Desperdício Zero parte II

(este post tem de ser complementado com este que fez na semana passada um ano que foi publicado).
Tem sido um  longo caminho este do desperdício zero. Caminho esse que já tínhamos começado a percorrer há alguns (bons) anos atrás – bem antes de lhe chamarmos desperdício zero –  e, embora nos tenhamos mantido fieis às decisões que tomámos, nem sempre é um caminho fácil. Umas vezes não conseguimos fazer tudo, outras vezes apetece-nos desistir. Às vezes há uma excepção, outras vezes as excepções acontecem vezes de mais. Às vezes as excepções deixam-nos frustrados e com sentimentos de culpa. Mas, com mais ou menos desvios o caminho vai continuando. Mesmo quando naquele dia nos esquecemos do saquinho para ir as compras. Mesmo quando passamos um verão inteiro a produzir muito mais lixo por semana. Mesmo quando isto. Mesmo quando aquilo. Os desvios são mais que muitos.
Mas é, sem duvida muito recompensador esta busca por uns caixotes de lixo mais vazios. As noticias relativas ao uso de plástico, à produção  de lixo, de têm sido avassaladoras. O Trump a boicotar  o acordo de Paris, os glaciares a derreterem, os animais a morrerem.
A única coisa que podemos fazer, na pequenez da nossa insignificancia perante o mundo sinistro  do poder e do dinheiro é arregaçar as mangas, fazer o melhor que conseguimos e passar essa mensagem aos nossos filhos e àqueles que nos rodeiam. Mesmo que isso dê algum trabalho. É o mínimo.
Neste novo início de ano e de rotinas demos mais alguns  passos em frente no que diz respeito ao consumo responsável e desperdício zero.
Mudámos radicalmente a nossa forma de ir às compras. Já há muito tempo que sabia que esta era uma das pedras no sapato no nosso caminho.  Mas, como sou um bocado resistente a mudanças, sobretudo a mudanças que alterem a nossa rotina familiar, estava difícil de dar este passo. A ida semanal ao supermercado com lista e ementas feitas era, sem dúvida, um facilitador de rotina. Uma só ida, tudo comprado não se pensa mais no assunto.
Agora as compras mudaram cá em casa e, ao contrário do que estava à espera, está a ser muito simples. E acreditem que os caixotes de lixo e reciclagem já diminuíram bastante.  Vai parecer uma loucura enumerado como está aqui em baixo mas na verdade não complicou – de todo – a nossa rotina como pensei que fosse acontecer. Antes pelo contrário. E a questão de  comprar alguns produtos em maior quantidade  acaba por se uma mais valia. Ficamos apenas com as compras rápidas e locais que encaixam muito bem no nosso dia a dia.
O planeta agradece. O nosso corpo também.
Desperdício zero parte 2
1- Uma mudança tão simples e económica que pensamos “como demorámos tanto tempo para a fazer isto”: O detergente de lavar a loiça desapareceu. Mas não desapareceu para nos dar trabalho a fazer um qualquer detergente caseiro. Simplesmente passou a ser o sabão azul e branco o novo detergente da loiça lá por casa.  É só esfregar um pouco na esponja até fazer uma espuma e lavar a loiça normalmente. Um sucesso.
2 – O desodorizante tradicional desapareceu da nossa lista de compras e consequentemente do nosso caixote do plástico. A “pedra de alume” à venda em lojas de produtos naturais custa cerca de 7€ e penso que dura à volta de um ano (embora conheça quem tenha a mesma há quase dois anos). Até ver (:/)os resultados são óptimos, com a parte boa que não cheira nem a suor nem ao cheiro enjoativo dos desodorizantes tradicionais.
3 – O creme hidratante passou a ser o óleo de côco. Confesso que não foi amor à primeira vista e que (para mim) não funciona  muito bem na cara – mas de resto, estamos a adorar. Tanto para os miúdos como para nós.  Hidrata bem, dura mais e cheira melhor. Já alguém leu uma teoria que só devíamos pôr na pele produtos que se pode comer – faz sentido não é?- na verdade vai ser tudo absorvido pelo nosso organismo…
4- O champô e o amaciador passou a ser  Sólido. Tem um investimento inicial um bocado maior, mas também não é uma loucura. Não tem embalagem, tem um óptimo cheiro e faz espuma mal se esfrega um pouco no cabelo. Comprei nesta loja. Na verdade apetece comprar  (e comer) tudo . Aqui também têm a hipótese, quando os produtos são embalados e não em barra de re-encher os boiões de forma a não ter de estar sempre a comprar uma nova embalagem. Fantástico, não é?
5 – Os legumes (os que não temos na horta) são entregues em casa, à terça feira pela BOA COLABORATIVA, são biológicos e produzidos aqui mesmo ao lado. Não traz  sacos e temos a certeza daquilo que estamos a comer. Claro que é um investimento mas, na verdade, com esta forma de consumo estamos a poupar noutros lados que nos permitem abrir mão de uns euros em troca de melhor qualidade.  Temos ainda a possibilidade de acrescentar bom mel e ovos biológicos de galinhas criadas em liberdade.
6- A fruta vem da mercearia  da esquina (o cabaz da BOA traz também alguma fruta biológica, mas é tão boa que desaparece num instante)  onde damos um pulo quando é necessário.
7 – A carne (que consumimos apenas uma a duas vezes por semana) é comprada num  talho perto de nós. Já falei com o senhor do talho sobre a hipótese de levar os nossos próprios tuperwares  para poder dispensar os sacos. Para ele não tem qualquer problema. Mas ainda não o fizémos.
8 – O peixe vem da praça e, como é fresco, se for caso disso congelo-o até ao dia que o quero consumir.
9 – Os secos são comprados em quantidades maiores em lojas a granel. Feijões,  farinhas, aveias, café  e as semente para os cereais. A ideia é só ter de ir a estas lojas uma vez por mês.
10 – O que ainda mantemos no supermercado (numa ida que se tornou rápida, simples e barata):
– o arroz, a massa e o açucar.
– papel higiénico
– as charcutarias (queijos e fiambre)
– leite  e a manteiga
– a comida dos cães
– a papa da Luz
– pasta de dentes
– o weetabix do Jacinto
– vinho e cerveja
– outras coisas que me estou a esquecer ou que nos apeteça ter em casa
– as fraldas já estão mesmo a acabar cá em casa (só uma por dia!). As toalhitas já não existem.
Bem sei que, enumerado assim parece uma trabalheira de compras, foi o que pensei durante anos. Mas, na verdade, pelo facto de comprarmos em maiores quantidades e produtos que duram mais não é tão complicado como parece, muito pelo contrário. É só uma questão de integrar estes gestos na nossa rotina.
Para já, tudo o resto se mantém igual. Sempre com  alguns desvios, claro… o importante é manter o foco e deixar os sentimentos de culpa de lado.
E ter a certeza que até o mais pequeno gesto é imenso.
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2 thoughts on “Desperdício Zero parte II

  1. Olá Maria. Os posts sobre o desperdício zero são os meus preferidos. E desde que sou mãe (3 anos) que a questão do Viver Devagar começou a tornar-se particularmente importante. Adorei conhecer a LUSH, obrigado pela partilha. Desconfio que vou recorrer a ela para o Natal e para mudar algumas coisas lá em casa. E apesar de tentar sempre, nem sempre consigo fazer do desperdício zero um sucesso: os resíduos orgânicos nem sempre vão para a compostagem, às vezes os sacos reutilizáveis ficam em casa e compro coisas com mais embalagem do que gostaria. 🙂

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