Too cool for school


  
  

Não é fácil fazer roupa para rapazes. Não é fácil encontrar tecidos, nem moldes adequados para miúdos de 6 e 9 anos. Na verdade, sempre achei que ia chegar o dia em que eles não iam querer roupa feita pela mãe.

Para que isso não acontecesse sempre usei algumas técnicas, como envolvê-los na compra das lãs e tecidos e tentar fazer coisas que me pareçam o seu género. Ainda assim achei que ia chegar o dia que eles não iam querer ou fariam frete para usar as coisas feitas por mim.
No entanto, tenho reparado que isso não tem acontecido, antes pelo contrário. Eles perguntam se já fiz isto ou aquilo, se posso fazer não sei o quê. Percebo que aquilo que lhes faço está entre a roupa mais usada e mais escolhida por eles.
A moda das camisas pegou. E agora, tenho os amigos dos meus filhos a pedirem para eu lhes fazer camisas, a acharem as minhas camisas super  cools, empolgados em saber como faço e a irem com as mães comprar tecidos. Não preciso de dizer como isso me faz sentir, pois não? Estou com o primeiro trabalho em mãos para um dos melhores amigos do Jacinto que foi com a mãe escolher um tecido com o mesmo entusiasmo de ir a um jogo de futebol.
Apesar de tudo, as camisas que fiz para os anos do Jacinto, estiveram quase para não acontecer. Umas semanas muito muito atarefadas no trabalho, horas de almoço comprometidas e fins de tarde atrapalhados resultaram em chegar à véspera sem tecido, sem botões e sem tempo para os ir adquirir.

Valha-me os amigos que me ajudaram neste processo (obrigada sogrinha, mana e Sofia). E claro, cada vez mais a pisar a linha, fiz as duas camisas na própria noite de anos do Jacinto. Sim, é de loucos. Mas fiz e ficaram mesmo bem (modéstia à parte).
Para quem pergunta, os moldes são deste livro, que comprei há muitos anos na minha loja preferida. Apesar dos moldes  serem para 3 anos, tenho-os vindo a aumentar (a olho – já avisei sou a maior trapalhona) ao longo dos anos. As camisas, para quem não acredita são mesmo mesmo fáceis de fazer (foi das primeiras coisas que fiz, quando aprendi – sozinha – a coser na máquina) e aconselho quem se quiser aventurar, a experimentar e fazer para os rapazes!

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A tradição das camisas (saias e vestidos) ou Maria, a obstinada


      
  


Não sei em que parte da minha vida de mãe de vários, me lembrei de inventar uma tradição que consiste em fazer roupas para os todos cada vez que algum faz anos. Mas a verdade é que inventei e por isso, obstinada como sou, nunca vacilo.

Também não sei em que parte da minha vida decidi que devo deixar tudo para amanhã. Tudo, mas tudo para a última. Sou eu. Duas patologias, a mesma pessoa.

E assim, em véspera de ter duas festas (uma de manhã para os amigos da escola, outra de tarde para os primos e amigos) me atiro para o corte e costura de duas camisas, uma saia e um vestido, intercalando esta manufactura com a confecção de bolos, gelatinas, queques e bolachas.

A verdade é que, loucura à parte, adoro esta minha mania e eles também e já sabem que em dia de festa  têm sempre uma roupa nova. Estas camisas  então, adoraram especialmente por acharem que ficam iguais ao Kurt Cobain.

Eu fico um misto de orgulhosa pelo que fiz, com chateada de não ter feito as coisas com mais calma pois sairía tudo certamente melhor (e já agora podia ter medido a minha filha mais nova pois, fazer um vestido a olho levou a que passasse a festa com uma mini-saia a trepar-lhe pela barriga acima).

Agora prometo que para a próxima festa, já em Janeiro faço tudo com 15 dias de antecedência . Acreditam? Eu não….

Os vestidos

               

Sou de ideias fixas. E por isso, quando ponho alguma coisa na cabeça não descanso enquanto não a tenho pronta. Ontem, não sei bem porquê. decidi que queria ter dois vestidos  prontos para elas usarem hoje.

Por isso, na minha hora de almoço fui comprar o tecido. À tarde, com eles por ali, fiz os moldes e à noite, depois de os ter a dormir, os cortes e as costuras. Um dos meus problemas (decorrente das ideias fixas) é não gostar nada de deixar a peça a meio de um dia para o outro,  o que tem como consequência uma certa trapalhice nas peças que costuro.

Este vestido foi a primeira vez que o fiz e é muito simples, tão simples que os consegui fazer aos dois num noite sem pressas e sem trapalhice. É o vestido da capa deste livro. Fiz algumas adaptações incluindo usar trapilho para as alças (achei que ficava mais cool). Adaptei também o tamanho do molde para a Jasmim a olho – claro que ficou muito mais curto do que devia, pois para mim ela ainda é ainda o meu bebé  pequenino.  Mas mesmo assim ficou bem (ela aguenta bem um tapa fraldas à mostra…). Elas adoraram. Os rapazes ficaram um bocado ciumentos e disseram que queriam uma camisa igual, como fiz aqui e aqui. Mas, sem dúvida que costurar para meninas é bastante mais prazeiroso…

Definitivamente adoram andar de igual e eu adoro vê-las de igual. Por isso, e apesar de este ter  sido um ano muito pouco produtivo a  nível da manufactura de roupa (Tricotei pouco no Inverno e tenho costurado pouco agora no Verão) ainda vou a tempo de lhes fazer um bom conjunto de peças para o Verão.

A tradição das camisas

        

Já se tornou uma tradição.

Quando a Luz faz anos, faço uma roupa igual para os quatro (bom, na verdade este foi o primeiro ano que fiz para quatro…).

Há muitos anos que faço estas camisas para os rapazes. Ainda só tinha dois filhos, e um deles bem bebé, quando comecei. E, por estranho que pareça, foi a primeira coisa que costurei.
Tenho uma relação muito peculiar com a costura. Nunca ninguém me ensinou a costurar, e por isso sou  pouco perfecionista e tenho falhas básicas nas peças que faço. Os meus amigos juntaram-se para me oferecer uma máquina de costura. Comprei na Retrosaria e continuo muito contente com ela, para além de ser gira, tem imensos pontos decorativos e funciona lindamente. Comprei este livro apetitoso que explica os conceitos básico da costura e… fiz uma camisa para começar.
 Já passaram 5 anos, e continuo a fazer as mesmas camisas para os rapazes (vou aumentando o molde) porque ficam sempre bem e são mesmo, MESMO simples de fazer.
Para as raparigas faço um top básico, com costuras elásticas a dar um efeito franzido. Na verdade, todos os anos penso que vou começar  mais cedo,  para fazer uns vestidos mais bonitos e mais trabalhados  para elas mas, como deixo tudo para a última da hora e só tenho mesmo as noites para costurar  –  comecei a fazer as camisas na noite de quinta-feira…- fica sempre tudo muito apertado, e acabo por optar sempre pelas peças mais simples.
Eles adoram vestir-se de igual , e eu aproveito enquanto isto dura. As roupas são estreadas na festa da Luz, mas depois fica a toilete preferida para o Verão inteiro. As camisas dos anos anteriores, a bem ou a mal ainda vão cabendo, pelo que continuam a usar.
 Mas aqui dá para ver como  ficaram bem nos anos anteriores e também como eram tão mais pequeninos… que saudades…
2013

 

2014