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Clube de leitura Slower

Passei muitos anos a dizer que não tinha tempo para ler porque isto de ter filhos e isto e aquilo. Até que, no ano de 2014 comecei a ler a trilogia milennium “Os homens que odeiam as mulheres” e, como que por magia, o tempo para ler começou a aparecer. Qualquer minutinho livre era uma desculpa para adiantar mais um parágrafo. Enquanto esperava que a massa cozesse, enquanto ia à casa de banho. Quando chegava mais cedo a algum lado ou quando esperava por uma consulta. Antes de dormir marchavam mais quatro ou cinco páginas. E, em 2 meses li estes três livros inteiros. Sim, sim… não vamos exagerar… obviamente que não voltei, nem de perto nem de longe, a ter o ritmo e os tempos de adolescente a devorar um livro num par de dias.

Ainda assim, acho que é um hábito que devemos manter, não só por uma questão de cultura geral mas também por uma questão de sanidade mental. E, na verdade, a busca de um “viver mais devagar” devia trazer sempre consigo a procura intrínseca de mais tempo para ler. Tentarmos trocar um scroll no Instagram por cinco minutos de livro. Trocar uma espreitada no facebook por três páginas de livro. Trocar um episódio de uma série por um capítulo ou dois na nossa leitura. E, nunca adormecer sem umas linhas de um livro – há sono mas há sempre espaço para um parágrafo ou dois.

Na verdade, esta conversa toda é só para vos propor que se juntem a nós no Clube de Leitura Slower. E o que é o Clube de Leitura Slower? De três livros selecionamos um. Temos cerca de um mês, um mês e meio, para o ler. E, no fim desse tempo, reunimo-nos numa noite agradável, num sítio simpático, com a companhia de um bom vinho – ou de um chá como será o meu caso nos próximos meses. Falamos sobre o livro, aprofundamos o livro. Na verdade, a ideia não é ter um guião de perguntas e respostas, embora ele possa existir para orientar, mas uma conversa que flua. Imagino que acabemos a falar daquilo que nos apetecer, daquilo que o livro despertou em nós, o que sentimos. Depois, aproveitamos o embalo e escolhemos o livro para o mês seguinte.

O PRIMEIRO LIVRO
Lançado o desafio deixo aqui as três propostas de livros para esta primeira volta. Livros que ainda não li e que estão na minha lista de livros para ler.

· Sei porque canta o pássaro na gaiola, Maya Angelou
· Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector
· A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

Gostava de saber quem se quer juntar para escolhermos e começarmos as nossas leituras asap – estou a acabar o meu livro, preciso de saber rapidamente qual será o próximo!

COMO ADERIR
1. Envia um e-mail para o ola@slower.pt ou comenta neste post até 15 Maio.
2. Dos livros sugeridos, indica o teu preferido.
3. Será enviado um email com livro mais votado, o que iremos ler.
4. Junta o hashtag #clubedeleituraslower às tuas partilhas.

Se quiserem sugerir o clube a alguém que não seja leitor do Slower estejam à vontade e inscrevam também o vosso amigo ou amiga.

Até já!
Maria

38

Como já devem ter percebido, adoro inventar tradições.

Inventei então a tradição de acampar no meu dia de anos -na verdade só inventei no ano passado – mas para os miúdos isto é coisa de sempre e, para nós também porque, insisto, para mim conforto é ter o coração cheio e estas aventuras com os meus enchem-me de amor e tornam os meus anos cheios e felizes! Este ano, com esta barriga (e o tempo que ainda estava incerto) decidimos optar por uma caravana e, já agora aproveitar que o dia de aniversário colava com o fim de semana e, em vez de um dia ficaríamos três.

Uma série de “es” transformaram esta pequena (grande) viagem numa conjugação de factores que tornaram estes dias perfeitos .

“E se” fossemos ver neve – sexta feira não deve estar ninguém na Serra da Estrela! Tinha percebido que a serra estava com uma mega acumulação de neve- coisa rara nesta altura do ano. Pouca gente, pouco frio e MUITA neve.

“E se” fosse apresentar Covas e as suas pessoas à minha família? Parecia-me a oportunidade perfeita! Ainda por cima havia lá uma festa, de uma das amizades que por lá fiz, onde gostava muito de estar presente.

“E se” pelo caminho parássemos para ver e dormir no castelo de Almourol e aí tomássemos o pequeno almoço dos meus anos – a minha refeição preferida quando estou a acampar!

O melhor da vida numa caravana é que tudo é possível. Não é preciso grande plano, porque ele vai surgindo e, estejamos nós onde estivermos podemos descansar, ir à casa de banho, cozinhar ou… continuar.

A nossa viagem foi feita de improvisos daqueles que correm melhor do que qualquer plano. Visitámos amigos, visitámos os nossos heróis bombeiros de Vila Nova de Oliveirinha, que tanto passaram na noite de 15 de Outubro. Encontrámos o melhor sítio do mundo para acampar e onde queremos voltar muitas e muitas vezes! Passeámos por sítios lindos. Jogámos, brincámos, fizemos bonecos de neve, almoçamos com vista para a neve, jantámos por baixo das estrelas. Dormimos bem juntinhos (e muito), ouvimos muitas histórias e muita música!

Foram três dias mas (obrigada França!) pareceu uma semana e soube a férias.

Não atendi telefonemas nem respondi a mensagens de parabéns. Mas li e ouvi, uma por uma e… obrigada a todos! Entrei nos 38 em cheio (e cheia!)

Seis meses

Faz hoje 6 meses do fatídico dia 15 de outubro de 2017. Seis meses do dia em que um monstro em forma de chamas destruiu e levou as casas, os animais os sustentos e as construções de uma vida de tantos portugueses.

Por lá o verde começa a aparecer. Os sorrisos já surgem mais facilmente, as pessoas estão mais serenas, mais tranquilas. E, a sua vida segue cada vez mais dentro da normalidade. Life goes on. Os apoios começam a chegar. Os barracões já estão limpos e muitos deles quase prontos. Alguns mudaram de vida. Outros recomeçaram outra vez.

Das 41 casas ardidas nesta freguesia, 12 vão começar a ser reconstruídas. A junta de freguesia já tem novas instalações. A casa SOS já está pronta e a dar abrigo a uma das famílias que perdeu tudo – e que não tinha para onde ir.

E nós? Qual o nosso papel agora?

O nosso trabalho ainda não acabou. O Não Vamos Esquecer tem estado calado, mas não parado. O nosso compromisso era não esquecer, e é esse o compromisso que continuamos a honrar.

O NVE, cresceu e amadureceu e tal como as necessidades mudaram também nós mudamos a nossa actuação.

A nossa presença no terreno continua. E vai sempre continuar – as relações que ali fizemos são genuínas e para toda a vida.

Mas, o nosso apoio centra-se agora, depois de muito pensarmos e reflectirmos, em alguns pontos importantes que gostava de partilhar com vocês:

– muitos pastores e agricultores já construíram os seus barracões que estão agora prontos para receber… o gado. Mas que triste, pobre e sem vida ficam sem a sua personagem principal – os animais! E que difícil é, para estas pessoas, adquirir outra vez todos os animais.

Cada ovelha custa cerca de 100€. Alguns perderam 10, outros 30, outros apenas 2 ou 3. Começámos sexta feira a oferecer ovelhas a quem as perdeu e ainda não as conseguiu comprar.

É um processo demorado. Não é uma questão de comprar uma série de ovelhas por atacado e distribui-las por quem precisa. As pessoas gostam de escolher as ovelhas que querem, o que faz, obviamente, todo o sentido mas que torna todo o processo bastante moroso. Esta sexta feira passamos então a tarde a conhecer ovelhas e pastores que vendem ovelhas, com o objectivo de dar 3 ovelhas ao Fernando. Ele finalmente encontrou aquelas com quem mais empatizou e ficou feliz. Arderam-lhe 14, já tinha comprado 3 mas tão depressa não ia conseguir comprar mais.

– vamos também criar uma “conta aberta” numa loja local de Materiais de Construção Civil, em parceria com a Junta de freguesia. Cada pessoa (sobretudo quem não foi contemplado com qualquer tipo de apoio) vai poder ir “às compras” na loja do Ricardo sem ter de gastar dinheiro.

Mais:

– temos planeadas acções de limpeza da floresta em parceria com a Caule. Alguém viu a Selecção de Rugby nas notícias a cortar árvores e limpar a floresta? Pois bem essa acção foi organizada por nós … e mais virão!! Fiquem atentos!!

– Queremos muito reconstruir o parque de merendas de Covas que ardeu todo. Era um espaço comunitário muito usado pela população e que tinha acabado de ser arranjado, ardeu todo.

E por fim, e muito importante para que consigamos continuar com estes projectos todos (para além dos sempre bem vindos donativos) uma excelente iniciativa que foi proposta pela 9. Mas antes deixem-me só dizer umas palavras sobre o papel da 9 no Não Vamos Esquecer:

Este caminho de crescimento do Não Vamos Esquecer tem sido possível – sobretudo por termos tido sempre do nosso lado, a incrível agência 9 the creative shop. Foram eles que nos deram força quando desmoralizamos. Foram eles que acreditaram desde o início que isto ia valer a pena. São eles que têm as melhores ideias, criaram o nosso logo, as páginas das redes sociais, dinamizam acções e, não pensem que são só uma agência que está no escritório a tratar da imagem e do marketing porque, quando é preciso arregaçar as mangas e partir para o terreno, são os primeiros a abdicar do fim de semana para fazer o que for preciso. Lá.

Pois bem, a 9 lembrou-se e desenhou umas pulseiras simples e bonitas para angariar fundos. As pulseiras são estas da imagem abaixo. Cá em casa já todos as usamos. Uns nos pés outros nas mãos.

Para já ainda não temos pontos de venda, mas estará para breve. De qualquer forma se quiserem comprar entrem em contacto com qualquer um de nós. Cada pulseira custa 2€. O valor angariado vai 100% para a conta aberta na loja do Ricardo ou para oferecer ovelhas a quem as perdeu. No trágico dia 15 de Outubro de 2017.

Obrigada por terem lido até ao fim, um post tão comprido.

O Não Vamos Esquecer é de todos e precisa de todos.

Ps. Um sentido obrigada a todos os particulares, à Joana Limão, aos CTT e à Brisa pelos generosos donativos que têm tornado a nossa ajuda e as nossas idas ao terreno possíveis.

Fazer farinha

Já há mais de 8 anos que cá em casa não compramos pão. Somos os nossos próprios padeiros e apesar de não sermos mestres na arte de fazer pão, fomos aperfeiçoando e afinando a nossa receita e a verdade é que ele é, sem dúvida, cada vez melhor.

Ao longo destes anos um dos problemas com que sempre nos debatemos era a origem da nossa farinha – querer ser o mais natural e sustentável possível e “ir até à matéria prima mais prima” e depois fazer pão com uma farinha processada de forma industrial, e sabe se lá mais o quê, não está com nada. Ainda tentámos as farinhas biológicas, mas financeiramente são incomportáveis para nós, procurámos encontrar produtores, mas a coisa não andava fácil. Foi então que, há cerca de um ano atrás, o craque do pão – Paulo Sebastião – nos apresentou às farinhas Paulino Horta e ao grande Paulo – um dos dois irmãos responsáveis por esta empresa  – que para além de uma simpatia infinita e contagiante é alguém completamente apaixonado por aquilo que faz e com gosto e orgulho genuíno em fazer uma tão boa farinha.

O nosso pão melhorou do dia para a noite – esta é uma farinha viva e em que são conservados todos os componentes do trigo o que resulta num pão saboroso, nutricionalmente rico e saudável.

Enfim, desde que conhecemos o Paulo que, contagiados pela sua paixão, andamos com vontade de perceber onde e como é feita a  NOSSA farinha, aquela que nos dá o pão nosso de todos os dias, e aprender um pouco sobre arte de ser moleiro.

E assim foi. Esperámos por um Sábado sem chuva (e por isso temos esperado tanto) e rumámos para Alenquer onde fomos recebidos de braços abertos pelo Paulo:

Visitámos o moinho onde o seu pai fazia a farinha (que está conservado ao nível do melhor dos museus, com todos o pormenores, dos utensílios aos parafusos, às mantas onde o moleiro se aquecia no Inverno).

Assim ficámos a saber como era antigamente a vida – dura – de um moleiro. Como era uma pessoa importante para todos, com a responsabilidade de zelar pela base da alimentação de uma comunidade, como trabalhava dia e noite. Como tinha de saber estar sozinho durante muito tempo – quando fazia a farinha  – e ao mesmo tempo ser simpático e afável com todos – quando vendia a farinha. Como qual marinheiro em alto mar tinha que ser capaz de por si só manejar e conduzir o seu moinho mas também de se encarregar de toda e qualquer manutenção. De como um moinho é um exemplo vivo de um saber e cultura milenares, pensado ao mais pequeno detalhe, onde cada pormenor tem uma função.

Depois de percebermos como funcionava o moinho antigo, avançámos para perceber como, com os saberes de antigamente e com os progressos de hoje se faz a melhor farinha.

Começámos por ver os silos onde se guardam os cereais, a seguir as máquinas onde meticulosamente se limpam e preparam os cereais. Depois onde e como se mói a farinha – sendo que vimos fazer das duas formas – na mó e no cilindro. Vimos tudo a trabalhar, os pormenores que são precisos para que o produto final surja de uma forma tão saborosa e com tanta qualidade.

Foi uma visita guiada incrível onde assistimos ao vivo à paixão que é preciso para fazer o melhor. E que bom que é, para todos, percebermos de onde vem a farinha que usamos para fazer o nosso pão.

Viemos de lá com mais de 30 quilos de farinha do melhor que há, umas misturas especiais, outras de trigo normal mas todas elas feitas com muito trabalho e amor.