Do outro lado do Atlântico 


(Este post foi dos mais complicados de escrever, porque o tema é ao mesmo tempo simples e complicado…)

Se há uns anos alguém me dissesse que fazia amigos por meio de redes socias, blogs ou partilha instantânea de fotografia ( é isto o Instagram?) eu diria que essa pessoa não batia bem da bola. Se alguém me dissesse que até eu acabaria por conhecer pessoas através de comentários num blog eu chamaria uma equipa para o internamento psiquiátrico compulsivo de quem me dissesse isso, por  dizer tamanha loucura. Eu a anti computadores? Eu  a que odeioa o mundo virtual? Eu a anti globalização ? Eu  a anti tecnologia? Eu, não.

Mas depois – e ainda hoje não sei o que me deu na cabeça- fiz um blog (maria a incoerente sempre presente ). Sem computador mas fiz. Devagar e com o tempo fui percebendo que existem coisas incríveis no mundo – também tão sinistro – online ( eu sempre preferi ver o lado bom das coisas).
 O mundo é grande. E há milhares de milhões de pessoas. Em pequena já tinha pensado que era desperdício haver tanta gente que eu nunca ia conhecer. 

  Adoro pessoas, adoro conhecer pessoas ( não foi por acaso que escolhi ser psicóloga).

E de repente conheci / percebi esta forma de aproximação de pessoas tão diferentes/ tão parecidas , tão longe / tão perto. De repente dei conta de um meio de transporte que nos leva até pessoas que, embora estejam longe gostaríamos que estivessem perto. Pessoas que, de outra forma , nunca chegaríamos até elas. Provavelmente nem saberíamos que existiam, muito menos o que faziam, o que gostavam ou que música ouviam 

Eu escolhi abrir as cortinas da minha casa  embora às vezes não tenha a certeza do sentido disto tudo e de onde nos levará este “espreitar” da vida dos outros.

E, assim, por mais surreal que isto (me) pareça tenho feito amigos, bem reais, que apareceram na nossa vida por estes meios menos reais (?). Pessoas que conheci há muitos anos e agora reencontrei, do outro lado do mundo. Pessoas que estavam aqui ao lado e que por uma ou por outra razão os nossos caminhos nunca se tinham cruzado. Pessoas que não conhecíamos de todo, e que, provavelmente, nunca iríamos conhecer nem perceber a empatia existente não fosse esta partilha de vivências, gostos e humores – que percebemos semelhantes. Pessoas que nos inspiram e nos ajudam a traçar o nosso caminho porque nos identificamos, porque bebemos daqui e dali o seu gosto – mesmo sabendo que o que se mostra é editado e com filtros.
Hoje recebemos uma família amiga do Brasil. Se já nos conhecíamos ? Não. Mas foi como se toda a vida tivéssemos conversado muitas vezes pela noite fora. 
Obrigado pela visita Nina, Ricardo, Bento e Thereza!

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9 thoughts on “Do outro lado do Atlântico 

  1. Olá Maria! Eu “leio-te” sempre mas raramente comento. Mas hoje achei que o devia fazer. Eu estou casada há 5 anos, resultado de um namoro que começou em Janeiro de 2007, ou seja, já lá vão quase 10 anos. Tenho 2 lindos filhos, um menino de quase 3 anos – faz em Novembro – e uma menina que nasceu em Junho. Conheci a minha cara-metade através da internet. Numa rede social que entretanto desapareceu, ou foi desaparecendo… o Hi5.
    Morávamos tão perto um do outro e foi assim…. neste grande mundo virtual, que nos fomos conhecer. E que bom que foi. E que bom que é!

    P.S. 1 – sei que chegaste a ponderar parar o blog mas, por favor, nunca deixes de nos escrever porque a tua família é deliciosa.

    P.S. 2 – desculpa tratar-te por tu… mas temos (creio que) a mesma idade!

    Beijinhos do Norte! Quando quiserem visitar Gaia ou Porto avisem! Terei todo o gosto em vos receber! 🙂

  2. Olaré Maria! No que toca a incoerências, não estas sozinha! Eu revi-me imenso neste teu texto (mesmo imenso!) pois também penso (ou pensava!) assim no que respeita as redes sociais e as partilhas de coisas tão íntimas como a nossa vida, a nossa casa e os nossos filhos! Tenho o blog PlanetaZorp onde falo sobre livros infantis, criei uma conta pessoal de fb que muito raramente uso e tenho o Instagram há pouco tempo (mas que até uso mais do que imaginaria!)… Este verão, levei a nossa pequena família de 3 até Vic, na Catalunha, para conhecer uma livraria infantil que eu somente conheci deste gigante mundo virtual! Fomos super bem recebidos por pessoas que parecia conhecermos desde sempre! Eu, a também muito incoerente, dei comigo a agradecer esta excelente possibilidade q o mundo global da internet me (nos) havia proporcionado! Como poderia te-los conhecido de outra forma? Ganhamos novos amigos e um rapazola até diz que tem uns tios de Vic!
    Não me vou largar mais… Continuo incoerente com imensas coisas, mas há algumas incoerências que nos fazem muito bem, e conhecer pessoas especiais e com tanto em comum conosco, atreves de clics e de páginas de net e de redes sociais, faz-me perceber que o mundo é enorme, mas pode bem ser um T0 onde conhecemos imensas pessoas!!!
    Beijinhos desta incoerente da costa alentejana, se portas abertas para receber uma família tão porreira como a vossa quando quiserem, Xana

  3. Também te leio daqui do outro lado do Atlântico…Do estado mais ao Sul do Brasil. Rio Grande do Sul, Porto Alegre, esta é minha terra. Bjs

  4. Oi Maria, adoro seu blog. Leio sempre, fico com saudades quando não escreve….Também sou do Brasil, de São Paulo. Espero um dia conhecer esta família linda. Ai em Portugal, ou quem sabe aqui no Brasil. ;). Bjs

  5. Que bom que é conhecer pessoas novas numa altura em que julgamos não ser possível fazer novas amizades! Tenho imensos amigos que conheci por causa do meu primeiro blog (quando ainda nem toda a gente tinha um blog). Fui visitar outras cidades e países para conhecer amigos virtuais (nunca me desiludi) e conheci inclusivamente a pessoa com quem vivo há quase 9 anos – o pai das minhas filhas – através da primeira amiga que fiz por causa do meu primeiro blog. Se dá vontade de deixar de ter blogues assim ou de desligar totalmente do mundo virtual? Claro que não. Com conta, peso e medida, tudo tem o seu lado positivo!

  6. A Thereza teve a sorte de comemorar seu primeiro ano com essa família querida e generosa. Obrigada por nos receber. Foi realmente único e quebrou muitas barreiras que eu tinha sobre esse tema. Bento nem se quer queria ir embora de tão bom que foi. Obrigada querida Maria! ❤ A se repetir muitas e muitas vezes assim espero!

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