Sobre reduzir

Ontem, quando estava a ler este post acho que percebi uma coisa que nunca tinha percebido.
Trata-se de reduzir. Reduzir, sobretudo, a excessiva informação que existe. A todos os níveis. Sempre achei que o futuro era  produzir, mas agora percebo que é, ainda mais, reduzir (acabam por estar os dois interligados porque ao reduzir aquilo  que a sociedade nos dá em excesso acabamos por aceitar mais aquilo que a natureza nos oferece e produzir as nossas próprias coisas – desde a roupa ao pensamento).

E Reduzir o quê? Reduzir aquilo que temos, aquilo que queremos e tudo aquilo que a sociedade nos impinge.  Isso vai reduzir os nossos níveis de stress. Porque vivemos numa sociedade consumista que se torna  geradora de stress.

Porque, uma das razões que nos faz andar ocupados e a correr e a acahar  que não temos tempo para nada é enchermos a vida com ocupações  que nos desfocam das coisas mais importantes. Consumos excessivos em todos os sentidos. Queremos mais e mais. De tudo. Da televisão, o excesso de informação, de canais, de programas. De ipads, iphones de computadores. De brinquedos descartáveis que já ninguém liga – aos milhares amontados nas estantes. De sabores de iogurtes no frigorífico. De roupa, roupa roupa ( de quantos pares de sapatos precisa uma criança?) De bolachas, bolachinhas e biscoitos. Que é feito de só ter bolacha Maria na dispensa? De ter sempre a certeza que nunca falta a manteiga o queijo e o fiambre.  Tudo isto é lixo e gera lixo – já viram bem a quantidade de lixo, reciclável ou não, que uma família produz?- é incrível. De actividades, curriculares, extra curriculares. Psicólogo, terapia, futebol e ballet. Ir às compras, fazer trabalhos, fazer jantar e, já agora ainda chegar a tempo do importante telejornal, para ficar um bocadinho maisstressadaejáagoratambémassustada.

A estimulação de uma família está a mil. Tudo é muito, tudo é rápido, tudo é intenso.

E, afinal, de que é que precisamos? “despachar” o jantar e os banhos dos miúdos para podermos finalmente “descansar” em frente aos múltiplos ecrans com que vivemos e estimular os neurónios com o frenesim das cores e dos pixels.

Ou desacelerar, reduzir todos estes estímulos e sentar, mesmo que no caos de ter uma criança para cada lado, e simplesmente ESTAR.
Claro os computadores e as novas tecnologias têm coisas muito boas (são um espaço de aprendizagem e partilha incrível e devemos-lhes muitas das coisas boas da nossa vida) . Mas são também um veículo de mais e mais coisas, de um anúncio de novas novas batatas fritas,  uma receita nova, aquela conta de instagram que é o máximo, o diy que vi e que tenho que fazer, coisas, coisas. Coisas que nos põem a mil.
E, por isso, confesso, descanso mais a conversar com um boa música ou mesmo em frente a umas agulhas de tricot ou a uma máquina de costura do que a fazer qualquer coisa no computador que ficou por fazer ou fazer um zapping para “relaxar”. E por isso, cada vez mais percebo que o nosso caminho passa por parar para poder avançar e por reduzir para poder crescer.

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28 thoughts on “Sobre reduzir

  1. Sabes Maria, eu até já comecei a deixar de seguir algumas contas de instagram (a tua nem pensar 🙂 ) porque me deixam ansiosa e é muita coisa para ver e muitos diy que me deixam acelerada. Concordo contigo a mil porcento. beijinhos

  2. Não só me tiraste as palavras da boca, como fico muito honrada pela visita e partilha, como quero muito fazer a entrevista – A tua vivência é a prática da teoria que leio 😉

    Apercebi-me hoje (por outra razão totalmente diferente, no trabalho), que muitas vezes sabemos as coisas de forma empírica, intuímos, mas é uma revelação quando alguém nos dá a teoria daquilo que sabemos pela nossa experiência, de forma não estruturada ou racional.
    Talvez tenhas tido essa mesma epifania com o meu texto, que evoca a análise racional da tua prática (estou a ser confusa?)!
    Apesar de ler as respostas nas entrelinhas deste teu blogue, vale a pena estruturar tudo num texto – a entrevista. É que entre a teoria do ‘meu’ livro e a tua prática há pormenores que me escapam e estou muito curiosa por descobrir (desde que te leio, aliás).

    E agora, para ser mais clara, eis um outro texto que fala do tal livro, em ‘ingliche’.
    beijinhos! (hei-de enviar-te o documento com as perguntas, vale?)

    http://raisedgood.com/extraordinary-things-happen-when-we-simplify-childhood/

  3. Esse livro foi dos mais importantes que li até hoje, consegui estruturar tudo o que já sentia e validou muita coisa junto do pai cá de casa. O meu exemplar está bem usado e rabiscado e é relido vezes sem conta, sempre que perco o rumo.
    Demorei algum tempo a convencer o pai sobre a quantidade de brinquedos mas temos o essencial e curiosamente tudo o que lhes dão de plástico, aqueles brinquedos de nada, são usados na primeira e ou se partem logo ou são arrumados para canto ( e aí rapidamente postos num saco para serem doados). A roupa é 80% emprestada e roda por todos, os sapatos que têm são também quase todos emprestados e são menos que uma mão cheia.
    O que é interessante é que esta perspectiva acaba por inundar todos os quadrantes da vida e tudo é reduzido: só temos dois tipos de iogurtes, um tipo de bolachas comparadas e um feito em casa, etc etc. E a minha regra preferida – só entra roupa
    nova quando vão duas peças embora! ( a não ser que se estrague, claro!) tenho menos de metade da roupa que tinha há 3/4 anos e vivo muito bem com isso, perco menos tempo a escolher e uso tudo.

    Agora aqui entre nós, este livro devia ser obrigatório para quem tem filhos…:)

    1. Alô Joana! O livro de que falas é o Simplicity parenting?
      Estou na 2ª volta, agora a tomar notas de lado, depois de o ter sublinhado todo a marcador 😉
      Conto escrever uns quantos artigos com o material do livro, lá pelas minhas bandas. Sê bem-vinda!
      abraço

  4. Muito de acordo, parabéns pela escrita. Dou por mim a pensar os meus avós sentavam-se todos os dias ao serão a conversar, porque não havia tanta distração e isso era bom. Nós estamos “juntos” ao serão, a ver computadores, tv’s e tablet’s e de certeza que fica muito por partilhar.:(

    1. Quando me perguntam, à vezes , como faço tanta coisa eu penso muitas vezes , é o tempo que existe quando não se liga uma televisão, não se vai Às compras dia sim, dia não etc… muitas vezes o tempo está nas nossas mãos…

  5. como se diz na minha terra (ilha Terceira): ” boca santa!! ” 🙂 🙂 🙂
    100% de acordo consigo. há muito que sigo estas “reduções”! 😉
    beijocasssss ❤

  6. Sabes Maria…andei muito tempo a produzir, a acumular e nem por isso era mais feliz. Depois houve mudanças profissionais e sobretudo financeiras, e dei por mim a ter que reduzir por força das circunstâncias. E acredita que me tornei mais feliz, é uma questão de perspectiva e, de facto, não precisamos de tanto, de tanto estímulo. E as minhas crias acho que estão a perceber o esquema, o sentido da vida. Estou completamente de acordo com o que escreves…reduzir mais do que consumir.

  7. Hoje “parei” para ler este post. Porque para ler posts destes é preciso “parar”. We are not alone, foi o que pensei à medida que prosseguia na leitura. Assim, vamos mudar o mundo, primeiro o nosso, depois o mundo, lá fora, acabará por mudar, também. Obrigada.

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