cordão umbilical parte dois

Quando escrevi este texto, movida por hormonas saltitantes e sentimentos palpitantes de quem acabou de dar à luz, referi-me aos cortes que temos ao longo da nossa vida com os nossos filhos. Cada um deles com as suas dores. Depois, passados cinco meses,  sobrevivi à  primeira separação.
Hoje o corte foi outro. Talvez o mais difícil deles todos (será mesmo ou será que o que vivemos no momento presente parece sempre o mais doloroso?) que nos deixa o coração do tamanho de uma ervilha e com noites mal dormidas: A entrada para a creche.
Não sou muito lamecha e sei bem que estas coisas fazem parte e que todos passam por isto e são, na mesma, crianças felizes. Que lhes faz bem e acabam por gostar. Mas o aqui e o agora custa.
Dói me pensar que no momento em que escrevo este texto estás sem perceber onde é que te deixei, sem uma cara familiar que te dê um colo. Sei que me apetecia largar tudo para te ir abraçar, e dizer que já passou que não te volto a deixar sozinha. Mas também sei que és forte e que o colo e o mimo que te temos dado desde o dia que nasceste te deu força para viveres estes momentos com segurança e com a certeza que estás sempre em nós e nós estamos sempre em ti. Que, no final do dia estás novamente nos meus braços e que daqui a uns dias vais, como os teus irmãos, acordar feliz e contente por ser dia de ir para a escola.

Domingo sem praia

    

     

Quanto, no ano passado tínhamos  ainda “só” três filhos andávamos  sempre ocupadíssimos,  com a sensação que não havia tempo para cada um, nem para todos, nem para a casa. Mas, quando com 4 filhos há um que está fora, percebe-se que bem como tudo é relativo e isto do tempo e da disponibilidade é mesmo uma questão de mentalização.  De repente, ao passar  um dia com menos um filho tudo parece extremamente mais simples. Tudo está mais calmo , silencioso e incrivelmente mais fácil (até aborrecido). Há tempo para dedicar a cada um, olhos para vigiar todos num passeio de família. De repente ter três ou um filho único parece igual. Mas a verdade é que este  era o número de  filhos que tínhamos no ano passado –  e as coisas não pareciam assim tão simples. E, não sei porquê  tenho a sensação que isto é válido para todos os números de  filhos (pelo menos até aos 7 (?) presumo que seja).

Hoje o Jacinto foi passar o dia a casa de um amigo e nós, os outros 5, resolvemos dar uma pausa aos dias de praia, e ir ver uma exposição. A coleção Berardo já conhecemos de trás para a frente mas, é sempre bom ver as mesmas obras reunidas por temáticas diferentes. Isto sem falar nas novidades que vão aparecendo. Hoje tivemos a agradável surpresa de ver uma gigante pintura do Chagall com as módicas medidas de 23,5 por 13,5 . Vale mesmo a pena passar por lá para ver esta gigante tela.

Desde pequenos que os levamos muito a exposições. O truque que usamos para ser um programa que eles gostam MESMO é  ter a certeza que eles não se  aborrecem e, para as crianças, o tempo de interesse e atenção numa exposição não é igual ao nosso e se insistirmos para lá do tempo deles eles deixam de gostar. Começam a achar o programa uma seca e pedem para ir embora – e provavelmente não querem voltar tão depressa. Pelo que, quando percebemos que eles começam a ficar menos interessados vamos embora, deixando o programa ainda numa fase animada. Assim, quando voltamos a sugerir o programa “exposição” vamos receber como resposta um conjunto de saltinhos animados e entusiamados.

8

                

Já vai avançado este teu primeiro ano de vida. Já são 8 os meses que passaram desde que te conhecemos, querida Jasmim. E, a cada dia que passa és mais nossa, cada dia que passa te percebemos melhor. Cada dia que passa és mais adorada pelos teus pais, pelos teus orgulhosos irmãos e por todos os outros com quem partilhamos a nossa vida. Cada dia que passa estás mais segura do amor que te temos e daquele que tens por nós. E isso vê-se tão bem, quando olhamos para ti e te vemos sorrir.
Minha querida quarta filha, já sei bem como passa rápido este primeiro ano de vida.
Sei também que não te vais lembrar de todos os beijos que te dei nestes 8 meses. Sei bem, que não te vais lembrar que não te deixo  a chorar mais de 1 segundo sem ir a correr pegar-te ao colo. Sei  também que não te vais lembrar como te pegam os teus irmãos, trapalhões, nem do teu pai a tocar viola só para ti. Sei que não te vais lembrar como fico com uma cara tonta a cantar “doidas doidas doidas andam as galinhas..”, nem como abro a minha boca quando te estou a dar a sopa. Sei bem também que não te vais lembrar dos passeios que damos as duas, contigo embrulhadinha dentro do sling, nem da forma que te abraço depois de um dia longe de ti. Sei  bem que não te vais lembrar como é bom estar sentada com todos sempre à tua volta, nem da barulheira que fazem os teus irmãos quando tentas dormir. Sei também  que não te vais lembrar como a nossa casa gira à tua volta, neste teu primeiro ano de vida.
 Mas sei melhor ainda que, todas estas coisas de que tu não te vais lembrar, vão ficar guardadas em ti para sempre. Que são estes os movimentos de amor que tu nunca te vais esquecer, mesmo sem te lembrares.
Que é esta memória a verdadeira memória, a mais importante memória, aquela que te enche o coração e te vai preparar para aquilo que a vida te trouxer. Sei que é este mesmo amor que vais, um dia dar aos teus filhos.
Sei bem, ao ver passar o teus primeiros meses de vida, que te deixamos para sempre o carimbo do amor.
(mas agora, por favor, cresce mais devagarinho…)

Semanada

 

  

  

  

   

  

 As duas coisas que se passam cá em casa que mais tornam o meu dia cansativo, não é cozinhar, não é arrumar a casa nem andar para trás e para a frente com os filhos. São as birras e as bulhas dos meus filhos.

Sei, e todos sabemos, que faz parte que é mesmo assim. Que seria de estranhar se não fizessem birras. Mas custa.  Ficamos magoados, tristes, cansados. Sentimos que os nossos filhos são injustos connosco, que nós somos tão queridos para eles, fazemos tudo por eles e depois eles agradecem-nos assim. Não percebemos como é que eles, sabendo  que tudo corre tão bem quando se portam bem, MESMO assim,”decidem” de fazer birras. Ainda por cima, as piores são  logo naquele dia em que nos sentimos mais cansados ou com menos paciência. Porquê? (porque será?)

Com as birras conseguem perceber até onde podem ir e que nós pais, estamos lá, e os amamos. Aconteca o que acontecer. Faz parte. Todos sabemos. Mas não deixa de ser duro.
 Vamos tentando tudo, ver o que resulta. Mas obviamente que nada resulta pois estamos a falar de um “mal” necessário ao desenvolvimento  das crianças.
Às vezes grito, às vezes mimo, às vezes choro, às vezes castigo, às vezes viro as costas, às vezes vou me embora. Depende do dia, da disposição e do que resultou ou não da última vez.

 Mas, vou passar  à frente, porque este artigo não é sobre birras mas sobre prémios e semanada.
 Com quatro filhos às vezes é dificil dar “voz” a um sozinho. Tem sempre que ser tudo em grupo. Um filme que todos queiram, um passeio que todos estejam de acordo, uma noite para todos se deitarem mais tarde.
Mas é incrivelmente bom fazer um programa téte-a-téte com um sozinho (quando estava de licença todas as semanas ia buscar um sozinho para irmos lanchar só a dois) . Deixar apenas um fazer determinada coisa. No entanto, nem sempre é fácil arranjar uma desculpa para um apenas ser o “especial”.

Então lembrei-me (ao ver um jogo que a minha amiga Rita tem e que adaptei)  de dar prémios semanais aos meus filhos, não em dinheiro mas em “vales”, já agora com um duplo  ganho: uma desculpa para eles se sentirem especiais e também uma motivação para se portarem (um bocadinho) melhor.

 Espero não ser confusa a explicar…
Para começar fiz 8 vales. A ideia é os vales serem tão bons para eles como para nós. E que cada um receba um vale (tirado à sorte) por semana.
Cada um escolheu uma cor para os seus vales. Os 8 primeiros vales são os seguintes:

1. Vale ficar deitar 1 hora mais tarde
2. Vale passar a manhã sozinho com a mãe;
3 Vale convidar um amigo para dormir cá,
4. Vale escolher o que vai ser o jantar,
5. Vale escolher  o programa do dia
6. Vale uma tarde sozinho com o pai
7 Vale não tomar banho;
8. Vale sair mais cedo da escola.

Os vales são semanais e para os ganharem, precisam de ter 7 estrelas.   e agora é que são elas:
Para ganharem as estrelas precisam de se portarem minimamente bem. Quando digo minimamente é mesmo verdade, a ideia é isto ser uma brincadeira exequível, e quero mesmo que eles ganham sempre os vales. Pelo que temos:

2 estrelas: recebem duas estrelas no final do dia se: não fizerem nenhuma birra + arrumar quarto + não bulhou com nenhum irmão.
1 estrela: começou uma birra, mas parou a tempo + só bulhou uma vez com um irmão
0 estrelas: 2 ou mais bulhas + 1 birra
Tira estrela já adquirida: Uma birra feia ou bulha grande
No final de cada dia damos as estrelas e no final da semana contamos as estrelas. Quem tiver 7 ou mais tira um vale,da sua cor, à sorte.
Pode utilizar o vale quando quiser.
  
Começámos na semana passada e, no domingo demos os primeiros vales. Todos o mereceram. O Jacinto recebeu “vale ter um amigo a dormir”, ficou todo contente porque era mesmo o que ele queria. Diz que vai poupar e gastar aó quando ganhar também o “vale deitar uma hora mais tarde” assim tem o amigo a dormir e deitam se mais tarde. O Benjamim recebeu “vale escolher o jantar” . Já usou e hoje jantámos croquetes com arroz de manteiga – escolha dele (?!). A Luz recebeu “vale sair mais cedo da escola”. Ainda não o quis usar. 

Eu cá, estou a adorar a brincadeira e desejosa que lhes  calhe o “vale passar a manhã sozinho com a mãe”!

A tradição das camisas

        

Já se tornou uma tradição.

Quando a Luz faz anos, faço uma roupa igual para os quatro (bom, na verdade este foi o primeiro ano que fiz para quatro…).

Há muitos anos que faço estas camisas para os rapazes. Ainda só tinha dois filhos, e um deles bem bebé, quando comecei. E, por estranho que pareça, foi a primeira coisa que costurei.
Tenho uma relação muito peculiar com a costura. Nunca ninguém me ensinou a costurar, e por isso sou  pouco perfecionista e tenho falhas básicas nas peças que faço. Os meus amigos juntaram-se para me oferecer uma máquina de costura. Comprei na Retrosaria e continuo muito contente com ela, para além de ser gira, tem imensos pontos decorativos e funciona lindamente. Comprei este livro apetitoso que explica os conceitos básico da costura e… fiz uma camisa para começar.
 Já passaram 5 anos, e continuo a fazer as mesmas camisas para os rapazes (vou aumentando o molde) porque ficam sempre bem e são mesmo, MESMO simples de fazer.
Para as raparigas faço um top básico, com costuras elásticas a dar um efeito franzido. Na verdade, todos os anos penso que vou começar  mais cedo,  para fazer uns vestidos mais bonitos e mais trabalhados  para elas mas, como deixo tudo para a última da hora e só tenho mesmo as noites para costurar  –  comecei a fazer as camisas na noite de quinta-feira…- fica sempre tudo muito apertado, e acabo por optar sempre pelas peças mais simples.
Eles adoram vestir-se de igual , e eu aproveito enquanto isto dura. As roupas são estreadas na festa da Luz, mas depois fica a toilete preferida para o Verão inteiro. As camisas dos anos anteriores, a bem ou a mal ainda vão cabendo, pelo que continuam a usar.
 Mas aqui dá para ver como  ficaram bem nos anos anteriores e também como eram tão mais pequeninos… que saudades…
2013

 

2014