Sobre o futuro


O dia das crianças foi este ano marcado por uma série de más e tristes notícias. Queremos tanto olhar para o futuro com optimismo, queremos tanto olhar para os nossos filhos e acreditar que vão viver num mundo melhor. Mas há dias que sentimos o coração apertado e a dúvida imensa de qual será, na realidade, o futuro.
Olhamos para eles a brincar, felizes e despreocupados e vemos alegria, esperança e o futuro do nosso planeta e então conseguimos  acreditar que são eles  vão mesmo mudar o mundo.

Mas depois pensamos no presente.

Há atentados, há terrorismo. Há guerra, há fome. Há o Trump. Há trabalho infantil. Há violência doméstica. Há machismo e racismo. Há xenofobia e homofobia. Há pessoas que votaram no Trump. Há plástico por todo o lado. Há excesso de tudo para uns e falta de tudo para outros.

E, por mais que exista esperança aqui e ali – porque há muitas pessoas (e cada vez há mais!) a quererem mudar mentalidades e realidades, às vezes sentimos que isto está mesmo mesmo tudo comprometido. E podemos vir com conversas de optimismo e “embora lá, cada um faz a sua parte” mas a verdade é que há dias que nos sentimos mínimos perante as grandes potências, os políticos, o dinheiro e a ganância. Sentimos que, enquanto as nossas crianças não crescerem nada vai mudar. E se calhar já vai ser tarde demais.

Cuidar das pessoas, dos animais e do ambiente. Devia ser só este o nosso papel aqui na terra. E é só isso que queremos ensinar aos nossos filhos: O amor.
(E quando crescer quero ser igual à Jane Goodall)

Sobre o lançamento


Agora, uns dias passados sobre o lançamento do livro chegou o dia de partilhar como foi este dia tão especial. 

Foi um dia estranho, intenso e emocionalmente muito cheio. A começar com o National Geographic Summit logo às 9 da manhã. Foi tão incrível e emocionante que me pôs logo um turbilhão de emoções à flor da pele. E eu não sou de chorar. 

Ainda percorrendo um dia nublado -no céu e na cabeça – conheci pessoalmente a Jane Goodall, cujas palavras e olhar cheio de doçura, sabedoria e esperança me tornaram instantaneamente minúscula. Eu que até me devia estar a sentir importante pelo que ia viver ao fim da tarde. E ainda há quem diga que  somos uma inspiração…

Agora a festa: A festa foi genuinamente bonita. A felicidade de estar rodeada de todos de que quem gosto (e são tantos!) fez me desvalorizar a parte de perceber que sou uma péssima comunicadora em público. E que sem dúvida é uma parte da minha vida que tem de se trabalhada. 

Não preparei nada para dizer – primeiro grande erro: depois de andar toda a semana à volta com agradecimentos, manifestos, discursos sobre amor, família  consciência e sustentabilidade, achei  que o que o melhor seria ser espontânea e, ao curtir um momento tão bom me sairia alguma coisa com graça e/ou bonita – Segundo erro: não sou pessoa de dizer  seja o que for com graca ou bonito sem ser por escrito  (e mesmo assim…. )

Os nossos filhos acabaram por salvar – e bem – o potencial flop da mãe, com palavras bonitas sobre o  “Viver Devagar”. E o facto de estar rodeada de quem me quer bem também. “Estiveste óptima” ouvi. “Falaste lindamente” “não não, não se notava nada que estavas nervosa”. (Obrigada)

Às vezes ainda dou por mim a pensar: Que pena não ter dito isto ou aquilo. Porque não preparei nada, que estupidez porque sou sempre assim, tão pouco precavida e desorganizada.

Enfim, fora isso os livros esgotaram e a sala estava mesmo mesmo muito cheia, apesar de serem seis da tarde de um dia de semana e um calor abrasador. Recebi abraços e beijinhos de amigos de sempre, amigos de agora, amigos do blog. Os meus filhos andavam felizes e até deram autógrafos. O Francisco orgulhoso. Os meus pais nem se fala. A minha amiga Mariana (como só ela seria capaz) apresentou-me contando um bocadinho da história da nossa vida e da nossa bonita e longa amizade. 

Olho para trás e foi um dia bom. Um dia perfeito. Um dia intenso em todos os sentidos. Um daqueles dias “altos” que se tem na vida.

Um dia daqueles tão cheio de tudo que, no dia seguinte se acorda e de pergunta:

E agora? 

Agora a vida continua igual. Como se nada se tivesse passado, tirando aquela parte de nós que sabe que viveu uma coisa mesmo especial. E que ficará guardada naquela gaveta onde se guarda aquilo que é mais especial e importante. Aquilo que nunca mais esquecemos.
Agora, fora do microfone sem vergonhas ou constrangimentos. Obrigada a todos os que partilharam comigo este dia especial. Foram muito, muito importantes para mim.

Adoro-vos. 

Maria

A festa, as t-shirts e os vestidos


Não há muito a dizer da festa da Luz. Vocês já nos vão conhecendo e já sabem como são as festas por aqui. Tradições atrás de tradições. Faz a roupa. Faz o pão. Faz o bolo. Compra as flores. Enche a casa. (Cai para o lado). 

Este ano não foi diferente. A Luz fez seis anos e isso para mim teve uma responsabilidade acrescida. Seis anos é mesmo muito importante. E Só Quero que ela seja a menina mais feliz do mundo e que nunca se esqueça do dia importante em que entrou na “idade da razão”.

Pediu um vestido até aos pés, eu fiz.Confesso que me custou. Muito. Estava a ter uma semana difícil. Só me apetecia cair para o lado depois de os ter a dormir. Mas seis anos só fazem uma vez. E uma noite mal dormida vale a pena quando sabemos que vamos fazer alguém de quem gostamos muito feliz. 

Claro que, obstinada como sou, pensei: quem faz um vestido faz dois que elas gostam tanto de andar de igual e… já agora.. tradições inventadas por uma mãe são para cumprir: são só mais duas t-shirts para os miúdos que ainda por cima já estão a precisar. 

A festa teve casa cheia, jardim enfeitado e muito calor. A Luz andou sempre   radiante e saltitante pelo jardim com o seu vestido até aos pés e sempre,  claro, sem sapatos.

Diz-me no fim do dia que não gostou. 

O meu coração ainda tremelicou. “Não mãe. Eu ADOREI!!!”

Ufa.. acho que valeu a pena! Agora posso descansar sossegada.

 

Seis anos de Luz


Adora flores, adora animais, adora desenhar. Adora viver, adora ser criança. Adora a natureza,  a praia e a floresta. Anda sempre descalça e às vezes, parece que voa. 

Para além de ter um gato e um cavalo, só quer duas coisas: nunca crescer e vivermos todos juntos e para sempre (de preferência na Nova Zelandia). Às vezes parece que ela é um anjo – e que os desejos dela se vão realizar.

Adora brincar, adora saltitar, adora subir às árvores, trepar a tudo. É leve como um passarinho. Às vezes até parece que  voa. 

Adora dar flores adora receber flores, apanhar flores. Ter flores. Cuidar de flores. Às vezes até parece que  é uma borboleta. 

Diz que quer fazer tudo o que faça bem “ao nosso mundo”. E trata  todos os bichos como se fossem iguais a ela. Do caracol ao cão. Diz que o que gostava mesmo era que o Donald Trump pudesse ler o livro da mãe “para esse estúpido saber como se faz bem ao nosso mundo”.

Diz que eu sou linda. E um bocadinho gorda. Mas isso não lhe importa nada. Porque ela sabe bem o que realmente importa. 

E que feliz que sou por ter há seis anos esta Luz comigo. Pura, doce e selvagem a iluminar tudo por onde passa.