JP

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Foi em Agosto de 1997, íamos eu, o Francisco e o meu primo e nosso querido amigo Filipe cheios de mochilas e tendas às costas no autocarro 27 perto do Marquês rumo à Casal Ribeiro onde iríamos apanhar a camioneta que nos levaria à primeira edição do festival do Sudoeste (na altura ainda muito diferente do que é hoje – era um festival de música e não um desfile de marketing e publicidade). O autocarro estava cheio e íamos bem apertadinhos, não chegamos a avançar mais do que a cabine do condutor. Foi neste autocarro que nos vimos pela primeira vez. Reparámos nele, não só porque nos olhava com um sorriso ciumento de quem queria ter a nossa idade e ir acampar connosco para um festival de música, mas também porque trazia na mão 3 maços de “Ritz” . Na altura o Filipe fazia colecção de maços de tabaco e ainda não tinha Ritz, pelo que fomos todo o caminho a pensar se teríamos lata de pedir. Não chegamos a pedir, nem sequer trocámos nenhuma palavra.

Anos mais tarde, reencontrámos-nos a trabalhar todos no mesmo restaurante. Não foi logo que nos associámos ao episódio do autocarro, mas rapidamente nos tornámos amigos. Depois muito amigos. Depois melhores amigos. Dele e da Filipa – que para os nossos filhos ficará sempre a Piki. Tínhamos tudo a ver. Os quatro passávamos serões sem fim a ouvir música e a conversar. Passámos dias e dias de praia, férias, concertos dos Rolling Stones (era o maior fã), domingos de Benfica (o JP e o Francisco não perderam um jogo no estádio da Luz). E a rir, rir e rir.
O João Pedro era um apaixonado pela vida e por onde passava deixava um rasto de alegria e de boa disposição . Toda a gente o adorava. Era o melhor pai e marido e um exemplo vivo do que é “ter onda”. Mas a intensidade com que viveu a sua vida fez com que partisse mais cedo do que esperávamos.
A dor que vivemos desde esse dia nunca nos vai deixar, mas teremos sempre o conforto de nos lembrarmos do teu sorriso (aquele que tinhas naquele dia no autocarro) . E sempre, sempre que não sei como reagir a uma determinada situação penso : “como é que o João Pedro iria fazer?” E assim tenho a certeza que estou a ir pelo melhor caminho! Parabéns Jota.

Nota: hoje o João Pedro fazia anos e hoje, a caminho do trabalho, quando liguei o rádio, na Radar, na rubrica “roleta russa” a música que estava a dar era o Sympathy for the devil. Era a música preferida dele. Obrigada Radar (ou obrigada João Pedro?).

2 thoughts on “JP

  1. Lembro me muitas vezes do JP. De quando trabalhei no restaurante.
    Sim era tão divertido e tão feliz com a vida. Lembro me dele a cantar Lou Reed.
    Obrigada por me fazerem recordar estes tempos.
    Obrigada JP pelos bons momentos

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