Hoje o Lucas faz seis meses

Hoje o Lucas faz seis meses.

Curiosamente, no dia que a Jasmim fez seis meses publiquei um texto que falava das coisas que, tendo muitos filhos não lhes podíamos proporcionar. Falava de lhes dar irmãos e uma família cheia e que isso era preferível a tantas outras coisas como, por exemplo, ir à Disney.

Enfim, curiosidade à parte, o Lucas faz seis meses no dia que aproveito para partilhar a nossa viagem, a nossa primeira viagem em família, que se proporcionou por causa das pinturas do Francisco terem uma exposição em Paris.

Foi uma viagem espectacular e fico feliz por termos conseguido oferecer esta experiência aos nossos filhos (e a nós também – eu não andava de avião desde 2003…)

Se valeu? Valeu! Se soube bem? Soube lindamente. Se nos enriqueceu viajar em família? Muito! Se foi divertido ? Foi um máximo! Se somos mais felizes por termos feito esta viagem? Não. Claro que não.

A felicidade vem de outras coisas.

Hoje o Lucas faz seis meses.

E já é segunda feira outra vez

Demorámos muitos anos  a perceber o nosso ritmo de fim de semana ideal. Sobretudo demorámos muito tempo a aceitar que, ao Sábado não conseguimos sair cedo pela manhã. Assumir esta incompatibilidade foi meio caminho para a felicidade.
Na verdade  querer apressar o ritmo para não perder o sol nem o ar puro apressando toda a família no primeiro dia de descanso, sem aproveitar um bocado de ronha é meio caminho para o fim de semana nos escorregar das mãos.
Procuramos um equilíbrio que nos permita fazer tudo  sem stress, sem discussões,  e com cinco filhos em idades diferentes. Então, deixámos de acreditar que conseguimos “meter o Rossio na Betesga”. E tirámos um bom peso de cima.  Mas como?
Sexta à noite é dia de deitar tarde, ver filmes, jogar jogos,  jantarada de amigos, o que quer que seja, é noitada para todos.
Sábado de manhã, percebemos com a vida (e com os filhos) que não vale a pena fingir  que vamos conseguir sair de casa cedo. Nem cedo nem tarde, Sábado de manhã é para ficar na ronha bem merecida e contrariar o “vai-te vestir” “despacha-te estamos com pressa” que temos na correria dos dias.  Sábado de manhã cada um faz o que quer. Eu trato das panquecas Eles tratam do que quiserem.
Sábado à tarde (abolimos as sestas) aí sim já é hora de sair sem ter hora para voltar. Praia, piquenique, festas de anos. Passear, almoçar, visitar os avós, os tios ou os primos. Ir ao cinema, ao parque ou ao futebol. O dia ainda é longo -sobretudo sabendo que não há horas para voltar.
Outra descoberta, para que a semana não comece  logo aos trambolhões é, ao Domingo, fazer EXACTAMENTE ao contrário de Sábado: sair cedo (ou cedo qb para um dia bem aproveitado) e voltar a casa cedo. Com tempo para ter tempo de organizar a semana que  vai começar, fazer trabalhos, catar piolhos e arrumar a casa, estudar, preparar a pizza e dar banhos, organizar mochilas, (tentar) deitar  cedo e já é segunda-feira outra vez.
Com o tempo e com os filhos, percebemos que é tudo sobre desacelarar e aproveitar o que o fim de semana de (apenas) dois dias pode oferecer. Começar tarde o sábado de rua e acabar cedo o domingo de rua. Isto porque, para nós, aproveitar a casa sem pressa é tão importante como aproveitar o sol depressa.
E vocês? Qual é o vosso ritmo de fim de semana?

 

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Querido Blog

Querido Blog,

Escrevo-te para te dar noticias de nós que sei que há muito que não tens…

Por aqui estamos todos bem.

Ter cinco filhos tem sido uma experiência incrível, acho que nunca estivemos tão felizes em toda a nossa vida, estamos abismados com esta capacidade que o amor tem de crescer mais e mais nos nossos corações. É impressionante!

Os meninos estão todos bem e a crescer (demais). O Jacinto já está no 6º ano, telemóvel e tudo o mais que os meninos de 12 anos de hoje em dia gostam de fazer. O Benjamim tem 9 anos, continua a adorar musica, legos e livros. A Luz, imagina tu, que já tem 7 anos continua com a sua paixão por animais (diz que quer ser veterinária) e a andar SEMPRE descalça. A Jasmim, fez 4 anos pouco depois de nascer o Lucas e cada dia que passa está uma menina mais bonita e doce. Os cães estão bem, o Badu já vai com 15 anos está muito velhote e a perder as forças nas patas de trás. O Zappa continua doido e a dormir todas as noites na cama do Ben.

O Lucas – mais conhecido cá em casa por Lindono Fofucho, é um bebé que, desde que esteja ao colo está sempre bem! Trouxe à nossa família uma imensidão de mimo e de amor. Parece que veio ao mundo para fazer de nós uma família mais completa e unida (e também tornar as noites de sono mais incompletas, e o espaço na nossa cama mais pequeno). Ainda só mama e assim vamos continuar enquanto nos apetecer.

Tive a sorte (pela primeira vez nestes filhos todos) de conseguir pedir a licença alargada e então ainda vou ficar em casa com ele mais três meses, o que é fantástico!

Têm-nos perguntado muitas vezes como é ser pais de cinco. Tem sido a melhor coisa que nos aconteceu, ainda por cima com os manos crescidos temos sempre imensas mãos para ajudar. Mas claro: a máquina de costura está na estante, as tradições em stand by, as agulhas de tricot paradas, os livros na mesinha de cabeceira a aumentar – bem como as olheiras. Na horta só crescem ervas daninhas e, vir escrever-te tem ficado para segundo plano. Mas tenho boas noticias também: finalmente conseguimos comprar um computador e por isso vai ser mais fácil escrever.

2018 foi um ano muito especial para nós – somos gratos por isso todos os dias- não só pelo nascimento do nosso quinto filho mas por um conjunto de coisas boas que se têm somado ao nosso querido baby.

Hoje o Lucas faz 5 meses e, também por isso me lembrei de vir aqui. Sabes como gosto de trocadilhos com números e se não estivesse há tanto tempo escrever este post chamar-se-ia “5 meses 5”

Que 5 meses incríveis têm sido!!!

Diz aos nossos leitores que não me esqueço deles. As coisas lá pelo Instagram estão a andar, por lá é tudo mais fácil e mais rápido, e como não tenho tempo para muita coisa tenho-me acomodado e ficado por lá, mas escrever sabe bem e sou injusta em não te dar noticias durante todo este tempo.

Deixo-te algumas fotos destes 5 meses tão especiais…

Nunca te esqueço e muito menos os nossos queridos leitores

Sempre tua,

Maria

1 mês

É difícil descrever o primeiro mês com um novo filho em casa. Tudo parece irreal, uma mistura de viver num sonho com injeções de amor e de oxitocina com alguns medos e o sentido da vida posto em perspectiva. De querer por os pés na terra mas ainda não ser capaz. De querer fazer “vida normal” e ao mesmo tempo não querer sair deste estado. O embrulhanço já falado.

Gerar uma vida não é banal. Nem ao primeiro, nem ao quinto, nem o será certamente ao décimo. E por isso, tudo no mundo passa para segundo plano. Por isso não tenho escrito por aqui. Por isso não me apetece muito ir a jantaradas. Por isso não faço tantas coisas como fazia. E se calhar tenho de comprar biscoitos. E cereais. E por isso isto e por isso aquilo. E que se lixe.

Demorou até conseguir perceber que apesar de já ter passado de um mês não temos de fazer vida “normal”.

Tem sido dos melhores meses da nossa vida. E não há privação de sono que me faça hesitar um minuto ao dizer isto.

Agora, devagar, começo a deixar o mundo entrar de volta em mim. Sem pressa. Porque viver devagar também é isto. Só estar. Curtir. E estamos assim os sete a dar uso ao nome do livro que escrevemos. Enquanto a vida toda entra em nós, também devagarinho.

Embrulhados (ou o 4.º trimestre de gravidez)

Enquanto o meu corpo se habitua a desengravidar o meu coração “habitua-se “ a cuidar e a amar um novo filho (entre aspas porque isto de amar nunca causa habituação).

A probabilidade de ser a última vez que vivo estes momentos faz me, ainda mais, apetecer congelar cada minuto, cada beijo, cada cheiro, cada choro.

Hoje o Lucas faz 15 dias e ainda nunca dormiu na sua cama e raramente sai do meu (nosso) colo. Li um dia que, algures no mundo – penso que em determinada região do Japão – durante todo o primeiro mês de vida, bebé e mãe ficam embrulhados juntos – literalmente. A mãe recupera, o bebé adora. Ele mama, ela mima. Ponto.

E, de facto, sinto que não apenas o primeiro mas os três primeiros meses da vida de um bebé são, na verdade, um prolongamento da gravidez. Eles já não cabem dentro de nós, por isso continuam a gestação no nosso colo. Mas, nem eles estão preparados para estar longe das mães. Nem as mães preparadas para estar longe deles. É amor mas é ainda mais. É físico. E químico.

Numa família de sete nada disto muda – tirando que a mãe partilha o colo do bebé com os outros filhos crescidos e que o bebé partilha o colo da mãe com os outros filhos. Mas, na verdade estamos todos “embrulhados” neste bebé. E aquilo que mais sentimos nestes quinze dias foi que a quantidade de amor é mais do directamente proporcional à quantidade de pessoas embrulhadas ao bebé . É uma relação de grandeza que não existe na matemática. Só existe dentro de nós.