Heróis 

Hoje, quando antes de sair de casa vou espreitar o instagram o meu coração bateu mais depressa e a minha barriga deu uma volta . O disco já tinha saído e os 69 anos foram há uns dias. Mesmo assim, demorei uns segundos a ter a certeza.

Já tinha tido a mesma sensação, quando partiu o Lou.

É uma dor estranha, porque na verdade não os conhecemos pessoalmente, embora me sinta tão tão próxima. E sei que, um bocadinho do que sou lhe devo a ele. E aos outros meus heróis, claro.

Hoje, vim a ouvir a sua música no carro e as lágrimas escorreram me pela cara quando começou o “starman”. Fiquei com a sensação que o David Bowie escreveu todas as suas musicas a pensar neste dia.

Chorei por ele, pela sua voz (e porque é bom ter uma desculpa para chorar quando se ouve as músicas do ziggy stardust). Chorei por pensar na quantidade de heróis que tenho e que ainda vou ver partir. Foram eles que me tornaram o que eu sou. Sim, sou tão influenciável, principalmente com músicas, que muito do que sou lhes devo a eles. Meus heróis.
Hoje não queria vir trabalhar, apetecia-me não ter de por a música mais baixo, não ter de pensar em mais nada. Passar o dia a ouvir a tua voz. Até sempre, querido David.

6 anos e muito amor

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Faz hoje seis anos que nasceu o nosso segundo filho. O nosso pequenino e doce Benjamim. Ou Ben.
Tem sido incrível vê-lo crescer embora,para mim ele seja um bebé…não podia fazer já 6 anos.
E, se ver crescer um primeiro filho é impressionante, ver crescer um segundo é-o ainda mais (ou de outra forma). Não sei se me consigo fazer explicar: Um filho  mais velho é isso que faz, crescer,  ser crescido, ter imensos anos. Os outros são bebés mas, afinal, de repente fazem SEIS anos. (significa que todos vão crescer?!?!)
No dia que ele nasceu, uma grande amiga minha olhou para ele, muito gordo, muito loiro  e disse “Tem cara de estrela de rock”. Achei que ela estava meia doida, onde é que se via naquele bebé rechonchudo alguma coisa relacionada com rock, mas enfim..
E ele lá foi, crescendo, com o melhor feitio do mundo, cada vez mais loiro, cada vez mais comilão, cada vez mais querido, cada vez mais doce, cada vez mais ele.
Até que, fez quatro anos e pediu uma guitarra de presente de anos. Nós demos-lhe uma viola de brincar. Ele não ficou triste, mas não era bem aquilo.
Quando fez cinco anos pediu outra vez uma guitarra, demos lhe uma guitarra que até funcionava e, embora de plástico ele não a largou. E, desde então, vive a dar concertos, a ouvir musica a escolher música, a inventar letras. Ainda não toca nenhuma nota (mentira, já sabe o Mi), mas isso para ele não é importante porque, como ele diz “é o rei do heavy metal” e para isso não precisa de saber as notas.

Agora que faz seis anos volta a pedir uma guitarra “mas desta vez mesmo à séria”. Adora brincar, adora legos, adora tudo, Mas só queria uma guitarra. De manhã, não precisou de desembrulhar o presente para advinar o que era. Os olhos dele brilhavam e, embora brilhem com bastante facilidade, este era um brilho de um sonho realizado (daqueles que fazem os olhos dos pais brilhar também). Pôs a sua nova guitarra ao ombro, ligou o amplificador e começou a tocar (ou a fazer barulho…) já não quis saber dos bolos em forma de guitarra que lhe fizémos, nem dos wafles que pediu para o pequeno almoço.

O  dia viveu-o feliz, com toda a intensidade que fazer 6 anos lhes dá.

Ai, como eu gosto de os ver assim, como eu gosto do dia de aniversário deles… como eu vivo para estes dias, mesmo que impliquem noitadas a fazer bolos, bolachas e pequenos almoços.
Parabéns meu querido e rockeiro Ben!

Músicas, filmes e outras histórias

        

(quando acabei de escrever este post reparei que apesar de estar gigante ainda havia tanto para dizer – é um assunto que dá pano para várias mangas, praticamente cada parágrafo dá um post… Estive para não publicar mas vai assim e depois se calhar volto a algum dos temas)

Muitas vezes penso que tipo de influência cultural seremos para os nossos filhos. 
Cá em casa ouvimos muita música e tentamos dar-lhes sempre alternativas que consideramos saudáveis e de qualidade.
Até aqui tem corrido bem, a música cantada em português é rainha mas pedem sempre que leve o Johnny Cash ou o Bob Dylan quando vamos de viagem, reconhecem o Bob Marley em qualquer parte. Distinguem se é o John ou o Paul quando estamos a ouvir Beatles (distinguem melhor que eu, com péssimo ouvido). Quando levo M.I.A. ou Vampire Weekend no carro pedem que ponha bem alto – eu só oiço M.I.A. aos berros. Sabem de cor as letras do Tiago Guillul, do António Variações, dos GNR e do Raúl Seixas. Não ouvem mas sabem bem que o Elvis é o rei do rock, a Amália a melhor cantora do mundo e acho que já apanhei uma conversa sobre o Frank Sinatra (!?).

Quando se trata de filmes e de desenhos animados tentamos sempre dar alternativas ao que é impingido pelos canais de TV. Não é dificil porque, como temos a televisão sempre desligada, quando querem ver alguma coisa pedem especificamente o que querem ver (o que nos dá uma margem muito maior de escolhas de qualidade). Claro que por mim só viam a Heidi, o Tom Sawyer ou os filmes do Hayo Miyazaki, mas tenho também outras escolhas mais modernas (e de vez em quando há coisas boas a passar na televisão) para além dos filmes que passaram no cinema recentemente e claro, os clássicos da Disney.

Os livros, os livros é mais fácil. Há muitos bons livros para crianças hoje em dia, principalmente quando temos em casa tantos livros da Planeta Tangerina e da Kalandraka. Para além disso temos o nosso clube de leitura que tem ajudado muito.

Basicamente o que fazemos é partilhar aquilo que gostamos e que achamos apropriado para as idades deles.

Então, penso muitas vezes. Será que eles ouvem/ gostam / preferem aquilo que nós lhes damos ou é apenas por ainda serem pequenos e não terem os seus próprios meios para fazerem as suas próprias escolhas?
E a nós? Qual o nosso papel? Devemos proibir aquilo que consideramos sem qualidade?

Não é um assunto fácil. Claro que não quero que os meus filhos sejam os “esquisitos” da escola só porque não vêem a telenovela ou uma das séries sinistras (desculpem não tem outro nome) que passam nos canais de animação. Mas também não posso compactuar com este sistema que teima em impingir programas e músicas que são autêntico lixo, às crianças e aos adultos. 
E então? Dar-lhes a eles a escolha? Não é um duelo justo, é a mesma coisa que lhes dar a escolher entre um prato de um bom peixe grelhado com salada e um pacote de batatas fritas. Nós sabemos bem o que é melhor, mas também sabemos bem o que é mais apetecível para uma criança. E é isto que quem produz a maioria programas de hoje em dia sabe também. Conhecem as crianças como ninguém. Sabem bem como conseguir o factor “vício” e o factor “vais gostar disto logo à primeira e depois é óptimo porque também há brinquedos, e cromos, e roupas, e mochilas e por aí fora”. 
E depois todos vêem as mesmas coisas e ouvem as mesmas músicas e se alguém – em vez do típico “é mau, mas o que é que eu vou fazer? eles adoram” – pára um bocado para pensar e dizer “não quero isto”, passa logo para o clube dos “esquisitos”.

Por isso, tenho dificuldade em  tomar uma decisão relativamente a este assunto. E por isso a nossa decisão tenha acabado por não ser bem uma decisão. Foi assim uma meia coisa. Não é proibido, mas também não é permitido. É assim tipo nem é branco nem é preto. Sempre com a certeza que eles sabem a nossa opinião relativamente a estes assuntos e programas. 

O que tenho aprendido tem sido incrível (estou sempre a aprender com os meus filhos). 
Se lhes dermos boas alternativas eles adoram e tenho a certeza que conseguimos que distingam entre aquilo que é melhor e o que é pior (mesmo que às vezes continuem a querer a alternativa menos boa). 

Há uns tempos atrás numa das idas com eles a uma bibilioteca municipal disse-lhes que podiam escolher o filme que quisessem, e havia de tudo um pouco. Bons, maus e piores. Capas com super heróis, cores estridentes e outras coisas super apelativas.
O Jacinto apareceu radiante com um DVD na mão. Quando vi não queria acreditar. Trazia “O Fantástico Senhor Raposo”. O único filme que eu ainda não tinha visto do meu realizador preferido, Wes Anderson. Os meus olhos brilharam de alegria ao ver esta escolha. Vimos o filme todos e adorámos. O Jacinto, radiante quis mostrar a todos os amigos, pois ninguém conhecia este filme. Um sucesso. 
(Pode ter sido pura coincidência e da próxima vez que lá for ele me apareça com o filme dos Invizimals mas até lá, estou feliz.)

Também com o Benjamim já fui surpreendida (bom, eles surpreendem-me muitas vezes, principalmente com as escolhas musicais diárias).  Ele estava doente e deixei-o escolher o livro que quisesse numa livraria. Tinha toda uma panóplia de livros à escolha. E escolheu “O Rapaz que gostava de aves” da Planeta Tangerina. Hoje em dia diz que é o seu livro preferido e sabe de cor a maioria das passagens. 

 

A Luz, a Luz enquanto não descobrir  o Heavy Metal continua a pedir sempre para pormos o Bob Marley e sempre que ouve música reggae diz que é o Bob que está a cantar. Por enquanto ainda não me pediu para fazer rastas, mas confesso que acho que já esteve mais longe….