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Parabéns querida filha ! Hoje foi a tua festa, o teu dia que passaste feliz e intensamente (sempre com a coroa que te fiz na cabeça- a sentires-te importantíssima !). As fotos são do dia  e da festa de hoje mas a história que conto passou-se ontem à noite.

Ontem adormeceste nos meus braços, no meio do rodopio tipico das nossas noites. Os teus irmãos cantavam e dançavam, ao som das músicas que iam tocando alto na nossa sala, como costumamos fazer todos os dias. Já estás habituada e há já um ano que fazes parte também desta maluqueira que é a nossa família.

Mas ontem, aninhaste-te a mim, indiferente ao barulho à nossa volta e, com a cabeça encostada no meu peito adormeceste. Eu deixei-me embalar por ti, pela tua calma e pela tua respiração e por uns momentos fechei os olhos e lembrei-me.

Lembrei-me como há um ano atrás chorei por te ver, linda, pela primeira vez. Lembrei-me como a nossa vida ficou ainda mais feliz e mais completa. Lembrei-me do momento em que, há um ano atrás, te puseram no meu colo, ainda com o cordão ligado a mim. Lembrei-me como nesse momento tive a certeza que esse cordão nunca iria ser cortado e que eu e tu estávamos ligadas para sempre.

Lembrei-me como foi emocionante ver os teus irmãos verem-te e amarem-te pela primeira vez num colo doce, excitado e trapalhão.

Lembrei-me como foram mágicos aqueles primeiros dias, só eu e tu , e como perdi a respiração na primeira noite em que estivemos os seis (mais um) no aconchego da nossa casa.

Lembrei-me de tudo o que cresceste neste longo e rápido primeiro ano da tua vida.

Lembrei me ainda de todos os caminhos que vais ainda percorrer . Lembrei-me de todas as conquistas que vais fazer nos próximos anos  e, como tem sido a melhor coisa que a vida me tem dado ver-vos, aos quatro, a crescer. E o contrasenso de vos querer para sempre pequeninos no meu colo.

Depois abri os olhos, olhei em volta vi os teus irmãos aos saltos e aos pulos e tu ainda dormir no meu colo. E percebi que sou a pessoa mais feliz do mundo só por estar ali naquele momento, com vocês, a lembrar-me do passado. E do futuro.

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Casa

                    

Adoro estar de férias, viajar estar fora. Adoro outras casas, férias fora, dormir fora.

Mas, sobretudo adoro voltar a casa. Adoro ter uma casa para onde voltar. E, especialmente, adoro a nossa casa. Quando regresso de uma temporada fora, ela parece-me ainda melhor, mais bonita, diferente.

Nunca procurámos nenhuma casa. Esta apareceu-nos e nós tivémos a certeza que iria ser a “nossa” casa. Movemos mundos e fundos e, lá conseguimos concretizar o sonho de ter uma casa.

Casa essa que estava velha, desabitada e podre – as obras foram feitas por nós e pelos nossos amigos que, com amor, empenho e MUITO trabalho não demoraram a transformá-la na casa mais bonita do mundo!

Às vezes tenho a sensação que, nunca está pronta e que estamos sempre a ter de remodelar ou arranjar qualquer coisa, e penso “quando é que chegará a altura em que esta casa fica pronta?”. No entanto, ao longo dos seis anos que cá moramos tenho vindo a perceber que a magia não é ter uma casa pronta mas uma casa sempre em remodelação, sempre a pô-la melhor, mais à medida. A mimá-la. Sim, mimá-la, dar-lhe presentes, fazer-lhe presentes, tirar dali e por aqui, pintar, rebocar os rodapés do corredor em constante destruição.

Tudo para gostar cada vez mais de cada cantinho da nossa querida casa e tornar os regressos cada vez mais calorosos.

cordão umbilical parte dois

Quando escrevi este texto, movida por hormonas saltitantes e sentimentos palpitantes de quem acabou de dar à luz, referi-me aos cortes que temos ao longo da nossa vida com os nossos filhos. Cada um deles com as suas dores. Depois, passados cinco meses,  sobrevivi à  primeira separação.
Hoje o corte foi outro. Talvez o mais difícil deles todos (será mesmo ou será que o que vivemos no momento presente parece sempre o mais doloroso?) que nos deixa o coração do tamanho de uma ervilha e com noites mal dormidas: A entrada para a creche.
Não sou muito lamecha e sei bem que estas coisas fazem parte e que todos passam por isto e são, na mesma, crianças felizes. Que lhes faz bem e acabam por gostar. Mas o aqui e o agora custa.
Dói me pensar que no momento em que escrevo este texto estás sem perceber onde é que te deixei, sem uma cara familiar que te dê um colo. Sei que me apetecia largar tudo para te ir abraçar, e dizer que já passou que não te volto a deixar sozinha. Mas também sei que és forte e que o colo e o mimo que te temos dado desde o dia que nasceste te deu força para viveres estes momentos com segurança e com a certeza que estás sempre em nós e nós estamos sempre em ti. Que, no final do dia estás novamente nos meus braços e que daqui a uns dias vais, como os teus irmãos, acordar feliz e contente por ser dia de ir para a escola.

Sou uma tola por estar a chorar num sítio tão bonito como este …

Na verdade escrevi este post só para usar esta frase, que adoro. Tirada da série animada “Marco” (que acabámos de ver na semana passada) para uma música de um dos discos preferidos por todos lá em casa “Xungaria no Céu“. Obrigada Tiago por teres realçado esta frase que tanto gosto.


Para mim retrata na perfeição aquilo que não conseguimos bem descrever nem perceber:
Quando alguma coisa é tão boa ou tão bonita que ficamos com o coração apertado e um nó na garganta. E claro, sentimos-nos tolos por ter vontade de chorar. Um choro envergonhado que tentamos disfarçar ou que ninguém veja. 
Mas, na verdade, não é tolo chorar de alegria.
Claro que é mais fácil perceber o choro de tristeza e o riso de alegria. Pensamos nós, porque havemos de chorar de felicidade?  Se formos tentar perceber, depressa chegamos à conclusão que não choramos por uma alegria qualquer. Não choramos porque nos está apetecer imenso sair a noite e vamos. Não choramos porque temos uma boa nota. Não choramos quando nos dizem que somos bonitos ou que estamos mais magros.
Choramos quando nasce um filho.  Choramos quando reencontramos alguém de quem tinhamos muitas saudades. Choramos quando vemos uma cena bonita, muito bonita num filme (ou na realidade). Choramos ao ver um filho fazer qualquer coisa que nos enche de orgulho. Choramos quando estamos num sítio tão grandioso e bonito, que nos dá conta do pequenino que nós somos e da beleza do que os rodeia. Choramos se concretizamos um  grande sonho. Choramos de amor e por amor.
 No fundo, choramos de alegria quando o nosso coração fica cheio, tão cheio que o nosso corpo, baralhado com tão intensa emoção, não consegue identificar o que está a sentir e então chora. E  evita assim uma explosão interior. Porque na verdade, o que nos faz chorar é o amor e o coração a transbordar.

Diz uma investigadora nesta área que aqueles que choram mais facilmente de alegria são aqueles que quando vêem um bebé pequenino têm vontade de o pegar e abraçar.
Pois claro, agora já percebo. É o amor. 

Uma Cena especial  

            

(o atraso do post deve-se a uma ligeira dor de cabeça causada não sei bem porquê…)
Uma cena especial como esta só podia ser para uma pessoa especial.
Esta foi a melhor de todas as Cenas porque foi para comemorar os anos da pessoa mais especial para nós cá em casa. A nossa pessoa preferida. A minha irmã.
Desde que nasci que ela e eu não nos largamos. E, desde que cresci, ela é a minha melhor amiga. E por coincidência (ou não) os amigos dela são os nossos amigos também.
Foi por isso uma Cena com tudo a que temos direito. Música alta, conversas noite dentro, amigos ao rubro e até um bocadinho de dança…
No máximo são 8 pessoas que recebemos mas desta vez vieram 14 (na verdade já fizemos uma Cena para 18).
A ementa foi indiana, com todo o
picante a que temos direito. Vários pratos variados, chamuças e até um delicioso Naan caseiro feito pelo padeiro Francisco. Destacou-se o caril de grão, que é uma receita antiga cá de casa e que faço muitas vezes (é básico e corre sempre lindamente). No sábado destacou-se, principalmente por ser o elemento mais picante do jantar, e por isso responsável pelo facto de a cerveja e o vinho (que achámos que era demais), quase não sobrarem.
De sobremesa, para além de um bolo de anos para soprar as velas à meia noite, fizemos um pudim de côco.
Este pudim é outra receita do Ferran Adrià, do livro que já falei aqui e que tanto tem sido usado cá em casa.
Muito simples de fazer, aconselho-o a todos os que gostam de côco.
Caramelo: colocar numa panela três colheres de sopa de açúcar em lume médio até caramelizar. Colocar o caramelo na forma do pudim e reservar.
Pudim: numa tigela colocar uma lata de leite de côco, seis colheres de sopa de côco ralado e quatro colheres de sopa de açúcar. Mexer bem e juntar 4 ovos batidos e envolver até ter uma mistura homogénea. 
Colocar a mistura na forma previamente caramelizada e levar ao forno a 200* em banho Maria durante 30 minutos (ou até estar firme ao toque)
Deixar arrefecer  e desenformar.