Os vestidos (ou a tradição já não é o que era)


Há já uns anos que tenho como tradição familiar, nas festas de aniversário fazer uma roupa para os quatro, para dois ou pelo menos para um. 

Este ano, e pela primeira vez não costurei nenhuma roupa para nenhum deles. Na verdade foram várias as razões para que isto acontecesse. Mas o sentimento de frustração não se deixou intimidar por elas. Eu que  sempre me orgulhei de ser capaz. Eu que sempre gostei do “Sim eu tenho quatro filhos e um trabalho e consigo costurar roupa para os meus filhos!”

Mas desta vez não consegui. Porque ainda estou a aterrar nos recomeços. Porque fui “passear ” uns dias para a costa vicentina. Porque tinha o primeiro post para o Slower. Porque não tinha dinheiro para comprar tecidos. Porque tenho três filhos a fazer trabalhos de casa. Três mochilas para gerir. Porque tenho estado cansada, de noite. Porque isto. E porque aquilo. 

Na verdade não tenho de ir a todas e não posso ser assim tão rígida e exigente comigo própria e com estas tradições a que me proponho. Porque na verdade não são elas que fazem a felicidade dos nossos filhos. Somos nós. Só nós. Todos e inteiros, nós.

Lembrou-se a Luz – ao ver me triste porque não ter um vestidinho mais arranjado para as vestir num dia de festa – que tínhamos uns vestidos, bem antigos, mas como novos, guardados para uma ocasião especial. E a ocasião era mesmo esta. E há sempre um lado bom nas coisas que nos parecem menos boas.. Os vestidos são lindos e elas lindas ficaram. E eu feliz e pronta para regressar à máquina de costura (sem a pressa da festa!)

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5 thoughts on “Os vestidos (ou a tradição já não é o que era)

  1. O que dizes é tão verdade…temos de estar lindas e maravilhosa, enquanto fazemos um malabarismo entre cuidar dos filhos, ter a casa limpa e arranjada, trabalharmos fora de casa com verdadeiras power women, cozinhar como chefes, ir ao ginásio todos os dias e conseguir isso tudo com um sorriso no rosto. Temos de tentar ser menos exigentes connosco, e pensar que o nosso melhor é algo bem mais simples do que pensamos. Vestidos lindos…grande beijo.

  2. Elas tiveram roupa Nova e igual para as duas. E ficaram felizes por isso isso. Sem culpas. Não se pode chegar a tudo. Um beijo pelos anos da minha mais nova

  3. Quando vi as fotografias ainda antes de ler o texto pensei: “Uau, a Maria fez uns vestidos lindos!”
    Mas já percebi que não e é mesmo assim às vezes. Não chegamos a tudo e não temos de chegar. Temos de estar e ser felizes! Parabéns!!

  4. Não resisto a comentar…identifiquei-me tanto com este teu post (permita-me trata-la por tu) tenho duas meninas, um trabalho, o trabalho de casa, mil e uma ideias de coisas para fazer porque adoro criar, adoro o handmade, e a isto junta-se o gosto pela costura e poder fazer-lhes roupinhas. Este ano para o aniversário da C. interiorizei que não podia ser tão exigente comigo e os vestidos também foram comprados. E o que eles gostam mesmo é de termos tempo para eles, e esse tempo que quando crescerem já não o vão pedir tanto. Compreendo-te, e confortou-me saber que não estou sozinha quando queremos dar um pouco mais de nós para algo mais personalizado, mais tradicional. Confesso que já ando a pensar nos do Natal…
    Ficaram lindas, os vestidos são lindos e a mesa de aniversário maravilhosa. Um beijinho

  5. Amar, é também, “não ter que ir a todas”.
    Amar, É o que a Maria faz todos os dias!! <3… e que felizes estavam (e são) as suas filhotas!!<3 ❤

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