O zoo, o dodô e o lince ibérico 


Ontem fomos visitar o jardim zoológico. Há muitos anos que já lá não íamos. Aliás, nunca tínhamos ido os seis.

Mas este post não é, de todo, para partilhar a bela tarde que lá passámos, a incompatibilidade dos preços da entrada com uma família de quatro filhos (85€/ 100€), nem para falar da minha opinião sobre o nosso Jardim Zoológico. 

Este post é para falar de um tema que tem um peso muito grande para mim. Uma tema que traz com ele a sensação incrível e aterrorizadora da irreversibilidade. 

Sendo que, o irreversível é uma questão que me apavora. A vários níveis.

A extinção é, desde pequena, um tema que me perturba. Sempre me fez mesmo muita impressão, pensar que havia uns tipos de animais que nunca mais iriam existir. Como assim NUNCA mais? Sempre me assustou este nunca. Comparável, talvez, à impressão que me fazia quando perguntava aos meus pais “se o universo é infinito, o que há para depois do infinito?” “Nada”. Como assim NADA? 

Nada. Nunca. Duas palavras que me atormentam. 

Mais tarde, já no liceu – sempre fui má aluna, excepto a biologia, onde tinha sempre 18 ou 19. Fascinada por Darwin  (já tinha dito que também tenho um fraquinho pelo Darwin?) conheci o querido e fofo Dodô. E aquilo bateu-me um bocado. Coitado do bicho, andava lá tão feliz e pacato na sua ilha até aparecemos nós a colonizar a sua ilha e … pimba. Adeus dodô. Nunca mais vais voltar a existir. E como ele tantos outros…

Temos andando numa luta contra o tempo, contra as alterações climáticas, contra a merda que temos feito e, entretanto, cada vez mais espécies em perigo. (E parabéns ao zoo por indicar, para cada espécie o grau de risco em que se encontra. Parece-me uma excelente informação que, infelizmente, chega pouco até nós por outros meios. Devia ser abertura de muitos telejornais.)

 Em menos de 50 anos o lince ibérico reduziu o total da sua espécie de <5000 para <350 indivíduos. 

Será que ainda vamos a tempo de salvar o nosso querido lince?

Esta espécie é “só” o mamífero mais ameaçado da Europa e o felino mais ameaçado do mundo. 

 Espero não ter de contar aos meus netos que, quando os seus pais eram pequeninos ainda havia lince ibérico, mas que agora já não há. Mas o mais provável é que assim seja. Mas, espero também que a praticamente inevitável extinção deste e de outros animais igualmente emblemáticos marque o fim de uma era, e que o processo de despertar da consciência ambiental, iniciado há umas décadas, permita que estes casos não se voltem a repetir e que cada vez mais estes programas de conservação sejam casos de sucesso. E espero também poder fazer sempre a minha parte. 

 

 
 
 

Clássicos de Junho

Sou tão imensamente repetitiva quando falo do mês de Junho.

Todos os anos as mesmas coisas. Mas nunca me canso.

Felizmente há vida para além das noitadas e da praia.

Hoje vou falar de (alguns) clássicos lá de casa que o Verão – e este mês em particular- traz com ele.

Primeiro clássico : ginjinha. É simples de fazer, e sei que vai saber mesmo bem quando chegarem as noites frias de inverno, seja para a oferecer aos nossos clientes da Cena, como presente para alguém especial ou mesmo para nós. No ano passado não a fizemos e tivemos algumas reclamações…

A receita está no livro “Viver Devagar”. Para quem não o tiver e quiser a receita pode dizer que eu dou – e juro que não fico chateada! Tenho a certeza que, mais tarde ou mais cedo o vão comprar, nem que seja com o subsídio de Natal. Ahaha.

Segundo clássico: As compotas. A fruta boa desta época tem de ser bem aproveitada para quando chegar o frio e a fruta com menos graca. Para já comecei com a de alperce – uma das minhas preferidas- mas ainda penso fazer muitas mais. A ideia é só uma: armazenar no Verão para consumir durante todo o ano.  Estes alperces já estavam bastante maduros – o que para a compota é óptimo, para além disso o Senhor Eduardo, da mercearia vendeu-me dois kilos deste doces alperces por apenas 1€, caso contrário iriam-se estragar.

Confesso que, como tudo, fiz a compota a olho. Tirei alguns mais estragados e os caroços (imagino que tenha ficado com 1,5kg no total). Depois de lavados cobri-os com 1kg de açúcar amarelo e assim os deixei durante uma noite.

No dia seguinte foi só levar esta mistura ao lume até atingir o ponto desejado (ponto estrada). Este 1€ de alperces deu me para 5 frascos bem cheios e ainda um mal cheio.

Terceiro clássico: Gelados caseiros de melancia. Este fim de semana o calor foi demais e vingámo-nos nos gelados  (simplesmente melancia batida e congelada nas formas de gelado – tenho várias, umas de pauzinho e outras género “Callipo”). Um sucesso e muito refrescantes!

Quarto clássico: apanhar ramos de alfazema e fazer jarras de cheiro. Guardá-las para fazer saquinhos de cheiro ou, simplesmente oferecer a amigos queridos.

Quinto clássico: comemorar o solstício de verão. Seja de que forma for. Este ano foi noite de santos e sardinhas (sexto – e o melhor – clássico). Carrinhos de choque, sardinhas, imperiais e farturas. 

O Verão chegou. E que bom que é quando chega o Verão. 
Ps. No meio de tudo isto sempre um sentimento estranho, de culpa e tristeza e choque com a tragédia do fim-de-semana, nem por um segundo deixei de pensar no que aconteceu. Revoltam-me estas tragédias que TODOS OS ANOS o Verão traz com ele. O que mais será preciso acontecer para que os nossos governantes abordem este problema de forma séria? Da minha parte acho que pelo menos vamos tentar fazer um esforço para durante o inverno nos lembrarmos também do flagelo do fogo e pensar no que cada um pode fazer.

Mas isso será assunto para um outro post.

🖤

Gosto muito dos dias quente e ainda mais das noites quentes. Gosto de andar suada, peganhenta, molengona e de ter a certeza que vou dormir destapada e com as janelas abertas. Gosto de refilar com o calor, com o ar condicionado que não tenho, com as praias cheias,  com a sede constante e a discussão por quem tem mais tempo de ventoinha. Gosto de tudo no calor. Bom, quase tudo. 

 Não gosto deste país que, quando o calor chega, pega fogo. 

Hoje acordei mal disposta e a refilar porque era domingo, previa-se um dia incrível e eu tinha de ir trabalhar.

Mas, de repente percebi o que se passou durante a noite. 

E então, de repente, tudo ficou relativo. Ridículo. Pequenino. 

Às vezes esquecemos de nos focar naquilo que é importante. Naquilo que de facto é o essencial. Depois acontecem estas coisas. E então lembramo-nos. 

Não conseguimos imaginar o sofrimento dos que lá estavam nem dos que lá estão. Mas mesmo assim queremos agarrar os nossos com mais força. 

Bob

Não sou muito de escrever este tipo de post, mas há coisas que têm em mim um efeito tão bom e tão forte que sinto que gostava mesmo de partilhar com vocês. Aconteceu com a Jane Goodall. Aconteceu com o Einstein – quando foi das Ondas Gravitacionais  que fiquei  de tal forma fascinada e num misto de  baralhada e com um fraquinho por ele (sim, eu tenho um fraquinho por algumas pessoas. E o Einstein é uma delas. O Bob Dylan é outra..)  Depois de ouvir esta Nobel Lecture fiquei emocionada. De tal forma que quando acabou comecei de novo e ouvi tudo outra vez e… sem querer ser lamecha, fiquei com lágrimas nos olhos (tenho a impressão que ultimamente fico facilmente com lágrimas nos olhos)

Claro que o facto de ter ouvido nos headfones, sozinha na Boca do Inferno contribuiu bastante para o impacto disto tudo. Mas pronto…

Para mim o mais incrível de tudo nesta Nobel Lecture é a voz. Claro que  é tudo espectacular – desde o Bob ter ganho o Nobel à forma como foi reagindo indiferente aos imediatismos e banalidades que nos rodeiam, tudo no seu tempo e à sua maneira, como sempre. Desde o imaginar, amoroso, com 18 anos fascinado com o Buddy Holly, ao modo como ele basicamente diz que o que realmente contou quando começou a escrever canções não foi a parte técnica da folk – que ele dominava e que não o impressionava-, foram os livros que leu nos tempos de liceu  –  D. Quixote, Ivanhoe, Robison Crusoé, Viagens de Gulliver,…que lhe deram princípios, sensibilidade e uma visão tão informada do mundo.

Os três livros que ele, Bob, diz que mais influenciaram a sua escrita (Moby Dick, A Oeste nada de novo e a Odisseia) à maneira única como fala de cada um deles (dois deles tão importantes para mim também!)

É tudo demais, não sei explicar e aconselho (e eu cá não sou de aconselhar!) a todos que vejam (esta versão que ponho aqui tem legendas em inglês, que ajuda a não perder algumas partes); mas, apesar de tudo,  o mais incrível é a sua voz hipnotizante que parece que nos guia pelas palavras, como se estivéssemos a ler um livro. Como ele próprio diz aqui, à vezes não é preciso perceber o que dizem as canções mas sim perceber o que elas nos fazem sentir. Aqui, para além de gostar de ouvir o que ele diz, a voz dele tem em mim um poder inacreditável. Fascinada.

Junho e os pirilampos

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Acabei de perceber que é único mês que tem tido um destaque exclusivo todos os anos.
Porque, na verdade para mim (e para muitos) Junho é um mês mesmo muito especial.
Começa com o dia da criança, passa pelas festas e arraiais, pelo final do ano lectivo, e começa o…. Verão.
Gosto de viver cada um dos 12 meses do ano com as idiossincrasias de cada um deles. E isso é um assunto que estou sempre a repetir (e eu não gosto de me repetir!). Por isso dividi o livro por meses. Por isso sou uma pessoa tão diferente em Setembro, em Dezembro ou em Junho. Em Setembro faço planos e projectos. Em Dezembro gosto de serões caseiros, beber chá e fazer tricot. Em Junho.. ai ai em Junho gosto de estar fora de casa – sempre que posso –  beber minis e dormir pouco. E é assim que oscila a minha disposição anual. E, como em tudo, oscila intensamente.
Mostrem-me programas no mês de Junho, vou a tudo, sem constrangimentos. Em Junho o cheiro a tília e a jasmim pelas ruas da cidade provoca-me uma energia que não tem fim. As ruas peganhentas dos jacarandás pedem-me que as aproveite até ao fim da noite.
Felizmente não sou só eu a sentir estas mudanças e estas energias e, por isso, a quantidade de programas é, também ela, muito diferente durante os 12 meses do ano. A oferta no mês de Junho é imensa e a vontade é (claro!) ir a tudo. Programas familiares e menos familiares, santos populares, feiras, festas, acampamentos e festivais. O problema às vezes é conseguir conciliar tudo. Mas tudo bem: adeus rotinas, encontramo-nos em Setembro! Olá adolescência, gosto de te reencontrar, todos os anos por esta hora!
Enfim. Para além de tudo isto – e não disse metade. Há mais uma coisa muito importante no mês de Junho. Uma coisa que nos traz memórias de infância – embora na altura não associássemos a um mês especifico, mas sim a temporadas deliciosas fora da cidade.
Quem se lembra de andar a passear, noite dentro, a ver uns bichinhos que iluminavam a noite como se fossem estrelinhas que caíam do céu?
Eu lembro-me, e lembro-me bem.  Andava pelo Crato – casa da minha avó – de mão dada com a minha mãe a ver … pirilampos.
Sempre tive dúvidas de que fossem mesmo um insecto. Para mim – pela sua luz (e também provavelmente sugestionada por um boneco chamado “pirilampo mágico”) os pirilampos traziam com eles qualquer coisa de mágico, de contos de fadas. De estrela cadente que se enganou no caminho.
Os nossos filhos têm a sorte de já ter visto muitos destes seres pequeninos e misteriosos. Vimos uns quantos no outro dia a acampar. Temos uns quantos na nossa horta. Aprendemos muitas coisas sobre eles neste livro que adoramos e que tem sido a nossa bíblia da natureza.
O Movimento Bloom – Associação que tão espectacular contribuição dá para o livro Viver Devagar e que  não se cansa de promover o contacto das crianças e das famílias com a (por vezes tão esquecida) NATUREZA – está a organizar uma actividade (em parceria com a  Ocean Alive –  cooperativa de educação ambiental)  muito especial  onde vamos ter a oportunidade de ir à procura dos tão mágicos e luminosos Pirilampos. O tempo vai aquecer e as fadas e os pirilampos estão à nossa espera!!!
Espreitem aqui para se inscreverem!