A tradição já não é o que era 


E é assim. comecei por me comprometer a fazer roupa para eles em ocasiões especiais. Depois tomei-lhe o gosto, resolvi comprometer-me a fazer pelo menos uma peça de roupa por mês, parecia-me um desperdicio ter a capacidade e os meios para fazer roupa para todos e apenas usá-la em ocasiões especiais.

Desde aí tenho tido um 2016 bem lançado e muitas toiletes novas têm tido os meus filhos. Este livro tem ajudado, e muito. Mas também descobri alguns sites com moldes e instruções de roupa mesmo muito gira (tenho um macacão para mostrar em breve)
Depois de andar a pensar muito neste assunto, resolvi alargar o tipo de peças que faço e começar a fazer também peças mais básicas (até cuecas) e tentar fazer uma boa percentagem da roupa deles. Por isso, preparem-se que vem aí muita produção (e peço desculpa antecipada aos que não adoram posts de roupa).
Estas camisas e vestidos foram feitas para eles usarem os quatro ao mesmo tempo, o que ainda não foi possivel – as meninas tanto usaram os vestidos que, quando as camisas ficaram prontas já tinham ido para lavar –

Agora, imagino que quando os vestidos voltarem serão as camisas que estão para lavar mas prometo uma fotografia no primeiro dia que tiver os quatro às risquinhas!

Anúncios

Petição para fins de semana de três dias e dois vestidos


Assim sim, se curte um fim de semana.
Ao longo da vida tenho vindo a reparar que, apesar do excitamento  existente à sexta  feira à noite, com as infinitas possibilidades com que o fim de se apresenta, tudo se esvai num abrir e fechar de  olhos. Não dá praticamente tempo para sentar nem assentar. Em vez de pararmos aceleramos. Queremos conseguir fazer tudo. São dois dias e muitas vontades. Contrasensuais: Dormir até tarde. Aproveitar a manhã para passear. Estar em casa. Aproveitar o sol. Estar com os filhos. Correr 16km. Fazer uma noitada com amigos. Ter uma noite romântica com o marido. Deixar os meninos acordados até tarde. Fazer costura. Beber copos. Passar um domingo saudável. Ter moleza de fim de semana. Ou genica de fim de semana. Fazer panquecas, ovos quentes. Brunch. Almoço. Lanche.Piquenique.Há praia, há campo. Há a casa. Há trabalhos de casa. Há mimos. Há a horta para tratar. Há brincadeiras para fazer com cada um. E com todos.  Há sitios para visitar. Sol para apanhar e sestas para dormir. Há livros que ficam para ler, filmes para ver.
E assim, em dois dias todas estas possibilidades se desvanecem e, chegamos a domingo e pensamos “Já foi? Mas… ainda agora tinha todo uma infinitude de ideias e pouco mais fiz que apanhar brinquedos do chão.” E lá vamos nós, tentando fazer um ar descansado  e começar tudo outra vez, na famigerada segunda feira. Queremos fazer tudo e que não nos falte nada. Chegar ao fim e dizer que foi mesmo bom.
Mas assim. Com três dias tudo se torna diferente. Já dá para assentar. É sábado e no dia seguinte é um domingo que é sábado e depois é domingo outra vez.
E foi assim que, entre muitas outras coisas, fiz estes dois vestidos para as meninas e ainda comecei umas camisas para os rapazes.
Elas adoraram, como se pode ver. Estão a começar  a ficar viciadas em andar de igual. E eu, viciada em vê-as de igual.

sem nenhuma etiqueta

Ainda estou longe  (muito longe) de fazer toda a roupa lá de casa, embora  confesse que, quando comecei a costurar  o objectivo era mesmo deixar de comprar roupa ( na verdade no meu caso não se trata de comprar mas de herdar roupa comprada).

Como em tudo, lá em casa o nosso objectivo é comprar o menos possivel e fazer o máximo possivel (sempre até à materia prima o mais prima possivel).

Fazer roupa tem várias vertentes. Tem  a parte gira de sermos nós a dar o toque, tem a parte de realização pessoal e tem, sobretudo, a parte de ser sustentável e contra a loucura do consumismo  desenfreado e não responsável roupa  – todos sabemos o que se passa por trás do fabrico da roupa que usamos, (ou não? Quem não sabe veja este filme ou leia este )

As minhas roupas continuam a não ser perfeitas, muito pelo contrário mas conheço cada ponto costurado naquela peça que teve todo o meu empenho, amor e dedicação e por isso,  cada vez que os vejo vestidos com roupa que  fiz fico com uma óptimo sensacão de realização e de poder.
E, por causa desta campanha de sensibilização, que acho bestial, viro do avesso alguma da roupa que fiz para os meus filhos e, a ausência de etiquetas deixa-me profundamente feliz.

Parkas

   
    
    
    
 

Bom. Estas semanas têm sido produtivas no que diz respeito a pedalar na máquina de costura. Confesso que já não tenho muito para dizer nestes posts pelo que tive algumas dúvidas se estas camisolas mereciam ou não um exclusivo. Mas depois da sessão fotográfica cheguei a conclusão que mereciam um destaque (nem que fosse porque não consegui escolher uma ou duas – e já escolher estas foi difícil).

É a minha segunda experiência neste livro e a uma das razões que me levou a encomendá-lo. E, tudo o que disse de bom sobre ele se mantém.

 As camisolas têm um corte excelente e fazem-se num instantinho. 

A do Benjamim foi a primeira e, apesar de ter ficado bem, ficou muito curta – imagino que seja por ele ser grande  (isto para não colocar a culpa em mim própria que não acrescentei as medidas  das costuras como o livro indica).

Enfim, a do Jacinto ficou bastante melhor, não só pelo tamanho (fiz maior), como por ter sido a segunda: os erros que cometi na primeira emendei-os nesta. Um deles foi exactamente o pormenor que me cativou na camisola: um elástico dentro das costura a dar um aspecto semi franzido que lhe dá um toque muito cool. 

O tecido não é muito fácil de trabalhar pois desfia um bocado mas, quando procurava um tecido para esta camisola, indecisa entre vários, encontrei este no refugo mesmo MUITO barato, de outra forma não me teria chamado à atenção. Mas agora, depois de prontas, acho que até foi bem escolhido. 

De qualquer forma, tenho a certeza que o modelo é para a repetir, para elas e para eles, com algumas melhorias e outros tecidos.

Do Japão 


  
  
  

Iam ser dois posts diferentes: um sobre os filmes do Miyasaki e outro sobre um novo livro de costura, que estou a adorar . Mas depois percebi que era all about the same. Juntasse-lhe eu sushi,  “a grande onda de Kanagawa” – que temos na nossa sala- o Lost in Translation – dos meus filmes preferidos- ou o Kill Bill  e fazia um post sobre tudo o que adoro que tem a ver com o Japão. Porque acho tudo espectacular. Mas vou destacar  o que marcou a minha semana:
1. Hayao Miyasaki

É, sem dúvida, o nosso realizador de animação preferido. Já tinhamos visto com eles o Castelo Andante e, ainda estávamos à espera da melhor oportunidade para lhes mostrar o fantástico “Viagem de Chihiro”. Temos aproveitado eles estarem de férias, e de estarem muitos dos filmes dele no netflix para os vermos todos juntos . Tem sido demais. Já vimos a “Princesa Mononoke” – o preferido da Luz, o “Totoro” – preferido do Benjamim, revimos o “Castelo Andante” – o preferido do Jacinto e “A viagem de Chihiro” – o preferido meu e do Francisco (e o mais extraordinário). Eles estão fascinados com estes mundos estranhos e mágicos, nós também, claro, a adorar rever estes filmes, tentado perceber com qual livro  se parecem mais (para mim a Viagem de Chihiro é uma mistura do Processo do Kafka com a Alice no país das Maravilhas)  e identificando-nos com os seus valores ecologistas  e relação com a natureza. Não sou muito de aconselhar nada a ninguém. Mas, neste caso, faço-o sem pudor. É beleza em forma de desenhos animados.
2. O livro de costura

Na verdade já há muito que oiço dizer que os livros japoneses, sejam eles de costura ou de tricot, são os melhores, os mais bem explicados e os mais bonitos. Mas, sobretudo por achar  não iria  perceber nada, nunca me tinha iniciado neles (apesar de ter uma amiga que vive no Japão e que já se tinha oferecido para mos enviar) e tinha apenas dois livros de costura: Um piroso e mal traduzido e outro que já fiz tudo o que lá havia. Chegou então o dia. Aconselhada por algumas destas costureiras fantásticas encomendei este livro.

É incrível a perfeição com que tudo é apresentado, sempre simples e lindo, os moldes perfeitos e as instruções tão bem elaboradas que nem é preciso saber coser, é só fazer o que eles mandam e já está!
Comecei por fazer este vestido para as duas meninas – é óptimo porque o livro tem 20 projectos, com bastante variedade para rapaz – o que é raro – e sempre com moldes para os 2,4,6 e 8 anos.

Já fiz estes dois vestidos, mas tenho muito mais coisas “na manga ” e a certeza de todo um novo mundo se abriu para mim. Directamente do Japão .