Um clube, um príncipe, três camas e muitos livros

  

 “(…) ando à procura de amigos. O que é que “estar preso” quer dizer?
– É uma coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa
– Quer dizer que se está ligado a alguém , que se criaram laços com alguém.
– Laços?
– Sim, laços – disse a raposa – Ora vê:por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual  a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim . E, para ti, eu também passo a ser única no mundo..
– Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho – Sabes, há uma certa flor… tenho a impressão que estou preso a ela… (…)”
O nosso Clube de Leitura nasceu, por acaso,  num dia que eles queriam ver a “Alice no país das maravilhas” e, como não tínhamos o filme começámos a ler o livro mas sempre a achar que, ler um livro grande, sem imagens não os ia prender por aí além.
Mas prendeu. A todos, incluindo à Luz. Percebi que ouvem tudo com a maior atenção e é muito giro  perceber como funciona para as crianças tão pequeninas a “continuidade” de uma história . Achei que se esqueciam de um dia para o outro do sitio onde ficámos, que teria de reler tudo outra vez. Mas não. Lembram-se e estão sempre desejosos e curiosos de continuar.
Pelo que, rapidamente ficou um programa para aqueles momentos em que não há nada para fazer e que eles precisam de acalmar/ descansar. Quando acabou a Alice no país das maravilhas, lemos a Alice do outro lado do espelho – que não fez tanto sucesso. Mas eles começaram a ficar viciados e a pedir mais livros, pelo que o Francisco lhes leu o Tom Sawyer – foi o sucesso total – ficaram doidos com o livro e sempre a pedirem mais.
Agora, acabado o Tom em livro, démos inicio ao Tom em série,  que tem também sido o delirio. Ver em desenhos animados aquilo que já tinham ouvido em livro. Verem a sua imaginação transformada em “realidade”.
E agora foi a minha vez. Escolhi o clássico dos clássicos que por mais que o tempo passe é dos livros mais bonitos que existe. Para crianças ou para adultos. E tem sido de mais.
Ainda agora começamos e já ninguém quer parar, eu incluida (ou eu principalmente).
O Principezinho, para mim, é como a Heidi que vimos recentemente. É como levar “injecções” de lições de vida. Prendem pela forma como nos fazem pensar na essência de vida. Naquilo que realmente importa.
E assim, de livro em livro, de série em série, temos tido muito com que nos entreter.

De tal maneira que o Clube de Leitura acabou por invadir o principal ritual de ir para cama, que fazemos desde que o Jacinto nasceu: contar uma história já no quarto deles. A combinação é ser cada noite numa cama e o “dono” da cama escolhe o livro. Agora, o livro é sempre o mesmo (até já tenho saudades dos nossos “livros de bonecos” principalmente os da Planeta Tangerina de que tanto gosto).

E lá ficamos todos ao molho, embrenhados no nosso livro, quase até caírmos para o lado.
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5 thoughts on “Um clube, um príncipe, três camas e muitos livros

  1. Se morássemos pertinho, eu emprestava-vos a coleção toda do Tom Sawyer. Cá em casa já viamos os dois, mesmo antes dos nossos filhos nascerem 🙂

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