dois a zero

 
dois a zero conhecia bem a simplicidade,
a devota sede dos que o encontravam na ânsia de uma manhã.
em redor do peito tinha se inscrito com palavras de calor,
era certeiro com as mãos e falava devagar.
pedia
não sabia.

naquele tempo, caminhando de olhos fechados na casa do amor,
fizeram-lhe augúrios de futuro.
mas dois a zero era só para estar bem perto.
respondeu-lhes com a paz,
pois não podia conhecer a incerteza

se chorares ele ampara a tua lágrima
dedica-te a boca
e nunca te dirá o que não queres ouvir

 

(o desenho é daqui, e o poema é de um pequeno livro chamado “nome de índio”)

nome de índio

promessa

 

faz-me urgente de saber,
trata-me pelo teu nome, o que me quiseste dar.
jurarei a palavra,
sou do sol e tu sabes o que eu quero:

um nome de índio

para que tu me possas chamar

(o desenho é daqui, e o poema é de um pequeno livro chamado “nome de índio”)