Uma pequena dissertação sobre as desventuras de uma horta

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Ter uma horta num prédio no meio da cidade é um dos grandes privilégios que temos (e temos vários) na nossa vida. Mas é um privilégio que nos tira tempo, programas, paciência e que muitas vezes nos traz grandes desilusões. A renitência em comprar seja o que for que lá não exista também não ajuda e resulta muitas vezes na taça da salada mais pobre ou num bacalhau à brás sem salsa.

Por isso, ao longo dos anos, temos feito um trabalho interno de relaxar relativamente ao assunto “Horta”. No meio de tanta coisa para fazer e a querer, cada vez mais Viver devagar não podemos sentir este “trabalho” como uma pressão gigante, mas sim gerir isto de forma calma e, sobretudo, sem stress.

Se dá dá se não dá, não acaba o mundo por causa isso. E se, às vezes tivermos de comprar uma alface, que assim seja. E se, às vezes olharmos para a nossa horta privilegiada e, em vez de couve houver um selva temos de pensar que é sinal de um dia-a-dia cheio de vida.

E foi o caso dos meses de Abril, Maio e Junho.

Foram uns meses incríveis intensos, cheios de mudanças e de alegria nas nossas vidas. Livros. Programas. Amigos.

Horta, nem vê-la.

Ou melhor horta era olhar para ela, dar-lhe uma regadela rápida, respirar fundo e pensar que, em breve iríamos ter um fim de semana que lhe pudéssemos dedicar.

Valeu-nos este com dois dias de não-praia dedicados à horta, a podar o que estava a mais, semear para o outono, arrumar canteiros, pôr composto e no meio ainda aproveitámos para nos dedicar também a um dos desejos da Luz: ter mais flores e plantas ornamentais. E lá fomos todos a um garden center, que é igual a ir às compras ao mesmo tempo que se dá um passeio. Este ainda por cima com um parque infantil para os meninos se divertirem enquanto os pais andam a escolher flores… que mais se pode pedir num Sábado chocho de Julho?

E, a verdade é que temos muita coisa a dar e apesar do seu aspecto desarrumado, as coisas lá foram crescendo nestes meses. Embora a um ritmo estranhamente lento para Primavera e sem a mesma vivacidade dos outros anos. Tudo a dar sim, mas sem grande espanto.

Não percebíamos muito bem até que o hortelão lá de casa fez o diagnóstico: falta sol.

Como falta sol? – pensámos nós. Simples, ao longo dos últimos 3 anos na árvore do quintal vizinho foi crescendo  um ramo gigante cada vez mais em cima do nosso jardim e esta Primavera cobria de sombra a nossa horta – óptimo aspecto para passar uma tarde de calor mas péssimo para as plantas e legumes crescerem.

O Francisco decidiu desafiar o nosso vizinho para esta semana fazerem os dois uma poda acrobática – só que, entre falar e não falar, no final da tarde de Domingo o braço da árvore caiu inteiro sobre o nosso jardim mas com tanta sorte que nem uma malagueta se perdeu, nem a barraca/atelier do Francisco se desfez e, mais importante de tudo, ninguém se magoou (já tínhamos subido para banhos e jantares). Cereja em cima do bolo: como caíu, em vez da tal poda acrobática e arriscada a coisa foi bem simples de fazer e com a ajuda da moto-serra do Sr. Mário numa hora e meia estava desfeita a árvore (cá está a sorte que nos acompanha…).

Ok, mas posto isto quem limpa o xinfrim de ramos e troncos e folhas espalhadas por todo um jardim acabadinho de arranjar? E quando? se já este tempo para cuidar da horta foi tirado a ferros…

Simples. Quando uma coisa tem que ser feita, faz-se. E logo no dia seguinte os homens cá de casa desceram só para limpar um bocadinho, como quem começa uma grande empreitada, e nem duas horas depois voltavam com o trabalho todo feito.

Orgulho nos meus dois rapazes, que se queixam queixam, mas que fizeram este trabalho – a adorar e com uma perna às costas – enquanto o pai tratava dos troncos grandes. Partiram e serraram ramos, tiraram folhas, separaram os troncos das folhas e limparam cada recantinho.

Agora o nosso jardim está lindo, tratado e, sem a sombra a impedir os nossos tomates, beringelas e pimentos de crescerem em grande – como sempre acontece nesta altura do ano.

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2 thoughts on “Uma pequena dissertação sobre as desventuras de uma horta

  1. Olá Maria! sigo o teu blog há muito pouco tempo, e o teu livro ainda não está na estante, mas vai estar muito em breve. As poucas publicações que já tive o prazer de ler aqui agradam-me tanto! Identifico-me. E hoje falas sobre um assunto que cá por casa também tem sido colocado na onda do “depois vou lá abaixo e trato de tudo…”, o “lá abaixo” é o nosso quintal. Moramos também no meio da cidade, num segundo andar, mas temos um quintal na cave. Prédios antigos, era assim, toda a gente tinha um punhado de terra. Ora, não posso dizer que tenho uma horta, o nosso quintal é muito pequenito, tem três canteiros que ocupam uma parte e há uma casota ao fundo, onde guardamos os apetrechos e mais umas tralhas. O canteiro maior é para hortícolas, um outro para aromáticas e outro para as flores, e para a doida da hortelã que entretanto já o invadiu. Este ano não demos a atenção necessária ao quintal durante o segundo trimestre, precisamente, e neste sábado o meu filho mais velho e o pai ganharam coragem e limparam as ervas daninhas… algumas já pareciam árvores :/ agora que olho lá para baixo e voltei a ver canteiros e depois de ver as vossas fotos no horto, deu-me cá uma vontadinha de ir a um e voltar para casa com “material” para pôr as mãos na terra! excelente motivação, obrigada 😉

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