Querido diário dia 16 e 17 ou “os primeiros dois dias da segunda temporada de tele-escola”

Tudo bem. Faz-se.

Não digo que não estejamos a conseguir mas é definitivamente uma maluqueira. Ora bem: os rapazes iniciam-se nas aulas por Teams às OITO em ponto. Sabem o que é OITO em ponto em frente a um computador ainda no escuro do quarto? É que Ainda é noite, temos de acender as luzes e cheira a dormir. Bem que podiam dar-nos mais meia horinha para um pequeno almoço mais tranquilo ou, pelo menos para poupar acender as luzes. Mas tudo bem. Faz-se. Apesar de tudo eles não se atrasam: calças de pijama por baixo, camisola por cima a disfarçar. Suponho que as remelas não se notem pelo vídeo – são obrigados a ter a câmara ligada o que significa que temos de ter imenso CUIDADO. Eu não tive assim tanto pelo que apareci de pijama várias vezes na aula do Ben enquanto, ainda ensonada, tentava arranjar qualquer coisa no computador do Jacinto que não se estava a conseguir ligar. Portanto, já sabemos entre as 8 e as 13 ninguém entra naquele quarto, caso contrário aparecemos no meio de uma sala de aula – faz me lembrar aquele velho e típico pesadelo de irmos nus para a escola. Mas agora é mais sinistro ainda. A escola inteira está em tua casa.

Tudo bem. Faz-se. Até chegar uma nota da professora de um deles a falar de desatenção na aula e que teve registo de comportamento insuficiente. Para primeira aula começa bem. Ok professora, vou falar com ele. É que eu até controlo que eles estejam em frente ao computador às 8 da manhã, e tento evitar que o Lucas faça uma birra maluca no chão do quarto deles à qual é impossível eles não olharem e manterem a atenção plena nas equações matemáticas. Mas às vezes não dá, sabe? Somos 7 por aqui e isto sem contar com os cães e o gato que também têm gosto em ir enrolar-se a brincar furiosamente no quarto-escola. Já para não falar que a pausa de um não é a pausa do outro: “FECHA A PORTA!” “CALA-TE ESTOU NUMA AULA”. Dizem aos gritos, como se estivessem realmente a dar essa importância toda à aula.

Eu entretanto vou tentando fazer as minhas coisas, e tentando que os mais pequenos façam pouco barulho, “os manos estão nas aulas” digo aos dois pequeninos espalhados em semi-auto-gestão. Tudo bem. Faz-se. Mas Ai o que me irrita saber que não podemos fazer barulho porque eles estão ali entre ter aulas e no chat com os amigos a ter conversas paralelas. Tantas coisas que podiam estar aprender se o formato fosse outro e não este -embora fingir que é tudo igual e debitar matéria durante 50 minutos – se já não é um formato em que acredito “ao vivo” assim nem comento….

Depois acabam as aulas síncronas “Mãe tenho até às 13 para fazer 18 exercicios” Ok, bora lá! Eu ajudo. Tira foto, manda foto, carrega foto. Tudo bem. Faz-se.

Corta para: “mãe, tenho fome” dito a espreitar pela porta com um ar importantíssimo de quem está a ter uma aula igualmente importantíssima. “Espera pelo almoço, agora não tenho tempo.” Ao meio dia, vamos lá despachar um almoço. Já agora adianto o jantar – oh merda – é bacalhau à Braz, tudo bem, vamos lá desfiar o bacalhau ao meio dia enquanto a massa do almoço coze e se fritam uns ovos. Ah espera, agora a Luz tem aula de Inglês. “Luz podes ir para a aula de inglês, prepara tudo que a mãe tem as mãos sujas de bacalhau?” “Depois levo-te lá o almoço à aula que agora ainda não está pronto”. Tudo bem. Faz-se.

“Mãe não consigo entrar na aula” ” Mãe posso fazer a aula no teu computador que o meu está sem bateria e não encontro o carregador?” “Podes mas daqui a nada preciso dele. Tenho de trabalhar e às 16 tenho reunião de pais da sala da Jasmim. (oh não, Lucas não dormiu). Já a Jasmim anda a cortar papelinhos miniatura pela casa fora para um dos milhares de projetos que ela adora fazer “sim querida, faz o que quiseres o importante é estares entretida… “

Tudo bem. Faz-se. Os rapazes já acabaram às aulas há horas mas continuam enfiados no quarto em frente aos computadores . Estão a disfarçar. E eu também. A Luz fez queques de limão outra vez , tão querida. Sem ajuda sem nada, mas claro, a cozinha toda desarrumada e.. a cheirar a bacalhau. Ah é verdade!: . “BEN!!! tens que ir para a aula de piano daqui a SEIS minutos, não te atrases e POR FAVOR não me interrompam agora que eu vou para uma reunião”. Lá vem o Lucas, adora sentar-se ao meu colo quando vou para reuniões. Tudo bem. Faz-se. Depois de me pôr a mão dentro da camisola (um hábito que mantém desde que descobriu as coisas que as mãos podem fazer) a meio de uma reunião adormeceu, querido demais no meu colo. Como o adoro.

Ai como é bom, viver devagar.

Nota: estes dois dias estão misturados aqui e também na minha cabeça. Não sei precisar o que se passou num dia e no outro. Mas acrescento que no meio, entre fazer uns cereais da força e ver o episódio mais assustador do Twin Peaks finalmente comecei os treinos HIT às 8 da manhã (faço tudo para me escapar a entrar novamente de pijama na aula deles)! Ahhaha E já sabem: o truque é ouvir música no banho! E, lembrem-se esta semana faria anos o Bob, oiçam as suas músicas e a sua mensagem. Vão se logo sentir melhor, don’t worry about a thing, cause every little things gonna be allright!

8 thoughts on “Querido diário dia 16 e 17 ou “os primeiros dois dias da segunda temporada de tele-escola”

  1. Não podia gostar mais da vossa atitude, na qual me revejo na vida algo caótica que também aqui por casa se vive e em muitos outros lares, espalhados por este país em confinamento! Temos mesmo de descontrair, a bem da sanidade mental! Força para vocês!! 👌

  2. Bom dia! Por aqui embora sejam três filhos, com dois em idade escolar tb não tem sido muito fácil. Mas lá se vai fazendo. As aulas começam as 9h mas nem sempre. Para o mais velho, que anda no 8 ano, quase sempre começa às 13h. Optaram por manter o horário da escola, entre aulas síncronas e assíncronas. Depois, o facto de estarem em construção praticamente aqui só lado, o barulho das máquinas começa cedo, o que também não ajuda. Mas é a nossa realidade! Temos que ter paciência! Força!

  3. Já devia estar a trabalhar (manhã nesta casa é tempo de filhas com o pai e tenho que a aproveitar para avançar no meu trabalho), mas estou ainda na melhor pausa: ler este diário. É uma das coisas a que me permito para bem da minha sanidade mental (pausas e malha 😉 )
    Obrigada por este diário tão bom, e muita “leveza” para viver com “calma” as próximas semanas.

  4. Força, Maria, estamos todos no mesmo barco, sendo que alguns barcos estão mais ocupados que outros!! Por aqui são 2 crianças pequenas e 2 crianças grandes ahaha, e revejo-me totalmente no comentário sobre o tipo de ensino que temos…
    E sim, música no banho, podia ser o nosso momento sem ouvirmos “Mãe….” mas “Tudo bem, faz-se!”
    E eu ainda acrescento que todos os dias espero por este diário, é quase o meu “moment of zen”, adoro Maria, força, é uma inspiração muito grande!!

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