Desejos para um mundo melhor – um post com perguntas mas sem respostas 

Embora seja uma pessoa muito centrada no presente, não estando sempre a rever o passado (apesar de ser muito nostálgica) nem a antecipar o futuro, tenho pensado muito no futuro.

Apesar de tentar ser o mais relaxada possível e tentar pensar “só o tempo o dirá”, a incerteza do futuro assusta-me. Ou melhor, preocupa-me. E não estou a falar “só” da crise, da guerra, da corrupção ou de reformas e dividas.

Falo daquilo que os nossos filhos serão (e, tenho quatro pelo que a preocupação é a quadriplicar) e daquilo que deles será esperado. Quem serão amanhã as crianças de hoje?

O que será uma criança bem preparada para o futuro? Serão os mais escolarizados? Os que tiveram melhores notas? Os que têm um curso – e se todos tiverem cursos – é esse o caminho que se está a seguir – a escolarização cada vez mais abrangente. Haverá trabalho para todos?

Quem vão ser as crianças que terão sucesso – entenda-se estabilidade e emprego – serão os bons alunos de hoje? Os que sabem melhor a matemática? Ou serão as que puseram a escola em segundo plano e só querem brincar e ouvir música?

Serão premiados os que percebem de computadores, que com 1 ano já manipulavam um iPad, se iniciaram no instagram com 10 anos e que sabem mandar mails com 8? Ou aqueles que andaram mais na rua e nas árvores e esfolaram mais joelhos e que ainda brincam com 11 anos (coisa estranha hoje em dia que já não se brinca com 11 anos)…

Serão os miúdos que viajam, conhecem o mundo e fazem voluntariado desde cedo os escolhidos no futuro? Serão valorizados os mais competitivos que querem ser os melhores ou os que se estão nas tintas?

Serão adultos de sucesso aqueles que em criança tiveram de lutar por aquilo que queriam muito, que aprenderam a valorizar o esforço e o trabalho? Ou serão aqueles que viveram uma infância despreocupada com tudo aquilo que queriam, se encheram de embrulhos na noite de natal e acordaram felizes no dia de anos porque receberam uma PlayStation ou o maior castelo da coleção dos Playmobiles? E não questiono -de todo- na prespectiva de criticar nenhuma das partes, é mesmo uma dúvida real que tenho. Nós lá em casa fizémos as nossas escolhas. Mas não tenho de todo a certeza de que estaremos a fazer a melhor escolha. Não tenho a certeza que os meus filhos sejam crianças preparadas para um futuro moderno e ambicioso.

Fará diferença o amor que receberam na infância? E a frustração? Saberão as crianças de hoje lidar com a frustração que o futuro lhes irá trazer? Estaremos a prepará-los para lidar com um não, com uma divergência, com uma pedra no caminho?

Estamos a educar as crianças de hoje de uma forma muito diferente de que se educou há 20 anos atrás. Demasiada informação, teorias disto e daquilo. Queremos ser os pais perfeitos.  E, ainda não temos um feedback. Vivo a dizer que o que importa é o amor. Mas será suficiente? Estarei a preparar os meus filhos para o futuro? Será que lhes dou autonomia de mais? Ou de menos? Será que desvalorizo a escola demais? ou de menos? E o consumismo? Estaremos a travar um futuro consumista por sermos anti-consumismo ou estaremos a desenvolver uma semente exacatemente ao contrário daquilo que imaginamos por privá-los de coisas que “todos têm”?

Sinceramente não sei MESMO o que importará no futuro. Sei bem o que quero para eles: que sejam felizes, tenham amor, uma casa e uma família (nas não posso fingir que não me preocupo se terão ou não um emprego).
Pessoalmente, e não querendo desvalorizar o ensino, imagino que (ou no fundo espero que) importe sobretudo a cultura, cultura de vida, cultura social, cultura geral. Abertura de pensamento, de ideias e de ideais. E é isso que lhes quero passar. E por isso, mais do que aquilo que aprendem nas aulas imagino – atenção sublinho imagino porque não tenho de todo a certeza – que o que aprendem no recreio, importará ainda mais. O que será o valorizado em 2036?saber mandarim e Inglês ou saber que há meninos, iguais a eles, que brincam com eles mas que vêm da guerra, que se sentam ao lado deles na sala mas que são refugíados, ou têm pais presos e que não têm o que comer quando se sentam para jantar. Ou não se sentam sequer para jantar.

Por isso o eu que espero é que cheguem a líderes e pessoas de sucesso do futuro aqueles que sejam ambiciosos, não por dinheiro, mas por um mundo verdadeiramente melhor, os mais ambientalistas, os mais solidários, os mais interessados no outro, os que sabem amar.

Ou seja: os melhores.

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10 thoughts on “Desejos para um mundo melhor – um post com perguntas mas sem respostas 

  1. Assim seja! (eu acredito que o treino para frustração é importante, treina a resiliência; também a capacidade de esperar pelo resultado, de pacientemente construir alguma coisa que não é imediata; também acredito no treino social que o recreio/rua/primos/amigos dão; e acho, no ponto em que a escola está, que é importante explicar que há muitos tipos de saber, que na escola há mais de um tipo, mas que na vida são precisos outros; qt ao consumimos tb tenho muitas dúvidas, cá em casa não há consolas nem smartphones, mas tenho essa dúvida se o efeito não será o contrário…

  2. No outro dia o meu filho mais velho disse que achava espantoso ser o único menino do 2¤ ano que não tinha uma playstation, e eu respondi-lhe que o que eu achava verdadeiramente espantoso é ele ser provavelmente o unico menino do 2¤ ano que já leu 17 livros desde o inicio do ano. A verdade é que ele mal sabe usar um computador, não percebe nada de internet, são sabe fazer uma chamada telefonica e mal consegue ligar a tv sozinho. Adoro pensar que tenho um miudo “old-school” que só quer brincar, trepar, ler e sonhar, mas na verdade, perante os outros, ele é um esquisitinho. É o freak lá do sitio. O futuro o dirá… mais feliz ou demasiado desajustado?

  3. Este post reflecte na perfeição as minhas dúvidas. Sei que as escolhas que faço são sobretudo baseadas no que me parece ser mais acertado para eles agora, no presente, e não tanto num futuro que não conheço, mas não minto que me preocupa que os possa estar a prejudicar para uma sociedade que receio ser implacável para quem não entra num determinado formato.

  4. Penso que não há ” mãe” verdadeiramente, que não faça essas perguntas várias vezes ao longo do crescimento dos filhos, eu tento seguir o meu coração e não o que me dizem para fazer, tenho educado os meus filhos assim e não me tenho dado mal… o meu filho com 11 anos ainda brinca com peluches, o mais velho só lê livros de história e não brinca… o que será melhor? são os 2 bons alunos e bons meninos com valores. Acredito que o mundo vai melhorar! Vamos ter fé .

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