A preparação da primavera e um bolo de alecrim (dois posts num só )




  

     

E chegou então o tão esperado sol de Março. Toda a gente saiu à rua. Praia, parques e jardins cheios de vida, cor, risos e bolas a voar.

Mas nós, este fim de semana  ficámos pelo nosso jardim, porque, quando se tem uma horta e um pequeno jardim, há muito trabalho para fazer, principalmente depois de um longo inverno. Tirar urtigas, ervas daninhas, limpar, arrumar e, sobretudo,preparar a terra para a sua estação preferida. Trocar as couves, aipo, alho e cebolas para dar lugar aos pimentos, tomates, courgetes, pepinos e beringelas.

Claro que, embora os meninos já dêem alguma ajuda, as tarefas deles no jardim são outras. Entre ver caracóis, jogar à bola, fazer desenhos e jogar às escondidas passaram (passámos) dois dias, muito bons no nosso jardim. Para a Jasmim foi uma nova aventura, pois na verdade nunca tinha ido ao jardim como “andante” pelo que estava mesmo entusiasmada. Entre esborrachar um caracol e trocar bolachas com o Badú tudo lhe pareceu uma festa. Daquelas que voltamos com as mãos bem sujas.

A Luz, apra além de tudo o resto, ficou com a tarefa de preparar o cabaz para trazermos para cima. Alfaces para o almoço e alecrim para o bolo.

Alecrim para o bolo? Sim, alecrim para o bolo…
  
   

Todos os fins de semana faço um bolo e, ultimamente (um ultimamente que já tem mais de um ano) por ter a Jasmim pequenina tenho feito sempre os mesmos bolos. Bolo de chocolate, pão de ló, bolo de chocolate, pão de ló. Por serem rápidos, fáceis e bons e, especialmente por os fazer praticamente de olhos fechados. Mas , na verdade dá muito pouca pica, para uma pessoa que gosta de fazer bolos estar sempre a fazer a mesma coisa. Pelo que, para evitar uma estagnação culinária, agora que a pequena está mais crescida, resolvi voltar a variar os bolos. Então vou tentar  fazer um bolodiferente todos os fins de semana e dar a receita aqui.

Este bolo de alecrim foi uma descoberta incrível. Tirado dum livro da Nigella, a ideia de usar esta erva num cozinhado doce soou-me tão estranho quando apetitoso ,pelo que resolvi experimentar. Et voilá – é bom demais, uma combinação de sabores excelente e diferente. Segue a receita para quem quiser experimentar:

250g de manteiga amolecida (usei metade)

200g de açúcar mascavado

3 ovos

250g de farinha

1cc de fermento

1cc de essência de baunilha

Folhas de um pé (cerca de 10cm) de alecrim picadas – esquivale mais ou menos a duas colheres de chá

4 cs de leite

Açúcar para polvilhar
Pré-aquecer o forno a 170* Bater a manteiga e juntar o açúcar quando estiver macia, bater tudo até estar uma mistura fofa e esbranquiçada e leve. Misture os ovos, um de cada vez, e envolva uma colher de farinha por cada adição. Por fim junte a baunilha. Envolva a restante farinha com uma espátula e, por fim o alecrim. Dilua a massa com o leite. Verta na forma já untada, polvilhe com açúcar e leve a cozer cerca de uma hora.

Quando estiver frio desenforme. Eu usei um pé de alecrim para decorar e dar cheiro.

Cenas de Setembro


  
  
  
A chegada do outono, as despedidas (com esperança que ainda não definitivas) dos banhos de mar. O começo das aulas, das escolas, o frio nos pés que ainda andam de sandálias. Reorganizar, recomeçar, estruturar, idealizar, imaginar, concretizar.

É assim que se passa Setembro, um mês em que tudo começa outra vez, o mês em que tudo é possível. Ideias, mudanças, projectos. É o mês em que estamos cheios de energia, revigorados pelas  férias, prontos para começar tudo outra vez.

E, esta semana já é mesmo à séria, com a abertura do ano lectivo – desde que temos filhos os ciclos fazem-se em anos lectivos – os filhos crescem durante as férias, o ano tem 11 meses e as mudanças são para ser pensadas agora.

Setembro é, cá em casa, o mês de todas as intenções. E, como tal, esta semana depois de uma boa barrigada de praia, um bom almoço de família, um  tardio jantar com amigos, o material escolar todo identificado (ufa…), os livros todos plastificados e  a roupa toda pronta  é hora de dar as boas vindas ao Outono. Ao Outono, às rotinas de sempre e às novas resoluções:

Prometo comer melhor, prometo praticar mais desporto, prometo ser mais organizada, prometo cumprir todos os to do’s da minha agenda – que são muitos – prometo ser pontual, prometo ser melhor trabalhadora, melhor mãe, melhor filha, melhor mulher, melhor amiga. Prometo estar mais com os meus amigos, prometo dar mais festinhas ao meu cão.   Prometo e prometo. E  prometo passar os meses que aí vêm a dar o meu melhor para cumprir todas as promessas que fiz. Em Setembro.

Da pequena horta

   

        

A nossa horta é pequenina mas, quando chega  o Verão parece que cresce. No  Verão em cada ida a horta voltamos com o cesto cheio, tão cheio que às vezes não sabemos o que fazer a tanta coisa! Muitas vezes trazemos da horta, ao Domingo, um grande cabaz com todas as ervas aromáticas que ela nos dá. Ontem, para além das habituais ervas trouxemos muitas outras coisas.

Como estou sempre aqui a dizer, adoro cozinhar e, principalmente adoro cozinhar com muitos cheiros , misturar , criar e  experimentar novos sabores. Normalmente, quando estou a fazer o jantar , desço as escadas até ao nosso pequeno jardim e trago aquilo que me faz falta naquele determinado prato. Mas, se na véspera trouxemos TODAS as ervas e legumes que lá temos tudo se passa ao contrário e, então, faço o prato em função daquilo que trouxe. As duas versões são boas, mas esta segunda puxa mais pela criatividade e inovação. Hoje comemos os primeiros tomates do ano. E tenho-vos a dizer que valeu mesmo a pena. Valeu esperar todo o Inverno por estes 3 meses em que temos tomates para dar e para vender. Confesso que tenho sempre uma grande tentação de comprar tomates fora da época porque os adoro e faço um grande esforço para lhes resistir, mas quando chega o dia e faço uma salada com os NOSSOS tomates , tenho a certeza que valeu a espera  (o mesmo posso dizer dos brócolos, da couve-flor, das courgetes etc etc.).

Às vezes penso que naquele espaço onde está a horta podia ter um espaço para os meninos brincarem. Às vezes penso que naquele espaço o Francisco podia ter um atelier muito maior do que tem. Às vezes penso que podíamos (o Francisco) ter menos um trabalho no nosso dia-a-dia atarefado.

Mas, em dias como os de hoje penso que a nossa horta foi um sonho pequenino que conseguimos concretizar e, enquanto não for para mudarmos para uma horta maior aquele espaço nunca vai sair dali.

Obrigada querida horta pelo jantar que tivémos hoje. Obrigada querida horta pelo verão que já chegou e tu, carregadinha de coisas para nós!