Fraldas reutilizáveis

0-10-20

Prometi há dias falar (e fazer um video) sobre as fraldas reutilizáveis.

Acontece que há tanto para dizer, e tantas perguntas por responder que – depois de várias tentativas fracassadas e videos longuíssimos, optei por  escrever. Na verdade estou bem mais confortável a escrever do que em frente à câmara.

É um tema que dá pano para mangas as fraldas reutilizáveis.  Será que compensa o investimento? Que impacto tem na pegada ecológica? Como se lava? etc

Não sou especialista nestas fraldas… de todo e por isso estou só a falar daquilo que é a minha experiência pessoal. Mas a Bambino Mio desafiou-me então eu vou tentar.

É mais fácil fazer isto no esquema “pergunta – resposta”- imaginando as perguntas que vocês fariam. Se tiverem mais perguntas, façam-nas nos comentários deste post ou nas stories do instagram, que eu, se souber, tento responder.

Porquê usar fraldas reutilizáveis?

Cada bebé produz 1 tonelada de resíduos de fraldas descartáveis e cada fralda pode demorar até 500 anos para se decompor. O que é um número perfeitamente assustador. Acho que não é preciso dizer muito mais…

As fraldas reutilizáveis apresentam tecidos super absorventes em vez de géis químicos que podem ser encontrados nas fraldas descartáveis, o que ajuda a evitar possíveis danos à pele do bebé.

É difícil explicar por palavras a sensação de trocar uma fralda e não deitar para o lixo.

Porquê só estás a usar estas fraldas ao quinto filho?

 Porque durante os outros filhos, e apesar de saber que no final é uma poupança, nunca consegui ter dinheiro para o investimento inicial que é preciso para usar estas fraldas.  Podia ter comprados aos pouco, mas na altura não me ocorreu. Quando o Lucas nasceu, tive uma querida seguidora que, ao desfraldar o seu bebé mais novo, me ofereceu um grande conjunto destas fraldas.

E achas que compensa financeiramente?

Acho, é uma questão de fazer as contas. Mas a minha resposta é SIM, compensa. Claro que estamos a falar de gastar muito dinheiro de uma vez só mas, ao fim de meio ano já está a compensar. Estamos a falar de um investimento inicial de cerca de 300€ (talvez mais… O ideal será utilizá-las para outros filhos, sobrinhos, amigos. E atenção! só desta forma podemos dar sentido ao ecológico destas fraldas.

 E qual o impacto ambiental destas fraldas?

Esta questão é muito pertinente (hahahah- parece mesmo que estou a ser entrevistada) as fraldas têm de ser lavadas e  vai haver mais carga na máquina por causa das fraldas. Mas, claro, mas como em tudo é importante sermos sensatos: não vamos lavar uma máquina só com três fraldas. Quando fazemos uma máquina, acrescentamos três ou quatro fraldas. Cá em casa, por questões óbvias já faço bastantes máquinas por isso vou acrescentando as fraldas, não sinto que tenha aumentado as máquinas de roupa que faço semanalmente. Claro que se todos os dias fizermos máquinas só com fraldas estamos a ser contraproducentes.

Quantas fraldas são precisas?

Depende do número de fraldas que o bebé usa por dia e da quantidade de máquinas que se faz.. Eu ainda não uso SÓ fraldas reutilizáveis, por isso quando não consigo ter as fraldas lavadas e secas a horas uso das descartáveis.  Com a chuva é super complicado elas secarem pois demoram bastante tempo a secar.. Não consigo dizer-vos esse número mas podem sempre começar por ter 4 e depois ir comprando aos poucos  e ficam com uma ideia mais real da necessidade.

Que fraldas recomendas?

Aqui, vou ser muito sincera – estou mesmo rendida às miosolo tudo em um   – um dos tipos de fraldas  da marca bambino mio que é tudo em um! As que eu tinha antes desta – o paninho de algodão e a “cueca” à parte muitas vezes me levava à preguiça de colocar, de levar para fora e de mandar para a escola. Mas isso sou eu, sei de muitas pessoas que preferem as fraldas com o absorvente em separado. Talvez o ideal seja ter metade de cada uma!

E absorvem bem?

Absorvem mesmo bem, muitas vezes mais do que as descartáveis parece que não “incham” tanto.  Relativamente ao cheiro a xixi, sei que é uma questão mas também não sinto mais do que uma fralda descartável…

E o cocó?

O cocó também não é um problema (para mim).  Existem uns liners  – completamente biodegradáveis – que se pode por na fralda para não estar em contacto directo com a fralda. Mais simples, mas ainda assim é opcional.  Tenho um rolo desses sempre no muda fraldas, mas quase sempre me esqueço de pôr.  Depois é só deitar retrete abaixo e lavar a fralda normalmente. Caso contrário, cocó retrete abaixo e  uma chuveirada na fraldas e fica o problema resolvido.

Agora para evitar as minhas tristes figuras a fazer videos explicativos deixo-vos aqui um video destas fraldas reutilizáveis tudo em um que agora ando a usar !

E não se esqueçam, se acharem que posso responder  a mais alguma pergunta digam!

Cinco filhos – parte 2

O fim da tarde aos dias de semana traz também consigo uma rotina, embora muitas vezes seja quebrada – ao contrário das manhãs onde a rotina só é quebrada quando adormecemos.

Sempre tivemos a  sorte (não sei bem se é sorte)  de chegar os dois cedo a casa. E sempre valorizei muito  (mesmo muito) o facto de conseguirmos reunir TODOS em casa  por volta das 17.30.

Vamos buscar os meninos à escola por volta das 17, primeiro os mais pequenos – Jasmim e Lucas que andam na creche e logo de seguida a Luz e o Benjamim que andam na primária. Felizmente as duas escolas são perto uma da outra. O Jacinto, já é o terceiro ano que vai e vem a pé da escola – e isso é uma grande qualidade de vida para ele e para todos! Por isso, quando chegamos  com os  outros 4, já o Jacinto está em casa.

Neste momento eles não têm nenhuma actividade extra escola. Normalmente, se eles quiserem fazer alguma actividade deixamos para o segundo ou terceiro período. E eles gostam disso. O primeiro período é um tempo de adaptação ao novo ano lectivo, de mudanças e também de dias curtos  e frios. Somos os 7 muito caseiros e adoramos o fim da tarde no conforto da nossa casa.

Apesar de tudo, o fim da tarde é curto para tudo o que queremos \ temos de fazer. A casa que está arrumada fica desarrumada em mais ou menos um minuto e meio. Mochilas, casacos, brinquedos espalhados: são cinco a brincar em apenas dois quartos e com coisas muito diferentes. Mas, resumindo e concluindo e embora não haja uma tarde igual à outra, é isto:

Mal chegam a casa vão diretos à cozinha. Gostam de lanchar (provavelmente não almoçam muito na escola e o lanche que mando também não é muito grande) e eu gosto deste momento. Como agora estou mais tempo em casa, muitas vezes preparo um bolo e um chá para um regresso mais quentinho. Lanche despachado cada um vai fazer o que quer. Brincam, fazem trabalhos de casa  e descem e sobem para o jardim ou para casa dos primos  (que moram em baixo). Agora com um bebé em casa, dedico muito tempo a estar sentada no chão e então aproveitamos para construir puzzles e montar legos – que eles adoram. Vou tentando gerir as bulhas e as birras sem ter de me levantar, mas normalmente não consigo estar assim muito tempo na paz a brincar no chão. É uma casa barulhenta e cheia!

Não temos por hábito ligar a televisão a esta hora mas não é uma regra, se por acaso lhes apetece ver qualquer coisa não estou cá para proibir e percebo que lhes apeteça essa ronha e deixo. Basicamente este tempo é deles, fazem o que quiserem!

Por volta das 19 começam os banhos. Durante muito tempo no Inverno só havia banho dia sim dia não mas agora há sempre banho a acontecer. Os rapazes tomam por si já há mais tempo (o Jacinto de manhã). A Luz às vezes sozinha às vezes com os mais pequenos. A Jasmim toma todos os dias pois na sua escola tem um recreio maravilhoso cheio de terra e lama (chega a casa tão suja que raramente conseguimos que não tome banho). O Lucas também acalma muito com o banho e por isso, este ano temos sempre banho.

Enquanto o Francisco dá os banhos eu começo a preparar o jantar. Adoro cozinhar, por isso, apesar de ter uma pessoa que me ajuda umas horas por dia com a casa e roupa, sou sempre eu que cozinho. E cozinho todos os dias.

O nosso jantar está pronto pelas 19.30\20. Jantamos SEMPRE todos juntos e na mesa da sala de jantar com velas acesas e música a tocar. A ementa é feita por mim à sexta- feira e raramente alteramos o que lá está destinado (faço as compras com a ementa já pronta, assim tenho a certeza que não  vai faltar nada). A mesa quem põe são os miúdos : à segunda feira é o Jacinto, à terça-feira o Benjamim, à quarta a Luz. A Jasmim põe à quinta com a nossa ajuda e o Luquinhas, claro, ainda não põe a mesa. 🙂

Adoramos o jantar, temos sempre sopa, salada e fruta. Conversamos muito quando estamos à mesa e na verdade, é quando mais sinto que eles são  muitos cinco, todos querem falar muito, interrompem-se  e falam ao mesmo tempo o que às vezes me leva a dar um ou dois gritos.  Há conversas paralelas e às vezes sinto que não consegui ouvir tudo o que eles queriam contar, e claro, depois de os deitar fico com pena, mas pensando bem acho que eles percebem  e que faz parte de ter muitos manos. Eles adoram estar à mesa (tirando um mais crescido que quer despachar o jantar para ir falar com os amigos pelo whatsapp – help)

Depois do jantar varia muito a nossa rotina. Já tivemos o nosso clube de leitura, às vezes acompanhamos alguma série em família. Ultimamente tem sido um bocadinho sem rotina.  As idades deles começam a fazer alguma diferença por isso muitas vezes não conseguimos encontrar um programa para fazer todos juntos. Há um bebé para deitar, um café para beber, mochilas para preparar e  uma história para contar. Ultimamente têm visto um episódio de alguma série que estão a seguir enquanto um de nós, pais, deita o Lucas. Pelas 21.30 vão os outros 4 para a cama. Uns adormecem quase instantaneamente. Outros ficam a ler, a desenhar ou simplesmente a rebolar na cama. Muitas vezes temos de lá ficar com eles, quase sempre querem mais um beijinho, um copo de água, um boneco ou alguma coisa que se lembram (só para testar os meus nervos?)

E depois o nosso serão… ai  o nosso serão… durante muito tempo era o nosso tempo a dois, para  beber uma cerveja, conversar,  ler, ver um filme ou tricotar.  Agora é esperar até o Lucas acordar a primeira vez e depois a segunda e por aí fora…

Sabemos que não é para sempre, mas se temos saudades de não haver filhos a acordar noite dentro.. ufa se temos!!

 

 

 

 

 

 

Cinco filhos parte 1

É verdade que somos muitos cá em casa, mas apesar de tudo, como fomos crescendo devagarinho – andamos a crescer há mais de 12 anos -fomos criando aos poucos e poucos o nosso caos.

Somos uma familia grande e barulhenta. Organizada em algumas coisas, desorganizada em muitas outras. Se por um lado adoramos a rotina também adoramos fugir dela assim que pudemos. A nossa casa está sempre cheia e imagino que às vezes seja confusa.

Se me perguntassem o que nos define como familia diria rapidamente descomplicados – com tudo o que isso tem de bom e de mau. Não somos ansiosos e não precisamos de grandes comodidades. Escolhemos sempre o lado mais aventureiro e divertido ao lado confortável de uma situação, mesmo que isso às vezes nos dê o dobro do trabalho, apesar de tudo gostamos de regras e da casa arrumada. E eles também.

Vou falar então do nosso dia a dia. Mas atenção: será sempre o dia a dia de uma família adaptada (ou ajustada) às rotinas de um bebé. Tenho a certeza que daqui a um ano ou um mês, já alterámos muita coisa neste dia a dia que vivemos hoje. E acho que isso é maravilhoso.

Para que não fique um post demasiado extenso (uma vez que já está e ainda não disse nada!) vou dividi-lo em três partes. Hoje é a primeira parte e falo sobre as nossas manhãs em dias de escola. Temos sorte porque cá em casa- salvo algumas excepções– temos todos óptimo acordar é isso facilita imenso as manhãs.

Manhãs Round 1

Acordamos pelas 7/ 7.30 (no despertador porque muitas vezes o Lucas já está acordado desde as 6). Os rapazes depois de alguma insistência acordam e vão logo tomar pequeno almoço com o pai: weetabix para um, cereais da força para os outros. Falam de muitas coisas deles, Benfica, Liga da Justiça, Guerra das Estrelas ou ficam em silêncio a acordar devagarinho. O Lucas vai fazendo companhia a todos os que estão na mesa de pequeno almoço – é uma recompensa por saírem da cama!

Manhãs Round 2

As miúdas têm direito a mais um bocadinho de ronha e só tomamos o pequeno almoço quando os rapazes se vão arranjar. Ovos, torradas e café para mim. Pão com mel ou Nutella (eu sei eu sei…) para a Luz. A Jasmim não gosta de repetir o pequeno almoço. Uns dias come iogurte, outros cereais da força, papas de aveia ou weetabix – é toda uma logística o feitio que ela tem ao acordar e, se estiver com mau feitio pode ser a parte mais complicada da nossa manhã.

Manhãs Round 3

Depois, não vou disfarçar, temos a vida facilitada: dos 5, 3 arranjam-se completamente sozinhos por isso, acaba o pequeno almoço vão se vestir, tomar banho (quem toma). Para mim a sanidade matinal vem de não querer meter o bedelho nas escolhas deles. Cada um veste o que quer. Com meias, sem meias. Comprido no verão, curto no inverno. Por nós está tudo bem. Às vezes gostava de os ver arranjados de outra forma ou à minha maneira mas nada compensa uma manhã mais sossegada e não ter chatices nem birras. Feios não ficam. Doentes também não.

Esta fase não demora muito sobretudo agora no Verão, que duas peças de roupa são suficientes. A Jasmim sou eu que arranjo, e só gosta de 3 das 40 coisas que tem no armário. Portanto, veste-lava-repete-evita a birra- veste-lava-repete.

Enquanto uns lavam os dentes e acabam de preparar as mochilas, eu preparo os lanches. Coisas simples, sobretudo nesta fase da vida.

O Jacinto entretanto já saiu, entra às 8.30 e vai a pé para a escola – o que é um óptimo upgrade na nossa rotina – muitas vezes o Francisco faz-lhe companhia enquanto dá um passeio aos cães, outras vezes vai sozinho, com a prima Kika ou com amigos que encontra no caminho.

Os outros saem com o pai pelas nove horas. Primeiro a escola dos grandes, depois a Jasmim que ainda não têm horário.

Eu fico com o Lucas e assim vai ser até Setembro (ignorar post anterior). Curtir a calma da casa, arranjo o Lucas, arranjo-me a mim. E estou pronta para o dia! Só nós os dois até à tarde quando regressa a confusão.

Cordão umbilical parte 5

E assim, de repente, de um dia para o outro e sem aviso prévio chegou o dia de deixar a vida boa. Porque as mudanças aparecem sem avisar e quando menos se espera – e porque durante esta licença procurei dar um novo rumo à minha vida profissional.

A procura resultou em muitas coisas boas, sobretudo porque percebi o que é que queria realmente fazer e acabou por se concretizar numa oportunidade mais depressa do que eu imaginava.

Sexta feira de manhã achei que iria iniciar duas semanas com os meus cinco filhos nas suas férias da Páscoa.

Sexta feira à tarde soube que ia começar a nova fase da minha vida ia já começar. E que ia deixar os meus cinco filhos nas suas férias da Páscoa.

Os sonhos não escolhem o dia e não deixam de ser sonhos por não chegarem no dia perfeito.

É tudo uma questão de… adaptação. Um ciclo que começa, um ciclo que acaba – com todas as dores que isso traz – fechar ciclos tem o seu lado nostálgico, assustador e até triste – na verdade já tenho saudades e ainda aqui estou.

Mas se há um ciclo que se fecha há outro que começa e é nesse que me nos vamos focar. E vamos dar conta dele como sempre demos.

Luquinhas meu bebé pequenino, sei que me vou encher de lágrimas a escrever que os nossos dias de namoro a dois acabaram, foram mais de 6 meses incríveis, arrisco-me a dizer que dos melhores de sempre.

Mas agora tens o teu pai para te agarrar durante o dia e sem dares por isso, logo logo a mãe vai chegar. Já sabemos que durante a noite não me largas por isso ainda temos muito tempo a curtir os dois!

Já sabíamos que isto não era eterno e foi uma granda vida até aqui! Passeámos, fizemos amigos para sempre, fomos almoçar com os manos a meio do dia, fomos a Paris, a Coimbra, a Covas e a Estremoz, fomos ao médico, ao jardim e aos almoços das mães, recebemos visitas, fizemos bolos, festas (muitas!) e lanches. Passaste dias e dias inteiros no meu colo. Olhando para trás foram 6 meses do caraças! Tu não te vais lembrar deles mas vão estar para sempre guardados num sítio tão especial do teu coração que não vai dar para pensar, só para sentir. Já eu, nunca me vou esquecer e são seis meses guardados no “guarda-memórias” mais especial que tenho. E que sortuda sou que já lá tenho tantas coisas incríveis.

Vem daí nova vida estou aqui de braços abertos para o que der e vier.

E sei que terei uns braços ainda maiores para chegar a casa no final do dia.

Hoje o Lucas faz seis meses

Hoje o Lucas faz seis meses.

Curiosamente, no dia que a Jasmim fez seis meses publiquei um texto que falava das coisas que, tendo muitos filhos não lhes podíamos proporcionar. Falava de lhes dar irmãos e uma família cheia e que isso era preferível a tantas outras coisas como, por exemplo, ir à Disney.

Enfim, curiosidade à parte, o Lucas faz seis meses no dia que aproveito para partilhar a nossa viagem, a nossa primeira viagem em família, que se proporcionou por causa das pinturas do Francisco terem uma exposição em Paris.

Foi uma viagem espectacular e fico feliz por termos conseguido oferecer esta experiência aos nossos filhos (e a nós também – eu não andava de avião desde 2003…)

Se valeu? Valeu! Se soube bem? Soube lindamente. Se nos enriqueceu viajar em família? Muito! Se foi divertido ? Foi um máximo! Se somos mais felizes por termos feito esta viagem? Não. Claro que não.

A felicidade vem de outras coisas.

Hoje o Lucas faz seis meses.