A famigerada segunda-feira


  

Na verdade o que me custa mesmo  é a angustia do domingo à noite.
De repente, afinal não estou nada farta dos meus filhos. De repente o mundo parece um sitio inóspito e pondero se o melhor mesmo não é desistir das escolas e dos trabalhos e ficarmos todos sempre bem juntinhos e não nos separmos à segunda feira de manhã. Ao domingo à noite, trabalhar e aprender não é importante. Ao domingo à noite a semana avizinha-se longa, fria e cinzenta. Ao domingo à noite nada faz sentido. Só o conforto da nossa casa.
Eles vão dormir e nós, para ultrapassar a neura, comemos a nossa pizza e ficamos a ver séries e filmes até cairmos para o lado, para  não ter de pensar muito no assunto e ter a certeza que aproveitamos o fim de semana até à última gota.
Mas depois acordamos, e lá estamos  nós na famigerada segunda feira. Ninguém quer sair da cama, ninguém quer ir à escola. Eles têm sono e nós também. Não sabem o que querem tomar ao pequeno almoço,  não querem vestir, têm frio, dói-lhes a barriga, a cabeça e o joelho. Eles estão moles, nós apressados. Amanhecemos atrasados.  Porque nos deitamos tarde e porque é segunda feira.
Depois de toda a atribulada manhã, quando finalmente estou a caminho do trabalho a calma volta outra vez. O caminho, se a música for bem escolhida, pode estar a competir para o melhor momento da  minha segunda feira.
Enfim, a manhã passa-se a organizar a semana que aí vem. Preencho a agenda, prometo fazer isto e aquilo e ir correr amanhã de manhã.
Da parte da tarde, sorrio porque está quase na hora da familia se reunir outra vez. Às cinco horas vôo para casa. Quando estamos todos em casa, depois de mimos e abraços começa tudo outra vez. As bulhas, a desarrumação, as brincadeiras, os gritos, os banhos e os trabalhos de casa.
Eu, entre lhes dar atenção e fazer as sopas, os cereais, e os iogurtes (não sei onde tinha a cabeça quando resolvi que era tudo para fazer à segunda) e o jantar, considero o fim da tarde de segunda feira o mais dificil de todos.
Mas, depois quando nos sentamos à mesa para jantar fico aliviada e feliz pela nova semana que começou (e depois na verdade, felizmente ou infelizmente num instantinho é fim de semana outra vez e, noutro instantinho domingo à noite outra vez…).
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A preparação da primavera e um bolo de alecrim (dois posts num só )




  

     

E chegou então o tão esperado sol de Março. Toda a gente saiu à rua. Praia, parques e jardins cheios de vida, cor, risos e bolas a voar.

Mas nós, este fim de semana  ficámos pelo nosso jardim, porque, quando se tem uma horta e um pequeno jardim, há muito trabalho para fazer, principalmente depois de um longo inverno. Tirar urtigas, ervas daninhas, limpar, arrumar e, sobretudo,preparar a terra para a sua estação preferida. Trocar as couves, aipo, alho e cebolas para dar lugar aos pimentos, tomates, courgetes, pepinos e beringelas.

Claro que, embora os meninos já dêem alguma ajuda, as tarefas deles no jardim são outras. Entre ver caracóis, jogar à bola, fazer desenhos e jogar às escondidas passaram (passámos) dois dias, muito bons no nosso jardim. Para a Jasmim foi uma nova aventura, pois na verdade nunca tinha ido ao jardim como “andante” pelo que estava mesmo entusiasmada. Entre esborrachar um caracol e trocar bolachas com o Badú tudo lhe pareceu uma festa. Daquelas que voltamos com as mãos bem sujas.

A Luz, apra além de tudo o resto, ficou com a tarefa de preparar o cabaz para trazermos para cima. Alfaces para o almoço e alecrim para o bolo.

Alecrim para o bolo? Sim, alecrim para o bolo…
  
   

Todos os fins de semana faço um bolo e, ultimamente (um ultimamente que já tem mais de um ano) por ter a Jasmim pequenina tenho feito sempre os mesmos bolos. Bolo de chocolate, pão de ló, bolo de chocolate, pão de ló. Por serem rápidos, fáceis e bons e, especialmente por os fazer praticamente de olhos fechados. Mas , na verdade dá muito pouca pica, para uma pessoa que gosta de fazer bolos estar sempre a fazer a mesma coisa. Pelo que, para evitar uma estagnação culinária, agora que a pequena está mais crescida, resolvi voltar a variar os bolos. Então vou tentar  fazer um bolodiferente todos os fins de semana e dar a receita aqui.

Este bolo de alecrim foi uma descoberta incrível. Tirado dum livro da Nigella, a ideia de usar esta erva num cozinhado doce soou-me tão estranho quando apetitoso ,pelo que resolvi experimentar. Et voilá – é bom demais, uma combinação de sabores excelente e diferente. Segue a receita para quem quiser experimentar:

250g de manteiga amolecida (usei metade)

200g de açúcar mascavado

3 ovos

250g de farinha

1cc de fermento

1cc de essência de baunilha

Folhas de um pé (cerca de 10cm) de alecrim picadas – esquivale mais ou menos a duas colheres de chá

4 cs de leite

Açúcar para polvilhar
Pré-aquecer o forno a 170* Bater a manteiga e juntar o açúcar quando estiver macia, bater tudo até estar uma mistura fofa e esbranquiçada e leve. Misture os ovos, um de cada vez, e envolva uma colher de farinha por cada adição. Por fim junte a baunilha. Envolva a restante farinha com uma espátula e, por fim o alecrim. Dilua a massa com o leite. Verta na forma já untada, polvilhe com açúcar e leve a cozer cerca de uma hora.

Quando estiver frio desenforme. Eu usei um pé de alecrim para decorar e dar cheiro.

O drama das pequenas noites


  
  

Desde que acordo que a minha cabeça, começa a pensar em tudo o que quero fazer nesse dia. A minha agenda enche-se, semanal e diariamente de uma série de “to-dos” que sei que ficarei feliz de os ver cumpridos.

De dia e de noite tenho sempre coisas para fazer. Compromissos com os filhos, compromissos no trabalho, compromissos na cozinha.

Então, e o resto? E há tanto resto… Um marido, uma máquina de costura, agulhas de tricot e livros. (Já para não falar da decisão que tomei de descansar mais e deitar-me mais cedo).

As minhas noites da semana dividem-se entre as vésperas de ir correr às 6am  e as próprias noites que fui correr às 6am. E, por isso, para além de tudo o resto, tenho sempre o fantasma do “tenho de dormir”.

Ok, e são muitas as noites que durmo. Não cedíssimo, mas cedo q.b.para não cair para o lado. E então, noite após noite tenho decisões dificílimas para tomar. Decisões estas com as quais andei a sonhar o dia todo. “Logo à noite vou isto, aquilo e aqueloutro” mas depois, o que acontece é que a noite é mínima.

Miúdos a dormir, casa arrumada já vamos em dez e picos. E agora? o sofá chama, óbvio. Naquele momento é tudo o que mais me apetece. Mas… e todos os projectos que me andam na cabeça. E o livro que estou a adorar? Em que parte é que fica tudo isto no meu dia a dia?

Enfim, dúvidas de uma pessoa com pouco tempo mas muita vontade. Então vou gerindo, noite após noite o que vai ter prioridade.

E, às vezes, quando o sofá não é o primeiro escolhido percebemos que afinal a noite é muito maior do que se imagina. E o cansaço sobrevalorizado. Nada que não se resolva com mais um café e uma noite bem dormida no dia seguinte.

 

 

Janeiro em imagens

 

Janeiro sempre foi, até ao nascimento do Jacinto o mês que menos gosto. Mês comprido, frio, com pouca graça e com pouco dinheiro. Claro que em 2007 passou a ter a maior das graças, faz anos o meu filho mais velho.

Resumindo, este ano o mês de Janeiro trouxe, como todos, coisas muito boas e outras menos boas. Uma passagem de ano muito especial, que me fez acreditar que 2016 vai ser um excelente ano e também comprometer-me com algumas tarefas que teria muito gosto em ver mensalmente cumpridas. Este mês posso-me orgulhar de ter conseguido concretizar todas (percebi que o sempre prometido comer melhor e ler um livro por mês não era exequível). Corri mais de 100km, fiz uma aventura (espécie de) e fiz duas peças de roupa. Estou com uma fantástica sensação de missão cumprida!

O Jacinto fez 9 anos e acho que lhe conseguimos proporcionar um aniversário mesmo como ele queria e um dia (mais propriamente um fim de semana) inesquecível.

A Associação onde trabalho comemorou 20 anos e celebrámos este dia com uma grande festa para todos, que correu tão bem como imaginámos.

Ainda destaco o programa espectacular de uma ida familiar ao Oceanário (e a sorte que tenho de ter amigos que se lembram de nós quando têm bilhetes que não vão poder usar). Não há descrição de o que eles (os 4) adoraram desta visita. Valeu mesmo.

No último dia do mês (todos os meses deviam acabar num domingo, dá mesmo jeito para estes rewinds) fiz pela primeira vez a Corrida do Fim da Europa que há muito queria fazer. Cheguei ao fim e fiquei contente com o resultado. Mas, o que mais gostei foi a beleza desta prova: Sintra – Cabo da Roca. Valeu mesmo.

 

 

 

 

Dias cheios, portas abertas 


  
  

Quando praticamente não temos tempo para tirar fotografias, fazer um bocadinho de tricot ou sentar sossegadamente a ver um filme é um bom sinal.

Estes últimos dias foram um autêntico rodopio por estas bandas. Dias e noites muito animados que temos tido em nossa casa. Acho que perdi a conta dos amigos que entraram e saíram de nossa casa entre Quinta-feira e Domingo à noite. E como gostamos que a nossa casa seja uma casa que todos gostam de estar, como gostamos de receber  os amigos, a família e  os amigos dos nossos amigos (que são nossos amigos também).
Uma amiga fez anos e lembrou-se de fazer uma Cena para os comemorar, na Quinta-feira. Então, depois do trabalho, abrimos as portas e sai uma Cena para 10. Um grupo animado, ninguém preocupado com o facto de ser um dia de semana e o serão prolonga-se noite dentro. Depois de uma sexta também atarefada, o pai “solteiro” enquanto a mãe comemora o aniversário da associação onde trabalha,  Sábado, os meninos para um lado em actividades, meninas para o outro em passeios. À noite, abrimos novamente as portas, Cena para 8 – um festim Indiano, a preceito, como tudo a que temos direito. E claro, mais um serão divertido, mais amigos para nós e mais amigos para a Cena. Mais uma noitada (tudo com muita calma pois domingo de manhã era dia de correr 17km).
Depois da corrida, deu para  aproveitar a casa, dar uma arrumação, brinquedos fora da sala, brinquedos fora da cozinha. Trabalhos de casa, uma nova “andadora”  – Jasmim de um lado para o outro de pé, para grande excitamento dos pais e da restante família.
A tarde, sai uma dose de bolachas,  sai uma dose de queques de chocolate pois  vamos receber  a família para o lanche – vem tudo ver Sua excelência dona Jasmim e as sua nova aquisições.
 Sai a família entram três convidados muito especiais para a nossa, já famosa Pizza ao Domingo. Foi uma noite diferente dos nossos domingos a dois, as pizzas não paravam de sair e, posso-me gabar que estavam mesmo mesmo boas, a noite prolongou-se mais uma vez, animada. E o cansaço, quando se está bem acompanhado, passa despercebido.
No fim de todos estes dias, em que a campainha não parou de tocar, a cozinha não parou de bombar, o forno praticamente não foi desligado, a conversa não baixou o tom, a casa nunca ficou silenciosa.  Um fim de semana em que os intervalos casa arrumada/ casa desarrumada foram breves (muito breves). O descanso pode ficar para durante a semana. E, na verdade, cada vez tenho mais a certeza que a minha prioridade é pôr os amigos em dia.
E que bom que é começar a segunda feira com a casa suja, os pés cansados, as portas abertas e o coração cheio.