Pelos caminhos …


  
  

Na verdade, quem me conheceu na minha adolescência nunca diria que me encontraria, onde quer que fosse, para ir correr por montanhas e vales durante duas horas. Ou melhor, qualquer pessoa que me tenha conhecido nessa altura, se fosse questionada sobre quem seria a última pessoa a levantar se da cama para ir correr responderia de imediato “a Maria”. Sim era aquela que nem corria os 12 minutos que nos obrigavam no final de cada  os trimestre do liceu.

Enfim. Esses tempos passaram e agora, para além de correr de manhã bem cedo, ter lhe tomado o gosto e ter até (sim…) participado na meia maratona , decidi estava na altura de experimentar correr pela montanha.

Desafiada pela Carolina, uma das minhas parceiras das corridas matinais, aliciada pela minha serra preferida e incentivada pelo Francisco que se disponibilizou para me acompanhar – literalmente que veio sempre ao meu lado, em velocidade de cruzeiro, coitado-  lá fui eu serra acima, serra abaixo pelos Trilhos do javali durante 15 km.

Embora às vezes tenha ficado com pena de não conseguir correr em algumas subidas e descidas, e ter vontade de ter um estradão para acelarar, a experiência foi espectacular. A paisagem, tão diferente de quando vamos  a passear (será por irmos concentrados no chão, na terra e nos galhos ou pelo facto de por irmos à correr , estarmos mais próximos da natureza e do mundo animal?!).

Sem dúvida, uma corrida para ficar na memória. Uma experiência a repetir.

Sobre amanhecer a correr




Quando digo às pessoas que ao dia de semana às vezes corro às 6.00 e outras vezes às 6.30 muitas delas respondem “como é que consegues? eu não era capaz…”
Mas, na verdade, não se trata aqui de ser capaz. Não é uma questão de capacidade mas uma questão de vontade.Ou seja ou se quer ou não se quer.
Corro por gosto. Não sou de todo viciada, mas gosto. Gosto e quero. Porque me sabe bem e porque é bom. É bom para o corpo e para a cabeça. E na verdade é um momento que tenho para mim, para pensar algumas coisas e pôr ideias em ordem (apesar de correr acompanhada na maioria das vezes e irmos metade do caminho na conversa).
Quando o despertador toca, invariavelmente penso “hoje não vou, hoje estou mesmo com sono e ainda está de noite!!” mas depois, sei tão bem que se não for vou ficar chateada.. E então salto da cama (na verdade é uma questão de segundos, pelo que passa rapidamente o sono e fico feliz por ter conseguido).
Porque sei que é mesmo o que eu quero.
E por isso não gosto de me digam “como é que és capaz”. Na verdade ser capazes todos somos – principalmente de correr, é só por as pernas a mexer e já está – O problema é querer mesmo.
Eu quero mesmo correr, sabe me bem, o dia corre melhor e faz me bem  e, não consigo noutra hora, não quero roubar tempo à minha familia, não quero atrasar o jantar ou sentir que tive pouco tempo com os meus filhos.
Por isso se alguém quiser mesmo não pense que não é capaz. Porque a vontade faz milagres, e depois de começar é dificil viver sem estes amanheceres cheios de adrenalina.
(as fotografias acima, são tiradas ao longo deste mês em variadas manhãs/ madrugadas de corrida)

New morning

           

Depois de uma semana dificil, nada como começar  bem a segunda-feira.

A minha corrida matinal é um elemento mais do que fundamental para o meu bem estar, não só físico como também psicológico. Já o disse várias vezes, mas não me canso de repetir. São vários os factores para isto acontecer, para além do exercicio em si. É sentir que fui capaz, que venci a preguiça matinal e que consegui saltar da cama às 6.10. É ir acordar os meninos fresquinha com a sensação de dever cumprido. É ver o dia a nascer e, nascer com ele um bocadinho. Mais ainda quando é segunda-feira porque à segunda-feira é, não só nascer para o dia mas também para uma nova semana – gosto muito da sensação de recomeço (estou sempre a inventar novos começos) e por isso, apesar de tudo não detesto assim tanto a segunda feira. É o dia que me estrutura a semana. É aquele dia que, se não corre bem, ou como o  planeio, é capaz de causar distúrbios ao longo de toda a semana.
Por isso, depois de uma semana confusa e atabalhoada, nada como uma segunda-feira restruturante:
6.00 – Dar de mamar
6.10 – Saír da cama
6.15 – Beber um grande copo de água com gengibre – (descobri esta água recentemente, conselho da minha amiga Piki. E agora não passo sem ela e tenho sempre um grande jarro de água fresca com gengibre no frigorifico para beber quando acordo. Tem sido uma grande ajuda com a alergia que tem teimado em não me largar)
6.25 – Saír de casa
6.30 – Iniciar corrida – 7km (hoje variei da beira rio e fui correr num parque)
7.15 – Terminar corrida
7.30 – Chegar a casa, comer uma GRANDE fatia de melancia
7.40 – Acordar os meninos (as meninas já estavam acordadas)
8.00 – Pequeno almoço
8.20 – Arranjar-me, a mim  e a eles
8.45 – Saír de casa rumo a Cascais pela Marginal
Trabalhar  longe de casa pode ter o seu lado positivo. Para mim, o importante é pensar que não é meia hora que perco, mas meia hora que ganho. Ganho uma vista deslumbrante que é a nossa marginal – nunca me canso. Ganho meia hora só para mim- é aqui que muitas vezes vou entretida a pensar naquilo que vou escrever aqui, o que vou fazer logo à tarde e outros pensamentos mais românticos e dignos de uma paisagem assim. E, last but not least, talvez o mais importante desta viagem, muito importante no meu dia-a-dia: Ganho meia hora de música bem alta e cabelo ao vento  (quando digo bem alta, não é só bem alta, é mesmo aos BERROS – de fora devo parecer ridícula, mas por dentro pareço que tenho 18 anos e, durante esta meia hora é mesmo assim que me sinto e faz-me tão bem…)
Depois, chego a Cascais. Aterro no meu trabalho, bebo um grande café e… começa o dia outra vez…
Agora, estou pronta para mais uma semana.