setemaisdois

35 ao frio

              

Sou daquelas que os anos passam e cada vez gosta mais de comemorar o dia de anos (até ao dia em que perceber que o tempo não volta para trás).

Gosto de me sentir importante, de receber presentes e saber que é um dia em que só faço aquilo que me apetecer. O ano passado comemorei no domingo de Páscoa pelo que fiquei um bocadinho ciumenta. Não gosto de partilhar este dia com ninguém muito menos com o coelhinho da Páscoa. 
Este ano também não é fácil –  segunda-feira, que é aquele dia que ninguém gosta. Para além disso há sempre o drama de decidir como vou comemorar. Quero comemorar com os amigos, quero comemorar com a família e quero comemorar com os filhos. Mas juntar todos em casa é sempre complicado porque somos muitos, num restaurante ninguém está para isso – sai caro, é impessoal e com crianças é sempre uma confusão .
Lembrei-me então que temos o nosso jardim. Um pequeno jardim nas traseiras de um prédio, ocupado mais de metade pela nossa horta outra parte com a oficina do Francisco, mas ainda assim um jardim. Felizmente partilhamos o pequeno jardim com vizinhos simpáticos que não se importam de ter estas (40?!) pessoas, crianças incluídas, pelo jardim fora. 
E assim foi.
O dia, esse, foi todo para mim – no sítio onde trabalho não trabalhamos no dia de aniversário.
Claro que me comprometi com mil e uma coisas para aproveitar que não estava a trabalhar – reuniões na escola, compras, depilação… Não fiz metade. Só em preparativos foi quase o dia todo. 
O Francisco amassou o 3kg de pão que resultou em mais de 60 pãezinhos destes, fizemos uma imensa salada, enfeitámos o jardim. e, com a ajuda de todos preparámos um óptimo churrasco informal. 
Os miúdos fartaram-se de brincar . Os adultos fartaram se de conversar. O frio e o vento não deram tréguas, eu devo ter ficado doente e os meus convidados saíram todos a espirrar. Mas ainda assim, valeu a pena. 
No fim da noite sinto me recompensada . Entro nos meus 35 anos rodeada de todos os meus. Feliz e de coração cheio.