Banda sonora original 

A música sempre teve um papel muito importante na minha/nossa vida. Passei a adolescência de fones nos ouvidos e, na verdade, a minha vida tinha uma banda sonora, o que era espectacular. Era como se fizesse parte de um filme. O que ia ouvir no autocarro iria comandar como iria estar nesse dia, (e também vice-versa). Conforme me sentia quando acordava escolhia a banda sonora correspondente.

Ou seja, se estivesse bem dispota ouvia reggae, música brasileira, se estivesse mais sombria ouvia, por exemplo, Nirvana ou o Lou. Se estivesse na lama, era fácil, botava os Sigur rós e não era com muito esforço que até chorava e que conseguia passar um dia inteiro deprimida e a achar que era tristíssima a minha vida (quem é que não gostava de um bom drama)

Se ia a ouvir Rancid ou Clash era certo que me baldaria às aulas ou pelo menos não ia prestar atenção e sentia-me uma rebelde sem causa.

Se ouvisse o Keith Jarett, que também muito me acompanhou na adolescência  e pós adolescência, ficava mais inteletual, sentia-me com mais dez anos, e começava a ler o Kafka ou o Dostoiévski sem parar. Se me desse para ouvir Bob Dylan, Doors ou os Beatles ficava nostálgica punha uma fita na cabeça e calças à boca de sino (e assim passei uma boa parte da minha adolescência). Tive sempre grandes ídolos, e cada um mais marcante que o outro consoante a fase que me encontrava.

E assim andei eu, de fones nos ouvidos anos e anos a fio a deixar a minha vida a ser comandada por aquilo que ia ouvindo. Tive todas as fases que se pode ter – e por isso tenho uma esquizofrénica coleção de cd’s que vai de Iron Maiden a Milton Nascimento. O que na verdade sempre deu imenso jeito pois tinha conversa com todo o tipo de pessoas. Pusessem-me um metálico, um rasta ou um fã do Bruce Springsteen e lá estava eu para falar dos seus ídolos como se fossem meus ídolos também – e eram.

Claro que A partir de 97, foi o mega mega boom. De repente a música tomou mesmo conta da minha vida. De repente era tudo o que eu queria (de tal forma que deixei de estudar pois queria ser DJ). A minha semanada e primeiros ordenados eram gastos em discos e concertos. Vi o Tricky, Massive Attack e Beck nos seus primeiros concertos. Fiquei logo agarrada (e extasiada) quando saiu o disco de Thievery Corporation. Era tudo novo e tudo bom. E não paravam de sair bons discos. Enfim, foi a perfeita loucura.

Na verdade, mesmo a nossa história de amor começou pela música: Apaixonei-me pelo Francisco quando percebi que ouvíamos a mesma música (na verdade já tinha um fraquinho quando vi um rapaz com uma t-shirt de Jesus and Mary Chain) e desde os 16 anos que apesar de termos o mesmo gosto nunca comprávamos os dois o mesmo disco: “Assim quando casarmos vamos ter muito mais discos”.

Viviamos então a gravar cassetes. Que ainda guardamos no cimo de um armário.  E prometemos que iamos sempre ser assim (e que íamos viver felizes para sempre, a ouvir a mesma canção).

Lá em casa a música está sempre ligada, ao contrário da televisão que está sempre desligada. E os nossos filhos não só conhecem e reconhecem os clássicos – Johny Cash, Bob Dylan, David Bowie, etc – como já têm os seus preferidos  nem vos conto quais são…)

Eu digo-lhes que quero que estudem, sejam bons alunos e no futuro tenham bons empregos. Mas o que eu gostava mesmo era que eles tivessem uma banda…

 

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2 thoughts on “Banda sonora original 

  1. Aqui também. Temos gostos musicais muito parecidos. Já não ouvia alguém falar em Rancid há anos!!!! Eu adoro quando o meu com 2 anos pede para pôr-mos um disco 🙂

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