Para fechar a época?

  
    

Sempre que acabo uma camisola prometo que é a última que faço. Ou que então para a próxima vou seguir um esquema, tirar medidas e ser mais perfeccionista. Mas depois, entro em fase “ressaca” de agulhas (salvo seja) e toca de montar malhas e começar um trabalho qualquer sem nexo. E assim tem sido, desde que aprendi a tricotar. Este inverno só tinha feito esta camisola para a luz e este s gorros para eles. Quando os acabei achei que tinha fechado a época do tricot (que mal abriu) mas depois veio o Inverno, tardio, e um frio inesperado em Março. Então, fiz as contas a qual deles os 4 estava pior de camisolas quentinhas e cheguei à conclusão que era a Jasmim. Fiz tudo com muita rapidez, não fosse chegar a Primavera e a camisola de lã ainda não estar pronta.

Com uns serões em casa, outros fora, umas viagens de carro e umas horas de almoço, lá ficou pronta. Não ficou mal, está quentinha e confortável (embora as mangas pudessem ser para uma camisola do Jacinto).

Mas…apesar de tudo… ainda não é desta que faço uma camisola perfeita.

O drama das pequenas noites


  
  

Desde que acordo que a minha cabeça, começa a pensar em tudo o que quero fazer nesse dia. A minha agenda enche-se, semanal e diariamente de uma série de “to-dos” que sei que ficarei feliz de os ver cumpridos.

De dia e de noite tenho sempre coisas para fazer. Compromissos com os filhos, compromissos no trabalho, compromissos na cozinha.

Então, e o resto? E há tanto resto… Um marido, uma máquina de costura, agulhas de tricot e livros. (Já para não falar da decisão que tomei de descansar mais e deitar-me mais cedo).

As minhas noites da semana dividem-se entre as vésperas de ir correr às 6am  e as próprias noites que fui correr às 6am. E, por isso, para além de tudo o resto, tenho sempre o fantasma do “tenho de dormir”.

Ok, e são muitas as noites que durmo. Não cedíssimo, mas cedo q.b.para não cair para o lado. E então, noite após noite tenho decisões dificílimas para tomar. Decisões estas com as quais andei a sonhar o dia todo. “Logo à noite vou isto, aquilo e aqueloutro” mas depois, o que acontece é que a noite é mínima.

Miúdos a dormir, casa arrumada já vamos em dez e picos. E agora? o sofá chama, óbvio. Naquele momento é tudo o que mais me apetece. Mas… e todos os projectos que me andam na cabeça. E o livro que estou a adorar? Em que parte é que fica tudo isto no meu dia a dia?

Enfim, dúvidas de uma pessoa com pouco tempo mas muita vontade. Então vou gerindo, noite após noite o que vai ter prioridade.

E, às vezes, quando o sofá não é o primeiro escolhido percebemos que afinal a noite é muito maior do que se imagina. E o cansaço sobrevalorizado. Nada que não se resolva com mais um café e uma noite bem dormida no dia seguinte.

 

 

Os gorros e o inverno que ainda não veio

 

   



 

Não sei se isto é bom ou mau, mas algo me diz que é mau. Mesmo muito mau.
Este inverno que temos tido. Sabe mesmo muito bem, não sofremos de frio, poupamos casacos, aquecedores e gripes. É tão bom que até tentamos não pensar na gravidade que é. Um bocadinho parecido com a sensação que existe naquela fração de tempo, entre receber o ordenado e pagar as contas quando, apesar de sabermos que ele não chega para tudo sentimos que estamos muita bem  e compramos  coisas fora dos planos, mesmo tendo a certeza que vamos pagar por isso no final do mês.

Aquilo que sabemos que tem vindo a acontecer ao nosso planeta está a começar a notar-se na pele e chama-se aquecimento global

Por isso, não me permiti ficar muito contente com os dias lindos de Primavera com que Janeiro nos presenteou, por melhor que tenha sido. Na verdade faltou-me Invernar (roubei expressão ao MEC, achei bestial). Preciso (e a terra também) muito das estações do ano, por mais que prefira o Verão e o calor, porque são elas que nos dizem que está tudo a correr bem.
O tricot, para mim, faz parte integrante do Inverno e, tal como ele, este ano ficou comprometido. Estes gorros eram para ser usados durante os meses frios do Inverno. Na verdade, nem a Jasmim usou praticamente gorro (as fotografias de Inverno dos nossos filhos mais velhos, sempre enchouriçados e cheios de gorros)

Fazer gorros dá imenso prazer porque é (costuma ser) rapidissimo e numa noite com boa música e conversa despacha-se um gorro à vontade. Tenho toda uma coleção de gorros que faço sempre que não tenho mais nada em mãos.

Este ano, fui pondo sempre outras coisas à frente e os gorros foram sendo empurrados para aquelas noites sem mais nada (raras). Ficaram prontos ontem à noite, embora já cheia de sono por ter corrido de manhã muito cedo, quis ter a certeza que ainda os podem usar se por acaso o Inverno ainda nos vier visitar no mês de Fevereiro.

(Escrevo este post num final de dia  escuro e chuvoso e já deram bastante jeito no regresso a casa…)

E agora a camisola


  
  

Em sequência ao post anterior,  e para mostrar que afinal Maria, a obstinada também vacila. Com a mania das tradições, quando tinha ainda “só” dois filhos, resolveu que todos os anos iria tricotar uma camisola para cada filho. E assim foi, durante alguns anos. Até que esses filhos começaram a crescer e, com eles, o tamanho das camisolas e, consequentemente o número de malhas para tricotar e, consequentemente mais noites à volta do mesmo trabalho. Ao mesmo tempo que dois cresciam, duas meninas nasceram. Mais duas camisolas por ano e a tradição a complicar-se e, de ano para ano, deixei de conseguir dar vazão a tanto bater de agulhas.
No ano passado não houve camisolas para ninguém. Um bebé recém-nascido e uma camisolona de lã feita em intervalinhos de mamadas não era compatível para mim. Deu para fazer  gorros e gorrinhos e pouco mais. Nem umas luvas para todos fiz, como há dois anos.
Este ano, para fazer a vontade à Luz, que está mal de roupa quentinha e ainda com a leve esperança de voltar à tradição resolvi começar o Outono com a montagem de malhas para uma camisola para a minha filha mais velha. As cores foram escolhidas por ela (com um bocadinho de influencia da mãe senão seria uma camisola com todas as cores que havia na loja…)
Agora, quase dois meses depois a camisola está finalmente pronta. Ela adorou e, modéstia à parte ficou bem melhor do que esta trapalhice deste vestido.
No entanto, a  tradição já era e, este ano não há camisolas para mais ninguém (digo eu agora…) vou fazer mais gorros, golas, presentes de Natal e  também, quem sabe alguma coisa para mim, que também mereço!

Tricotar torto por linhas direitas

  

 

Tenho a sensação que, quando digo que sou sou um bocado apressada e pouco perfecionista naquilo que faço, parece que estou a querer ser modesta. Mas não. Sou mesmo mesmo assim. Quero é fazer e ter as coisas prontas. Faço tudo  à pressa e  a olho, seja cozinhados, costuras ou tricot.

Este vestido é o exemplo típico dos erros que cometo ( sempre com a promessa que para a próxima vou fazer melhor).  No final, acabou por não correr assim tão mal, mas o processo é um constante acumular de erros que passo a explicar:
Não costumo tricotar no Verão. Estou sempre a dizer isto. De Outubro a Fevereiro faço tricot,  de Março a Setembro, costura.
Este ano, ao entrar numa loja que adorei (que mais tarde falarei aqui nela) apaixonei-me imediatamente por uns fios de algodão da Rosários4, apetitosos e com cores lindissimas. Como estava a uns dias de partir para férias e o mês que tinha à minha frente parecia-me ainda infinito, imaginei-me logo em noites quentes de lua cheia, à conversa com amigos, a tricotar enquanto saboreava uma cerveja bem fresca. E assim foi – quer dizer conta-se pelos dedos de uma mão as noites em que peguei nas agulhas (já as conversas e as cervejas, perco-lhes a conta…)
Enfim passo a contar a história deste vestidinho:
Erro número 1: comprei dois lindos novelos, sem saber o que ia fazer com eles.
Erro número 2 : A pressa de começar a tricotar era tal que montei 70 malhas, sem nenhuma ideia do que iria fazer. Uma camisola, um casaco, um vestido ou um cacheco. Não quis saber. Na verdade, o que eu queria mesmo era começar a dar às agulhas. E assim foi.
Quando comecei a fazer  as riscas pensei que, sendo um fio de algodão, o ideal seria fazer um vestido. Era simples e rápido e daria para usar em todas as estações do ano.
Erro número 3: Não medi nada, nem ninguém. Fui fazendo o vestido a olho, remata de um lado, remata do outro. Muito mal não havia de ficar.
Erro número 4: Disse à Luz que lhe estava a fazer um vestido. Quando percebi que não lhe ia caber. fiquei desmotivada e…
Erro número 5: Fiquei semanas sem tocar nas agulhas, mas sempre a pensar que tinha um “projecto” pendente que é uma coisa que detesto.
Ontem, finalmente e a muito custo lá consegui terminar o vestido iniciado nas férias. A Jasmim ficou bonita e contente e pareceu-me estar o dia perfeito para usar um vestido de malha de algodão. A Luz disse que queria um igual (pois claro, achava que era para ela) e…
Erro número 6: .Eu disse que sim.