Seis meses

Faz hoje 6 meses do fatídico dia 15 de outubro de 2017. Seis meses do dia em que um monstro em forma de chamas destruiu e levou as casas, os animais os sustentos e as construções de uma vida de tantos portugueses.

Por lá o verde começa a aparecer. Os sorrisos já surgem mais facilmente, as pessoas estão mais serenas, mais tranquilas. E, a sua vida segue cada vez mais dentro da normalidade. Life goes on. Os apoios começam a chegar. Os barracões já estão limpos e muitos deles quase prontos. Alguns mudaram de vida. Outros recomeçaram outra vez.

Das 41 casas ardidas nesta freguesia, 12 vão começar a ser reconstruídas. A junta de freguesia já tem novas instalações. A casa SOS já está pronta e a dar abrigo a uma das famílias que perdeu tudo – e que não tinha para onde ir.

E nós? Qual o nosso papel agora?

O nosso trabalho ainda não acabou. O Não Vamos Esquecer tem estado calado, mas não parado. O nosso compromisso era não esquecer, e é esse o compromisso que continuamos a honrar.

O NVE, cresceu e amadureceu e tal como as necessidades mudaram também nós mudamos a nossa actuação.

A nossa presença no terreno continua. E vai sempre continuar – as relações que ali fizemos são genuínas e para toda a vida.

Mas, o nosso apoio centra-se agora, depois de muito pensarmos e reflectirmos, em alguns pontos importantes que gostava de partilhar com vocês:

– muitos pastores e agricultores já construíram os seus barracões que estão agora prontos para receber… o gado. Mas que triste, pobre e sem vida ficam sem a sua personagem principal – os animais! E que difícil é, para estas pessoas, adquirir outra vez todos os animais.

Cada ovelha custa cerca de 100€. Alguns perderam 10, outros 30, outros apenas 2 ou 3. Começámos sexta feira a oferecer ovelhas a quem as perdeu e ainda não as conseguiu comprar.

É um processo demorado. Não é uma questão de comprar uma série de ovelhas por atacado e distribui-las por quem precisa. As pessoas gostam de escolher as ovelhas que querem, o que faz, obviamente, todo o sentido mas que torna todo o processo bastante moroso. Esta sexta feira passamos então a tarde a conhecer ovelhas e pastores que vendem ovelhas, com o objectivo de dar 3 ovelhas ao Fernando. Ele finalmente encontrou aquelas com quem mais empatizou e ficou feliz. Arderam-lhe 14, já tinha comprado 3 mas tão depressa não ia conseguir comprar mais.

– vamos também criar uma “conta aberta” numa loja local de Materiais de Construção Civil, em parceria com a Junta de freguesia. Cada pessoa (sobretudo quem não foi contemplado com qualquer tipo de apoio) vai poder ir “às compras” na loja do Ricardo sem ter de gastar dinheiro.

Mais:

– temos planeadas acções de limpeza da floresta em parceria com a Caule. Alguém viu a Selecção de Rugby nas notícias a cortar árvores e limpar a floresta? Pois bem essa acção foi organizada por nós … e mais virão!! Fiquem atentos!!

– Queremos muito reconstruir o parque de merendas de Covas que ardeu todo. Era um espaço comunitário muito usado pela população e que tinha acabado de ser arranjado, ardeu todo.

E por fim, e muito importante para que consigamos continuar com estes projectos todos (para além dos sempre bem vindos donativos) uma excelente iniciativa que foi proposta pela 9. Mas antes deixem-me só dizer umas palavras sobre o papel da 9 no Não Vamos Esquecer:

Este caminho de crescimento do Não Vamos Esquecer tem sido possível – sobretudo por termos tido sempre do nosso lado, a incrível agência 9 the creative shop. Foram eles que nos deram força quando desmoralizamos. Foram eles que acreditaram desde o início que isto ia valer a pena. São eles que têm as melhores ideias, criaram o nosso logo, as páginas das redes sociais, dinamizam acções e, não pensem que são só uma agência que está no escritório a tratar da imagem e do marketing porque, quando é preciso arregaçar as mangas e partir para o terreno, são os primeiros a abdicar do fim de semana para fazer o que for preciso. Lá.

Pois bem, a 9 lembrou-se e desenhou umas pulseiras simples e bonitas para angariar fundos. As pulseiras são estas da imagem abaixo. Cá em casa já todos as usamos. Uns nos pés outros nas mãos.

Para já ainda não temos pontos de venda, mas estará para breve. De qualquer forma se quiserem comprar entrem em contacto com qualquer um de nós. Cada pulseira custa 2€. O valor angariado vai 100% para a conta aberta na loja do Ricardo ou para oferecer ovelhas a quem as perdeu. No trágico dia 15 de Outubro de 2017.

Obrigada por terem lido até ao fim, um post tão comprido.

O Não Vamos Esquecer é de todos e precisa de todos.

Ps. Um sentido obrigada a todos os particulares, à Joana Limão, aos CTT e à Brisa pelos generosos donativos que têm tornado a nossa ajuda e as nossas idas ao terreno possíveis.

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Fazer farinha

Já há mais de 8 anos que cá em casa não compramos pão. Somos os nossos próprios padeiros e apesar de não sermos mestres na arte de fazer pão, fomos aperfeiçoando e afinando a nossa receita e a verdade é que ele é, sem dúvida, cada vez melhor.

Ao longo destes anos um dos problemas com que sempre nos debatemos era a origem da nossa farinha – querer ser o mais natural e sustentável possível e “ir até à matéria prima mais prima” e depois fazer pão com uma farinha processada de forma industrial, e sabe se lá mais o quê, não está com nada. Ainda tentámos as farinhas biológicas, mas financeiramente são incomportáveis para nós, procurámos encontrar produtores, mas a coisa não andava fácil. Foi então que, há cerca de um ano atrás, o craque do pão – Paulo Sebastião – nos apresentou às farinhas Paulino Horta e ao grande Paulo – um dos dois irmãos responsáveis por esta empresa  – que para além de uma simpatia infinita e contagiante é alguém completamente apaixonado por aquilo que faz e com gosto e orgulho genuíno em fazer uma tão boa farinha.

O nosso pão melhorou do dia para a noite – esta é uma farinha viva e em que são conservados todos os componentes do trigo o que resulta num pão saboroso, nutricionalmente rico e saudável.

Enfim, desde que conhecemos o Paulo que, contagiados pela sua paixão, andamos com vontade de perceber onde e como é feita a  NOSSA farinha, aquela que nos dá o pão nosso de todos os dias, e aprender um pouco sobre arte de ser moleiro.

E assim foi. Esperámos por um Sábado sem chuva (e por isso temos esperado tanto) e rumámos para Alenquer onde fomos recebidos de braços abertos pelo Paulo:

Visitámos o moinho onde o seu pai fazia a farinha (que está conservado ao nível do melhor dos museus, com todos o pormenores, dos utensílios aos parafusos, às mantas onde o moleiro se aquecia no Inverno).

Assim ficámos a saber como era antigamente a vida – dura – de um moleiro. Como era uma pessoa importante para todos, com a responsabilidade de zelar pela base da alimentação de uma comunidade, como trabalhava dia e noite. Como tinha de saber estar sozinho durante muito tempo – quando fazia a farinha  – e ao mesmo tempo ser simpático e afável com todos – quando vendia a farinha. Como qual marinheiro em alto mar tinha que ser capaz de por si só manejar e conduzir o seu moinho mas também de se encarregar de toda e qualquer manutenção. De como um moinho é um exemplo vivo de um saber e cultura milenares, pensado ao mais pequeno detalhe, onde cada pormenor tem uma função.

Depois de percebermos como funcionava o moinho antigo, avançámos para perceber como, com os saberes de antigamente e com os progressos de hoje se faz a melhor farinha.

Começámos por ver os silos onde se guardam os cereais, a seguir as máquinas onde meticulosamente se limpam e preparam os cereais. Depois onde e como se mói a farinha – sendo que vimos fazer das duas formas – na mó e no cilindro. Vimos tudo a trabalhar, os pormenores que são precisos para que o produto final surja de uma forma tão saborosa e com tanta qualidade.

Foi uma visita guiada incrível onde assistimos ao vivo à paixão que é preciso para fazer o melhor. E que bom que é, para todos, percebermos de onde vem a farinha que usamos para fazer o nosso pão.

Viemos de lá com mais de 30 quilos de farinha do melhor que há, umas misturas especiais, outras de trigo normal mas todas elas feitas com muito trabalho e amor.

Piquenique

Na verdade não estava a pensar fazer um post sobre o nosso piquenique de ontem, sobretudo porque tenho a mania que não posso repetir posts sobre os mesmos programas. Mas, dado o carinho e entusiasmo mostrado nas “histórias” do instagram por vocês, cá vai:
Falo pouco no meu trabalho, mas acho que já perceberam que, sou psicóloga e trabalho na área social já há mais de 6 anos. Diz quem estuda estas coisas que, o trabalho social está no top dos trabalhos mais stressantes e desgastantes. E o meu não é excepção. Isto já para não falar no cansaço que esta quinta gravidez me está a causar…
Mas enfim, aqui não é sitio para falar de trabalho, só para explicar que há dias que são mais difíceis do que outros e ontem foi um dia especialmente difícil.
Então, o Francisco que não gosta de me ver em baixo, lembrou-se de organizar um piquenique. E, com o tempo que estava o piquenique tinha de ser mesmo … na sala. Já não é a primeira vez que o fazemos e é sempre um programaço. Saímos da rotina, petiscamos coisas boas, enfim é sempre uma animação. Ontem tínhamos palitos de cenoura com molho de quejo e mostarda, maçarocas (é um clássico dos nossos piqueniques as maçarocas), croquetes, pistácios, manga, maracujá, gomas (sim gomas) tostinhas com queijo e uma massa com legumes para que ninguém ficasse com fome (e porque temos sempre que pensar na marmita para nós dois). O piquenique é livre e cada um põe o que quer no prato pelo que tínhamos alguns pratos com: gomas, croquetes, queijo e manga – ao mesmo tempo. Mas é assim que se faz um piquenique anti-neura: sem regras (até há quem coma com os pés como podem ver numa das fotografias acima)
Os cães também tiverem direito a piquenicar e “jantaram na sala” ideia do Jacinto que achou que eles estavam um bocado ciumentos de nos verem a comer no chão – e com toda a razão!
Acabado o piquenique ainda animados do tão divertido programa enroscámo-nos uns nos outros e fomos até ao cinema também em nossa casa. Peter Pan esse clássico que todos adoram foi o filme escolhido para terminar a nossa noite. Escusado será dizer que a neura, já era e que, já não é a primeira vez que esta técnica resulta de verdade.
Não precisa de ser um piquenique, mas muitas vezes fugir à rotina quando nos sentimos mais em baixo é uma boa forma de recuperar as forças, pôr as coisas em perspectiva e deixar o cansaço para depois.
Hoje, depois da noitada, foi mais custoso para todos acordar mas… who cares?, é sexta feira!!

5

(Desenho da Luz)

Quando no dia 1 de janeiro tomei a decisão de não fazer planos nem pedir desejos para o ano que iniciava, não fazia ideia que 2018 me traria o maior de todos os projectos que uma família pode ter. Um filho.

Às vezes pensamos demais e se tivéssemos pensado demais provavelmente este bebé, nunca iria existir. Seria apenas um sonho por concretizar.

Mas agora que cresce em nós este quinto filho, temos a certeza que era mesmo esse o plano que a vida tinha para a nossa família. E que assim tudo faz ainda mais sentido.

Sete mais dois. ❤️

Estufa Fria

Dos sítio em Lisboa onde mais gosto de ir.

Tínhamos os filhos distribuídos entre tios e avós. Uma maravilhosa manhã molengona em modo da nossa outra vida (vida pré-filhos = outra vida). Confesso que sabe muito bem mas, rapidamente me dá a hiperactividade miudinha “mas que raio estou eu a fazer em camisa de noite com o dia tão bonito lá fora!!”

Então, toca de ir ter com os meninos. Estavam no parque infantil do Parque Eduardo VII. Mesmo ao lado da estufa fria. Depois de ali bebermos um café, a minha mãe teve a ideia maravilhosa (e amorosa) de nos convidar a ir almoçar … à praia !

Mas, os nossos filhos são doidos pela estufa fria – eles e nós! – então, porque não dar por lá um passeio antes de almoço? (sabiam que é gratuita a entrada aos domingos de manhã?)

Não há sítio mais calmo, fotogénico e bonito no meio da nossa cidade. Não estivemos por lá muito tempo, que a fome apertava e ainda íamos para a praia, mas deu para passear, brincar e ainda ler umas histórias .

Na praia, tirando a fome estava um dia lindo demais. Ameno, mar forte, zero frio. Deu para matar saudades do mar e de brincar na areia mas, apesar de tudo, soube a pouco.

Sabemos que a chuva vem amanhã e só temos de estar agradecidos .

Temos o país interno assolado por uma seca extrema. Vamos fazer danças, rezas e tudo o que for preciso para que a chuva venha abundante.

(Enquanto isso poupar água, cuidar do ambiente, poupar água, poupar água, poupar água)