série de moldes de roupa para adulto, mas só de olhar para a quantidade de peças que terei de cortar, optei  começar por fazer uma saia estilo marroquino (foi assim que disseram quando cheguei hoje ao trabalho).
Com um tecido de cetim azul, oferecido pela minha vizinha (Obrigada Margarida!), um elástico grosso e um  metro de uma fita grega que tinha lá por casa, fiz uma saia (inspirada numas colchas que tinha no meu quarto nos anos 80 – lembram-se Mana e Mãe?).
Não faço ideia como cai esta saia esteticamente, não me parece perfeita nem com um bom “corte” mas lá que me sinto confortável e ao meu estilo, isso sinto.
 Foi, sem dúvida uma boa peça para dar o mote da colecção Primavera/ Verão que conto fazer para mim própria! Pois isto de trazer vestido a  roupa que se fez de véspera tem um gosto que eu nem vos digo nada!

Venha lá a Primavera!


Andava eu a tricotar uma bonita camisola para os rapazes – e a lamentar o facto de não ter tricotado nada este ano – quando este calor repentino me fez sentir uma ligeira irritação por só agora, que já não é preciso, ter pegado nas agulhas. Só que estava-me a saber tão bem tricotar depois de tamanha abstinência que pensei: nem que fiquem para o ano. E continuei a fazê-las.

Mas, poucos dias depois de as ter começado, cheguei a casa e o Zappa tinha destruído toda a minha vontade de regressar ao tricot, roendo o meu inicio de camisola. “Tudo bem Zappa, já percebi, querias me dizer que já não estamos em altura de fazer camisolas de lã. Ok…. Escusavas de ter destruído também as minhas agulhas preferidas!”

Foi então que, para controlar a vontade que tinha de espancar o meu querido Zappinha, me lembrei que as meninas estão com falta de saias – ainda para mais agora, que chega (ou chegava, ou que lá o que é) o calor. Fui então escolher um tecido para as saias: a minha parte preferida do processo de fazer roupa é, sem duvida, escolher o tecido. Quando vi este, das joaninhas, tive dúvidas se seria mesmo giro ou seria um padrão mais usado para forrar gavetas nos anos 80. Fiquei na dúvida mas, assim que pensei o quanto a minha filha Luz da Primavera ia gostar deste tecido, não hesitei. Então, entre milhares de tecidos todos lindos, com tons da moda e padrões em voga, resolvi escolher as joaninhas. 

Se disser que fiz as duas saias em meia hora não estou a exagerar – ou talvez esteja, mas para mais. São mesmo simples e rápidas. Não há molde, não há nada. 

Simplesmente cortei um rectângulo da largura do comprimento do tecido inteiro (1,50m) e da altura desejada. Bainha e um elástico forte na cintura. O que dá o ar “rodado” é o facto de ter tanto tecido para franzir. 

Elas, claro, amaram. E eu também. Por isso, agora que tenho as agulhas de tricot arrumadas de vez (literalmente!), venham mais saias para a primavera! E já agora mais primavera para usar saias também!

Ao fim do dia


O facto de não ligarmos a televisão ao dia de semana é um dos principais privilégios que tenho no meu dia-a-dia. 

Ok, eu sei que dá jeito porque isto é porque aquilo. Mas, cá para mim, dá-me mesmo muito mais jeito ter a televisão desligada. Cansa-me o ruído (de som e de imagem) da televisão e cansa-me vê-los a ver televisão. Há uns dias perguntou-me o Jacinto se podíamos ligar a televisão mesmo sem ser  fim de semana, como fazem alguns amigos. Disse que não tinha nada para fazer e com a televisão sempre se entretinha. 

Passado 5 minutos foi jogar futebol para o jardim. Passados outros tantos organizou uma escola para ensinar a Luz a ler (foi assim que o Benjamim aprendeu). Antes do banho jogaram um jogo de tabuleiro. À noite fartou-se de ler, mas antes jogaram um jogo de cartas (de seu nome olho-do-cu – que a única graça que tem é mesmo o nome).

Mas às vezes, de facto, não têm nada para fazer – o que não se passa em frente à televisão – acham eles. E, então bulham mais, desarrumam mais e, sem dúvida que me chateiam mais. Mas, ainda assim prefiro tudo isso e a televisão desligada. Mas isso sou eu. E sempre assim foi, ainda muito antes de eles nascerem. Por isso é tão simples e tão banal cá por casa. Nem eu imagino os dias de outra forma. Também sabem que, ao fim de semana é altura de quebrar regras e aí sim, podem ver televisão, embora se esqueçam dela, muitas vezes. Porque na verdade há coisas muito mais divertidas para fazer ao fim de semana. 

Bem sei que este post não traz nada de novo. Mas às vezes penso nisto. Olho para eles a ajudarem me a cozinhar, a brincarem uns com os outros a bulharem uns com os outros. A conversar, a jogar, a saltar e a cantar. E penso: sou mesmo uma sortuda!