Fazer farinha

Já há mais de 8 anos que cá em casa não compramos pão. Somos os nossos próprios padeiros e apesar de não sermos mestres na arte de fazer pão, fomos aperfeiçoando e afinando a nossa receita e a verdade é que ele é, sem dúvida, cada vez melhor.

Ao longo destes anos um dos problemas com que sempre nos debatemos era a origem da nossa farinha – querer ser o mais natural e sustentável possível e “ir até à matéria prima mais prima” e depois fazer pão com uma farinha processada de forma industrial, e sabe se lá mais o quê, não está com nada. Ainda tentámos as farinhas biológicas, mas financeiramente são incomportáveis para nós, procurámos encontrar produtores, mas a coisa não andava fácil. Foi então que, há cerca de um ano atrás, o craque do pão – Paulo Sebastião – nos apresentou às farinhas Paulino Horta e ao grande Paulo – um dos dois irmãos responsáveis por esta empresa  – que para além de uma simpatia infinita e contagiante é alguém completamente apaixonado por aquilo que faz e com gosto e orgulho genuíno em fazer uma tão boa farinha.

O nosso pão melhorou do dia para a noite – esta é uma farinha viva e em que são conservados todos os componentes do trigo o que resulta num pão saboroso, nutricionalmente rico e saudável.

Enfim, desde que conhecemos o Paulo que, contagiados pela sua paixão, andamos com vontade de perceber onde e como é feita a  NOSSA farinha, aquela que nos dá o pão nosso de todos os dias, e aprender um pouco sobre arte de ser moleiro.

E assim foi. Esperámos por um Sábado sem chuva (e por isso temos esperado tanto) e rumámos para Alenquer onde fomos recebidos de braços abertos pelo Paulo:

Visitámos o moinho onde o seu pai fazia a farinha (que está conservado ao nível do melhor dos museus, com todos o pormenores, dos utensílios aos parafusos, às mantas onde o moleiro se aquecia no Inverno).

Assim ficámos a saber como era antigamente a vida – dura – de um moleiro. Como era uma pessoa importante para todos, com a responsabilidade de zelar pela base da alimentação de uma comunidade, como trabalhava dia e noite. Como tinha de saber estar sozinho durante muito tempo – quando fazia a farinha  – e ao mesmo tempo ser simpático e afável com todos – quando vendia a farinha. Como qual marinheiro em alto mar tinha que ser capaz de por si só manejar e conduzir o seu moinho mas também de se encarregar de toda e qualquer manutenção. De como um moinho é um exemplo vivo de um saber e cultura milenares, pensado ao mais pequeno detalhe, onde cada pormenor tem uma função.

Depois de percebermos como funcionava o moinho antigo, avançámos para perceber como, com os saberes de antigamente e com os progressos de hoje se faz a melhor farinha.

Começámos por ver os silos onde se guardam os cereais, a seguir as máquinas onde meticulosamente se limpam e preparam os cereais. Depois onde e como se mói a farinha – sendo que vimos fazer das duas formas – na mó e no cilindro. Vimos tudo a trabalhar, os pormenores que são precisos para que o produto final surja de uma forma tão saborosa e com tanta qualidade.

Foi uma visita guiada incrível onde assistimos ao vivo à paixão que é preciso para fazer o melhor. E que bom que é, para todos, percebermos de onde vem a farinha que usamos para fazer o nosso pão.

Viemos de lá com mais de 30 quilos de farinha do melhor que há, umas misturas especiais, outras de trigo normal mas todas elas feitas com muito trabalho e amor.

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4 thoughts on “Fazer farinha

  1. Olá Maria!
    Obrigada pelo teu post. Em Lisboa encontramos farinha do Paulino? Também tenho feito o próprio pão em casa e gostava de apostar em boas farinhas e já agora promover o comércio justo.
    Obrigada e muitos parabéns pela família incrível. São uma inspiração.

  2. Oh Maria, que delícia de post, que delícia de vida, de família, de pensamento, de tudo!
    Ontem ia a conduzir e a falar com uma colega do stress das horas anteriores a tratar de tudo em casa e de seguida disse “o caos calmo, como diz a Maria Cordoeiro” e nesse instante tive a certeza que ficarias surpreendida por duas pessoas relativamente jovens que não conheces, um deles sem filhos sequer, enquanto dormes, estarem a conduzir e a citar-te, como tantas vezes o fazem com imensas personalidades pelo mundo fora.

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