Piquenique

Na verdade não estava a pensar fazer um post sobre o nosso piquenique de ontem, sobretudo porque tenho a mania que não posso repetir posts sobre os mesmos programas. Mas, dado o carinho e entusiasmo mostrado nas “histórias” do instagram por vocês, cá vai:
Falo pouco no meu trabalho, mas acho que já perceberam que, sou psicóloga e trabalho na área social já há mais de 6 anos. Diz quem estuda estas coisas que, o trabalho social está no top dos trabalhos mais stressantes e desgastantes. E o meu não é excepção. Isto já para não falar no cansaço que esta quinta gravidez me está a causar…
Mas enfim, aqui não é sitio para falar de trabalho, só para explicar que há dias que são mais difíceis do que outros e ontem foi um dia especialmente difícil.
Então, o Francisco que não gosta de me ver em baixo, lembrou-se de organizar um piquenique. E, com o tempo que estava o piquenique tinha de ser mesmo … na sala. Já não é a primeira vez que o fazemos e é sempre um programaço. Saímos da rotina, petiscamos coisas boas, enfim é sempre uma animação. Ontem tínhamos palitos de cenoura com molho de quejo e mostarda, maçarocas (é um clássico dos nossos piqueniques as maçarocas), croquetes, pistácios, manga, maracujá, gomas (sim gomas) tostinhas com queijo e uma massa com legumes para que ninguém ficasse com fome (e porque temos sempre que pensar na marmita para nós dois). O piquenique é livre e cada um põe o que quer no prato pelo que tínhamos alguns pratos com: gomas, croquetes, queijo e manga – ao mesmo tempo. Mas é assim que se faz um piquenique anti-neura: sem regras (até há quem coma com os pés como podem ver numa das fotografias acima)
Os cães também tiverem direito a piquenicar e “jantaram na sala” ideia do Jacinto que achou que eles estavam um bocado ciumentos de nos verem a comer no chão – e com toda a razão!
Acabado o piquenique ainda animados do tão divertido programa enroscámo-nos uns nos outros e fomos até ao cinema também em nossa casa. Peter Pan esse clássico que todos adoram foi o filme escolhido para terminar a nossa noite. Escusado será dizer que a neura, já era e que, já não é a primeira vez que esta técnica resulta de verdade.
Não precisa de ser um piquenique, mas muitas vezes fugir à rotina quando nos sentimos mais em baixo é uma boa forma de recuperar as forças, pôr as coisas em perspectiva e deixar o cansaço para depois.
Hoje, depois da noitada, foi mais custoso para todos acordar mas… who cares?, é sexta feira!!
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(Desenho da Luz)

Quando no dia 1 de janeiro tomei a decisão de não fazer planos nem pedir desejos para o ano que iniciava, não fazia ideia que 2018 me traria o maior de todos os projectos que uma família pode ter. Um filho.

Às vezes pensamos demais e se tivéssemos pensado demais provavelmente este bebé, nunca iria existir. Seria apenas um sonho por concretizar.

Mas agora que cresce em nós este quinto filho, temos a certeza que era mesmo esse o plano que a vida tinha para a nossa família. E que assim tudo faz ainda mais sentido.

Sete mais dois. ❤️

Estufa Fria

Dos sítio em Lisboa onde mais gosto de ir.

Tínhamos os filhos distribuídos entre tios e avós. Uma maravilhosa manhã molengona em modo da nossa outra vida (vida pré-filhos = outra vida). Confesso que sabe muito bem mas, rapidamente me dá a hiperactividade miudinha “mas que raio estou eu a fazer em camisa de noite com o dia tão bonito lá fora!!”

Então, toca de ir ter com os meninos. Estavam no parque infantil do Parque Eduardo VII. Mesmo ao lado da estufa fria. Depois de ali bebermos um café, a minha mãe teve a ideia maravilhosa (e amorosa) de nos convidar a ir almoçar … à praia !

Mas, os nossos filhos são doidos pela estufa fria – eles e nós! – então, porque não dar por lá um passeio antes de almoço? (sabiam que é gratuita a entrada aos domingos de manhã?)

Não há sítio mais calmo, fotogénico e bonito no meio da nossa cidade. Não estivemos por lá muito tempo, que a fome apertava e ainda íamos para a praia, mas deu para passear, brincar e ainda ler umas histórias .

Na praia, tirando a fome estava um dia lindo demais. Ameno, mar forte, zero frio. Deu para matar saudades do mar e de brincar na areia mas, apesar de tudo, soube a pouco.

Sabemos que a chuva vem amanhã e só temos de estar agradecidos .

Temos o país interno assolado por uma seca extrema. Vamos fazer danças, rezas e tudo o que for preciso para que a chuva venha abundante.

(Enquanto isso poupar água, cuidar do ambiente, poupar água, poupar água, poupar água)

No Rio da Mula

Só para lembrar aquela altura em que cada programa que fazíamos todos, escrevia um post por aqui.

Acho não tenho escrito porque parece me sempre que não há muito para dizer mas, na verdade, se calhar bastam as imagens.

Hoje fomos guiados pela nossa amiga Mónica à barragem do Rio da Mula. Uma caminhada. Muitas paisagens lindas e mil aventuras pelo meio. Os miúdos adoraram e os crescidos também. De facto, não há como a liberdade e a natureza sobretudo com a família e amigos!

Para a semana, prometo mais aventuras e mais caminhos para mostrar! Com poucas palavras e muitas fotografias…

A minha experiência educativa

 

Não tive, enquanto criança, o que se pode considerar uma boa experiência educativa. Embora não fosse infeliz na escola – de todo – vivia para os intervalos mas sempre detestei as aulas em si. Embora, durante  quase toda a minha vida tenha achado que era suposto ser assim: As aulas eram uma coisa que não era para gostar. Estudar era uma coisa que se fazia a muito custo.

Tive uma professora de matemática – dizem que era uma professora excelente –  e que explicava muito bem, mas eu cá ainda hoje não sei fazer contas de dividir e desconfio que a minha falta de capacidade de falar em público venha das vezes que por ela fui humilhada a ir ao quadro, a colocar uma dúvida ou a dar uma resposta errada.

As matérias que eram dadas não me diziam nada. Decorar por decorar. Sem perceber  nada do que estava ali a aprender. Ali pelo meio haveriam,  de certeza, imensas coisas interessantes para saber e estudar mas nunca nelas reparei. Talvez pela forma como eram dadas ou talvez pelo desinvestimento e desinteresse que atribuía a tudo o que era da escola. Se vinha da escola, não interessava. Se era dado numa sala de aula então era uma seca.
E assim vivi o meu percurso educativo. Confiante que e  a escola não interessava para nada e que, mal pudesse, deixava de estudar. Nunca percebi quem ficava contente com uma boa nota pois para mim valia nada. E também depressa percebi que eu cá não era nada de especial em nada de especial e, tirando asneirar não me destacava em nada. Nem ginástica, nem matemática, nem desenho, nem música. Valeram-me os livros que li – e li tantos!

E lá deixei eu, finalmente, de estudar no final do 11º ano. Achei que ia ser DJ e que, para isso, não precisava de nenhum curso. Fui trabalhar – o meu pai tinha, na altura, um restaurante e por isso foi uma ano perfeito: servir à mesa à hora de almoço, fazer voluntariado num bairro social ao fim da tarde e… LUX à noite.

E foi aí que finalmente percebi que afinal havia uma coisa para a qual  eu tinha muito jeito: para as pessoas. E foi aí que me  apaixonei pela psicologia e  comecei a sonhar em ter esta profissão e aí sim  tornei-me numa boa aluna.  Fui fazer o  ano 0 do ISPA ( equivalente ao 12º ano)  e fui uma aluna exemplar. E ainda hoje sei bem tudo o que aprendi nesse ano. Em Biologia, em Matemática,  o Fernando Pessoa em Português. Estava verdadeiramente apaixonada pela escola – os bons professores que tive também ajudaram.

Demorou mas foi (e que pena que eu tive de ser tão tarde…) Na verdade tudo está na paixão como fazemos as coisas ou como elas nos são transmitidas (e, claro, na pertinência que  encontramos nessas mesmas coisas).  E é, para mim, sobretudo isso que esta escola tradicional não passa aos nossos filhos: PAIXÃO.

Agora que  sou mãe. E tenho três filhos em escola, com interesses diferentes, capacidades de concentração diferentes. Paixões diferentes. Tão diferentes em tudo que eles são!  E a escola continua igual ao que era na minha altura, e igual para todos.

E ok, talvez seja um assunto demasiado sério para ser retratado num video satírico em jeito de americanada rap. Mas gostei do vídeo, porque está tudo resumido de uma forma simples e  porque penso exactamente o mesmo sobre a escola – só que sem rimar.

Como é que querem que eu explique aos meus filhos que o futuro deles está dependente de um sistema com o qual eu não concordo?  Não devia ser a escola e  a aprendizagem a maior arma da nossa sociedade? Não são os professores os detentores da profissão mais importante do mundo?

Sabem o que disse um dia um professor ao meu filho que não gosta  muito da escola? Que um dia quando o encontrar na rua daqui a 20 anos ele vai estar cheio de vergonha porque vai estar… desempregado. E esta, hein? Grande estimulação de auto-estima e de paixão numa criança, não acham?

Cada vez mais se fala sobre modelos educativos alternativos e cada vez me fazem mais sentido. Mas não são esses que os meus filhos frequentam.   E lá vamos fazendo  o possível para os manter motivados. Mas depois uns gostam mais, outros menos. Uns têm professores que conseguem motivar e dar a volta ao texto e transmitir paixão.  Outros dizem disparates do tamanho daquele que contei em cima. Uns acham que estar sentado todo o dia a ouvir para uma professora e a trabalhar é óptimo e valorizam isso muito –  o que nos facilita muito a vida –  mas temos outros  que acordam todos os dias a pensar porque raio têm de  ir para a escola decorar conceitos que pouco ou nada lhe dizem transformando lentamente  a aprendizagem numa tarefa aversiva e empurrando a sua auto-estima para o fundo, assim como me aconteceu. Até me apaixonar.

Não está na altura de mudar este paradigma e torná-la uma realidade ao alcance de todos?