setemaisdois

37 

 
Penso muitas vezes que o que quero guardar dos melhores anos da minha vida em família sao os momentos que vivemos uns com os outros a transbordar de amor. Tenho a certeza que esta  proximidade – uns com os outros e com a natureza – fica gravada para sempre nas memórias e nos corações de todos. 

Fartei-me de pensar no que haveria de fazer no meu dia de anos (que tenho a sorte de  ser oferecido no meu trabalho). Adoro sempre estar com todos os meus amigos e família. Adoro copos e jantaradas. Mas isso já o faço durante todo o ano (felizmente!). 

Este ano, a Primavera deu me um presente-extra: 28 graus previstos para o meu dia de anos (ao contario de há dois anos atrás).

 Pensei que quando chegasse aos 37 anos ia ser uma senhora crescida. Responsável e ponderada. Ia ter uma conta poupança e ver o telejornal. Não ia fazer mais tatuagens não iria gostar de aventuras nem de dormir fora de um bom colchão. Pensei que ia sempre preferir o conforto. Mentira!!!! Claro que nunca pensei que fosse ser assim. E faço questão que assim não seja. O conforto nunca vai ser a minha prioridade. E, na minha vida, comportamentos e atitudes vou sempre continuar a ter 24 anos. Vou sempre preferir uma boa noite ao ar livre, por mais trabalho que ela dê a preparar. Porque, para mim, conforto é ter coração cheio. E por isso, andava eu a pensar no que é que eu gostava mesmo de fazer no meu dia de anos. A resposta acabou por surgir: Delisgar.  Adormecer a ver as estrelas e acordar a ver o mar. Jantar na praia. Dormir na praia. Acordar na praia. Passar o dia na praia. Nós os seis. Mais os dois. No melhor sítio do mundo. 

Depois o meu lado negro de quem tem 37 anos ainda me quis tentar. “Que estafadeira, preparar toda a logística, dormir desconfortável, os miúdos a faltarem à escola…” 

Vale-me ter ao meu lado um homem que olha para as minhas ideias com o mesmo entusiasmo do que eu, mas com a parte boa de descomplicar tudo o que possa parecer menos viável. “Claro que dá para sair do trabalho às 5, buscar os miúdos na escola e estar na Arrábida antes das 8, com todos os utensílios, tenda, almofadas, sacos de cama, almofadas, refeições, guarda sois, dois cães, garrafões de água, mudas de roupa, lanternas, pratos, talheres, montar a tenda numa praia de difícil acesso, fazer o jantar, jantar o jantar, molhar os pés, ver as estrelas, jogar às cartas dentro da tenda e ainda vamos acabar com uma (ou duas) garrafas de vinho Branco quando os miúdos estiverem a dormir.” – “achas? Então ‘bora! É mesmo isso que eu quero!” 

E fomos. 

E foi bom demais.