Casa

                    

Adoro estar de férias, viajar estar fora. Adoro outras casas, férias fora, dormir fora.

Mas, sobretudo adoro voltar a casa. Adoro ter uma casa para onde voltar. E, especialmente, adoro a nossa casa. Quando regresso de uma temporada fora, ela parece-me ainda melhor, mais bonita, diferente.

Nunca procurámos nenhuma casa. Esta apareceu-nos e nós tivémos a certeza que iria ser a “nossa” casa. Movemos mundos e fundos e, lá conseguimos concretizar o sonho de ter uma casa.

Casa essa que estava velha, desabitada e podre – as obras foram feitas por nós e pelos nossos amigos que, com amor, empenho e MUITO trabalho não demoraram a transformá-la na casa mais bonita do mundo!

Às vezes tenho a sensação que, nunca está pronta e que estamos sempre a ter de remodelar ou arranjar qualquer coisa, e penso “quando é que chegará a altura em que esta casa fica pronta?”. No entanto, ao longo dos seis anos que cá moramos tenho vindo a perceber que a magia não é ter uma casa pronta mas uma casa sempre em remodelação, sempre a pô-la melhor, mais à medida. A mimá-la. Sim, mimá-la, dar-lhe presentes, fazer-lhe presentes, tirar dali e por aqui, pintar, rebocar os rodapés do corredor em constante destruição.

Tudo para gostar cada vez mais de cada cantinho da nossa querida casa e tornar os regressos cada vez mais calorosos.

Começo, recomeço 

É difícil voltar. É difícil recomeçar. Voltar às rotinas e aos compromissos. Foi uma longa paragem, de trabalho, de blog, de compromissos, de horários. Foi mesmo possível desligar de tudo e curtir a praia, o campo, a serra e a quinta. A família e os amigos. Respirar fundo, respirar puro. Fazer yoga todas as manhãs. Beber cerveja todas as tardes. Não usar sapatos.   Ler, tricotar, conversar, bronzear e gozar os filhos e o marido em liberdade 24 horas por dia. 


Por tudo isto, não  sei muito bem o que hei de escrever, o que hei de contar. Por onde começar. 
Só sei que sou mesmo agradecida por poder ter umas férias assim.
Deixo uma reportagem fotográfica, porque por palavras é muito mais difícil. 

Bem-vindos  de volta queridos leitores, confesso que já tinha saudades vossas! 

Bom recomeço para todos. 

   

                                      

Boas férias!


 

    

Vivo o ano inteiro para as  férias. 

Por  mim, claro, vivia de férias e nas férias. Mas, como não posso, trato de as viver com toda a intensidade possivel. Por isso, quando vou de férias a minha vida vai toda de férias e, quando estou de férias não existe mais nada.
Tenho as melhores  e maiores memórias da minha infância associadas a férias. Como se na minha vida os meses de férias tivessem sido mais do que os outros (sabem, no desenho mental que tenho na minha cabeça os meses do ano são todos iguais, à excepção de Julho, Agosto e Setembro que são enomes e os três ocupam metade do ano – eu sempre vos disse que não bato muito bem). Espero que para os meus filhos as férias tenham o mesmo valor  e tamanho emocional que tiveram para mim.
Gosto de ser das últimas a ir de férias poque definitivamente não aguento a pressão de estar a acabar as férias e ver as pessoas a começarem as suas férias.
Antes dos filhos e da escola, as férias nunca eram em Agosto. Uns dias em Junho, uns dias em Julho e uma semana em Setembro. Agora, não há alternativa e temos de centrar a maior parte das férias mesmo no mês de Agosto. Felizmente e para ter a certeza que sou mesmo a última a regressar, estamos sempre de férias na primeira semana de Setembro. Fizémos uma marcação vitalicia com uns grandes amigos.
Na verdade, as nossas férias não variam muito de ano para ano:
Gostamos tanto delas que repetimos e repetimos as vezes que foram precisas. Para nós, são as férias perfeitas. São as nossas férias:
Uma semana de praia. Na intensa na Costa Vicentina. Aqui nos sentimos verdadeiramente em “casa”. Não abdicamos de sentir aquele cheiro que só esta costa tem – quem conhece sabe bem do que estou a falar. Pode ser de tenda, de caravana, num quarto ou numa casa. Temos é de ir.
Uma semana de serra (e praia também) na, para mim, serra mais bonita do mundo: Serra da Arrábida. Numa casa que já é a  nossa segunda casa. Para os meninos estas são as férias preferidas. Linda sem igual onde nada se vê nem se ouve a não ser a serra e os seus sons. Descanso puro.
Uma semana  de quinta (e praia também). Aqui no sitio onde tudo acontece. Prontos para terminar em grande as nossas férias:  apanhar fruta das árvores, montar a cavalo, andar de tractor, de bicicleta, dizer bom dia aos animais, correr e brincar. Livres. Em espaço e em tempo. Mais uma vez aqui também estamos em casa e esta também é a nossa segunda casa…
No meio de todas estas semanas, uma pausa das férias fora. Uma semana em casa, a cuidar do jardim e da casa, que também  precisa tanto da nossa atenção…
Penso muitas vezes na sorte que temos de ter tantas e tão boas férias, rodeados da familia e dos amigos em sítios que nos fazem sempre sentir verdadeiramente em casa de tão bem que nos sentimos. Neste mês, tão grande na minha cabeça,  consigo a total ausência de ligação ao trabalho, à cidade e às preocupações.
O blog também vai de férias, por isso, aproveitem para descansar desta familia  durante umas semanas.
Boas férias para todos!

Domingo sem praia

    

     

Quanto, no ano passado tínhamos  ainda “só” três filhos andávamos  sempre ocupadíssimos,  com a sensação que não havia tempo para cada um, nem para todos, nem para a casa. Mas, quando com 4 filhos há um que está fora, percebe-se que bem como tudo é relativo e isto do tempo e da disponibilidade é mesmo uma questão de mentalização.  De repente, ao passar  um dia com menos um filho tudo parece extremamente mais simples. Tudo está mais calmo , silencioso e incrivelmente mais fácil (até aborrecido). Há tempo para dedicar a cada um, olhos para vigiar todos num passeio de família. De repente ter três ou um filho único parece igual. Mas a verdade é que este  era o número de  filhos que tínhamos no ano passado –  e as coisas não pareciam assim tão simples. E, não sei porquê  tenho a sensação que isto é válido para todos os números de  filhos (pelo menos até aos 7 (?) presumo que seja).

Hoje o Jacinto foi passar o dia a casa de um amigo e nós, os outros 5, resolvemos dar uma pausa aos dias de praia, e ir ver uma exposição. A coleção Berardo já conhecemos de trás para a frente mas, é sempre bom ver as mesmas obras reunidas por temáticas diferentes. Isto sem falar nas novidades que vão aparecendo. Hoje tivemos a agradável surpresa de ver uma gigante pintura do Chagall com as módicas medidas de 23,5 por 13,5 . Vale mesmo a pena passar por lá para ver esta gigante tela.

Desde pequenos que os levamos muito a exposições. O truque que usamos para ser um programa que eles gostam MESMO é  ter a certeza que eles não se  aborrecem e, para as crianças, o tempo de interesse e atenção numa exposição não é igual ao nosso e se insistirmos para lá do tempo deles eles deixam de gostar. Começam a achar o programa uma seca e pedem para ir embora – e provavelmente não querem voltar tão depressa. Pelo que, quando percebemos que eles começam a ficar menos interessados vamos embora, deixando o programa ainda numa fase animada. Assim, quando voltamos a sugerir o programa “exposição” vamos receber como resposta um conjunto de saltinhos animados e entusiamados.

Uma Cena especial  

            

(o atraso do post deve-se a uma ligeira dor de cabeça causada não sei bem porquê…)
Uma cena especial como esta só podia ser para uma pessoa especial.
Esta foi a melhor de todas as Cenas porque foi para comemorar os anos da pessoa mais especial para nós cá em casa. A nossa pessoa preferida. A minha irmã.
Desde que nasci que ela e eu não nos largamos. E, desde que cresci, ela é a minha melhor amiga. E por coincidência (ou não) os amigos dela são os nossos amigos também.
Foi por isso uma Cena com tudo a que temos direito. Música alta, conversas noite dentro, amigos ao rubro e até um bocadinho de dança…
No máximo são 8 pessoas que recebemos mas desta vez vieram 14 (na verdade já fizemos uma Cena para 18).
A ementa foi indiana, com todo o
picante a que temos direito. Vários pratos variados, chamuças e até um delicioso Naan caseiro feito pelo padeiro Francisco. Destacou-se o caril de grão, que é uma receita antiga cá de casa e que faço muitas vezes (é básico e corre sempre lindamente). No sábado destacou-se, principalmente por ser o elemento mais picante do jantar, e por isso responsável pelo facto de a cerveja e o vinho (que achámos que era demais), quase não sobrarem.
De sobremesa, para além de um bolo de anos para soprar as velas à meia noite, fizemos um pudim de côco.
Este pudim é outra receita do Ferran Adrià, do livro que já falei aqui e que tanto tem sido usado cá em casa.
Muito simples de fazer, aconselho-o a todos os que gostam de côco.
Caramelo: colocar numa panela três colheres de sopa de açúcar em lume médio até caramelizar. Colocar o caramelo na forma do pudim e reservar.
Pudim: numa tigela colocar uma lata de leite de côco, seis colheres de sopa de côco ralado e quatro colheres de sopa de açúcar. Mexer bem e juntar 4 ovos batidos e envolver até ter uma mistura homogénea. 
Colocar a mistura na forma previamente caramelizada e levar ao forno a 200* em banho Maria durante 30 minutos (ou até estar firme ao toque)
Deixar arrefecer  e desenformar.