carro-casa

 

                      

Foi no ano de 1999. Estávamos a descer a costa vicentina de tendas às costas. Dormir na praia, comer enlatados e tomar banho só com a água do mar durante uma semana. Numa noite dessas férias, lembro-me bem, estávamos na praia do Amado e, enquanto bebiamos uma cerveja a ver o pôr do sol, vi um casal de alemães a jantar cá fora, numa autocaravana, com 3 filhos pequenos. Na altura, ter filhos era uma realidade ainda longinqua. No entanto, quando vi aquela família disse ao Francisco: é isto que eu que quero ter, quando crescer.

E assim foi. No ano de 2012 embarcámos pela primeira vez na aventura de uma semana de férias com os filhos num “carro-casa”. Tivémos a sorte de ter uma amiga com uma autocaravana que alugava a pessoas próximas e, lá fomos nós.                                                                                                                           tinham  os nossos filhos, na altura, 5, 2 e 1 e ficámos logo rendidos a esta forma de passar férias.  Voltámos em 2013 e, em 2014 devido não só um barrigão, mas também ao facto da nossa amiga ter vendido a caravana, não fomos.
Agora, já sem barrigão e com mais um bebé, fomos passar um fim de semana comprido que soube a férias (encontrámos uma alternativa também económica à caravana da nossa amiga).
Foram apenas três dias, mas três dias em que o corte com a realidade é tanto que pareceram muitos mais. Viajámos lado a lado com uns grandes amigos, também eles com uma família cheia de crianças.
Fazer as malas é, sem dúvida a parte chata da caravana, lençois, almofadas, toalhas de banho, cadeira da papa.. É igual o que se leva para 3, 7 ou 10 dias.
A Jasmim viajou sempre no ovo, ao lado do pai. Eu e os três mais crescidos iamos a trás, a pintar, a jogar jogos e cantar músicas. Viajámos sempre durante a noite, é mais fácil para eles adormecerem e, como disse o Jacinto “é tão bom acordar sem saber onde é que estamos!” . As manhãs foram preguiçosas, porque não estava muito calor e porque
se dorme muito bem – esta caravana tinha duas camas de “casal” e um beliche. Ao acordar abrimos as janelas, espreitamos o mar, cheiramos o dia. Transformamos as camas em mesas e bancos. Fazemos o café e preparamos o pequeno almoço. Depois, enquanto se arruma o carro-casa eles brincam lá fora, vão para o “carro-casa” dos vizinho ou ficam a fazer desenhos. O bom é que arrumar a “casa inteira” demora cerca de 3 minutos. O resto dos dias são passados na praia.  De noite tranformamos outra vez as mesas em camas, os meninos vão dormir e, os crescidos ainda têm tempo de ir lá para fora (apesar do frio que estava) conversar um bocadinho e planear a próxima paragem.
Enfim,  os dias numa caravana são indescritiveis de mais e não há palavras para a maravilha de adormecer ao ouvir o mar, de acordar já na praia, de estarmos juntos dia e noite, sem horas,  sem rotinas, sem nada. Só nós, o sol e o sal.
Fica o sonho (mais um) de um dia termos um carro-casa, só nosso onde, sempre que nos apetecer possamos pegar em nós e  nos nossos filhos e ir dormir e acordar  a ouvir o mar.
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13 thoughts on “carro-casa

  1. 😉 tenho uma amiga cujo pai transformou uma antiga ford transit dos CTT numa autocaravana. Um espetáculo! Íamos de férias só o nosso grupo de amigas para a costa vicentina. Agora com os miúdos também já pensei nisso mas os preços que tenho visto online… 😦 Nunca compensam. Bjs Silvia

  2. Adoro a ideia, também ando a pensar fazer isso, com a nossa familia – que por acaso têm a idade que os seus tinham quando se estrearam. Onde alugaram??? Obrigada Mariana

  3. Olá Maria!
    Em primeiro lugar quero agradecer o contacto que lhe pedi e tão amávelmente respondeu no instagram (anamaggie1973?).
    A autocaravana ambém é um sonho antigo nosso.
    Acho que agora com o contacto da “100 destinos” vamos poder concretizá-lo, pelo menos por um fim de semana grande…é pena não podermos levar o cão…paciência!
    Esta semana vou fazer o ketchup=heinz, para ver se surpreendo o meu filho de 15 anos, que adora ketchup.
    Depois dou-lhe o feedback da cobaia teenager!
    Obrigada e um beijinho!

  4. É a vida de reformados dos meus pais. Ainda trabalhadores tinham uma caravana e iam passando umas férias e uns fins de semana fora. Mas agora começam à terça-feira a rondar as filhas a ver se alguma lá vai a casa no fim-de-semana e se não for nenhuma lá vão eles de auto-caravana aviada por esse Portugal fora. É que não perdem num umas horas. Pois mesmo que alguma de nós lá vá, nas horas restantes de fim-de-semana eles vão “autocaravanar”, nem que seja para locais a 20/30 mins de casa. Acho que é um conceito que nos liberta do peso do que carregamos nas nossas vidas actuais. Como contas, o facto de arrumar a casa em 3 mins é tão libertador. E poder abrir a porta e a janela e dar com uma paisagem diferente todos os dias, relaxante e deslumbrante – graça à beleza natural do nosso Portugal… Boa sorte na busca do atingimento deste vosso sonho.

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