As fotografias

 

  

Não gosto nada de ser dramática e, quando uma coisa muda, ficar a pensar que antigamente é que era bom (tirando o acordo ortográfico). Gosto de assumir que as coisas mudam e que também nós mudamos com elas, um bocadinho.
Durante muitos anos, muita coisa girava na nossa vida à volta das fotografias. No entanto, nunca tivémos qualquer tipo de relação profissional com esta arte (o Francisco ainda passou pela fase de revelar fotografias na casa de banho escura, com todo um estaminé oferecido por um primo, mas não passou disso). Mas foi sempre muito importante na nossa vida.
Tirar muitas fotografias sempre fez parte do nosso dia a dia, férias, festas e festivais.
Ir levá-las a revelar era um momento importantíssimo. Ficar a fazer horas enquanto esperávamos que ficassem prontas, impacientes, desejosos de ver como tinham saído e se retratavam, ou não, fielmente aquilo que tinhamos vivido.
Depois, combinávamos programas especificamente para ver e mostrar as fotografias que tinhamos. Juntávamos os amigos e família para mostrar as fotografias disto e daquilo. Faziamos serões a montar albúns, que era investidíssimos,  com legendas, montagens, cortes etc.
Víamos e revíamos estes albúns, em jantares, rodavam vezes sem conta (e ainda o fazemos!). As preferidas iam para as molduras , que mudávamos (mudamos) tempos a tempos.  Partilhávamos entao as nossas fotografias com toda a familia e amigos.
Depois vieram as máquinas digitais. Deixámos de precisar de dosear as fotografias que tirávamos e,  para cada cena eram 5 ou 6, ou até ficar como queríamos. Depois, faziamos uma seleção de 36 das 100 ou 200 fotografias  (queriamos pensar que seria como um rolo)  e imprimíamos. As restantes ficavam no computador, e nunca mais niguém as via.
Mais tarde, vieram os filhos e com eles mais despesas, menos dinheiro no fim do mês. Logo, imprimir fotografias era um extra que ficava para “um dia quando tivermos mais à vontade”. Lá iamos imprimindo umas e  outras (e ainda o fazemos) mas não era a mesma coisa.
Temos anos de fotografias que nunca ninguém viu. Mesmo as que imprimiamos, com o excesso de actividades que fomos desenvolvendo, fazer albúns também ficou “para um dia com mais tempo”.
Por isso, de repente tive um iPhone, que ficou a fazer o papel de máquina fotográfica que entretanto se tinha avariado. E com o Iphone veio o Instagram (ainda antes do Blog).
E, de repente, as nossas fotografias tinham outra vez um papel de partilha na  nossa vida. Tirar as fotografias e, escolher as melhores como se fosse para um album ou moldura,  para partilhar. Porque tenho orgulho naquilo que fotográfo e dos momentos que retratam. Gosto de mostrar, e gosto de ver e rever. É engraçado ver os “gostos” que as fotografias vão tendo. Perceber quais são as mais gostadas, as menos gostadas e quem gosta do quê e relacionar o “gosto” de cada um com o gosto de cada um – mas na verdade a melhor coisa é que com o instagram voltámos a ter um albúm como os nossos antigos. Claro que não é a mesma coisa. Mas não deixa de ser uma boa alternativa.
IMG_3813-0
Anúncios

6 thoughts on “As fotografias

  1. Eu gosto muito do instagram, e gosto muito do teu (posso tratar por tu? temos quase a mesma idade, tenho 32). É um album que podemos ir fazendo e que nos poupa muito em fotos impressas. Mas tenho de ser sincera que gostaria de imprimir todas as fotos como antigamente. Penso muitas vezes: “e se um dia o instagram acaba? perco as fotos todas?” (dúvidas existenciais sobre redes sociais, só eu 🙂 ) Continua a tirar fotos fantásticas que cá estou eu para fazer “gosto” 🙂 Já agora, ficava-te muito bem o cabelo alternativo que aparece na primeira foto deste post….muito gira! Fazes-me lembrar eu…acho que tivemos uma adolescência muito parecida, pelo o que escreves aqui. as cenas da música, o estilo,….ao ler o que escreves, viajo muitas vezes à minha adolescência….obrigada Maria. Peço-te que mantenhas sempre este espaço que me faz tão feliz ❤

    1. Flávia claro que podes tratar por tu! Nós as vezes ainda imprimimos as fotos . Tipo uma vez por ano fazemos uma mega seleção ! O cabelo … Adoro também. Foi o
      Meu cabelo
      Preferido de sempre ! Rastas a trás, rapado em cima ! Beijinhos

  2. Acabei de ver nas tuas fotografia dois amigo meus…a Ines e o Paulo…conheci e convivi com eles nos Açores, temos filhas da mesma idade e que foram colegas de sala. Que saudades e que mundo pequeno 😉 Maria Sá

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s